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Drogas. Hillary quer FBI a interrogar no México e em troca de auxílio econômico à guerra às drogas do presidente Calderon

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 26 de janeiro de 2011.
Hillary Clinton.

1. O mundo gira e a Lusitana roda. Quando assumiu a Presidência dos EUA, Barack Obama admitiu que a War on Drugs planetária, iniciada no governo Ronald Reagan e interrompida apenas no de Jimmy Carter, havia falido. O czar antidrogas da Casa Branca, escolhido e afinado Obama, também foi taxativo no sentido de a militarização do combate às drogas não ter dado certo e de uma fortuna haver sido jogada no ralo.



Obama, na primeira visita ao presidente Felipe Calderón, que conseguia verbas e apoio de George W. Bush, falou da importância do contraste às drogas. Só que não aprovou a política mexicana de War on Drugs. A propósito, uma guerra com emprego do Exército e iniciada por Calderón em 2006, logo no primeiro dia do seu mandato presidencial.



Depois de rodar pelo Japão e outras partes do mundo a passar o pires para obter auxílio financeiro, Calderón resolveu novamente apelar para os EUA e procurou a secretária de Estado Hillary Clinton. Como já informado neste blog Sem Fronteiras de Terra Magazine, o governo norte-americano estava de saia justa depois de o WikeLeaks ter revelado correspondência diplomática sobre a total falta de confiança no governo Calderón.



Ontem, Hillary Clinton, em visita à mexicana de Guanajuato, disse : "Acredito no presidente Calderón e admiro o que está fazendo”. Uma frase com o propósito evidente de desmentir o revelado pelo WikeLeaks.



Depois dessa revelada admiração e apesar dos 34 mil mortos (mais de 70% civis inocentes) dessa irresponsável War on Drugs mexicana, Hillary prometeu que Washington dará pleno apoio a Calderón nas políticas repressivas às drogas e à criminalidade organizada.



Volto ao mundo gira e a Lusitana roda. Pelo que se sabe e os 007 da CIA estão exultantes, Hillary acerta com Calderón o apoio em troca de agentes do FBI poderem investigar e interrogar presos e chefes de cartéis mexicanos.



Hillary sabe bem que mais de 80% da cocaína ofertada no mercado norte-americano ingressa pelo México. E a cocaína é de origem colombiana e não mexicana.



PANO RÁPIDO. A Colômbia é o único país do mundo que admite a extradição de nacionais. Isso decorreu de pressão norte-americana e os EUA já levaram vários chefões: alguns, como os irmãos Ochoa, retornaram depois de acordos com o FBI e mantidas intocáveis as suas fortunas.



Com o México, cuja polícia é tida como corrupta, o governo dos EUA propõe interrogatórios e investigações. Uma intromissão só vista em países invadidos como o Iraque e no Afeganistão.



Espera-se que não ocorra uma nova Guantânamo. Hillary tenta, também, uma jogada política. Ela sabe que a oposição hostil aos EUA, hoje, ganharia a eleição no México. Para tentar salvar politicamente Calderón, que perde a tal guerra às drogas e está desacreditado, o FBI seria uma esperança de reviravolta.

Wálter Fanganiello Maierovitch


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