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Alta Tensão no Líbano. Corte especial vai revelar os responsáveis pelo assassianto de Rafiq Hariri. Premier turco pode ser mediator para evitar conflito interno.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF14 de janeiro de 2011.






--1. Está rompida a chamada aliança de “14 de março”.



Essa aliança venceu as eleições legislativas libanesas de 7 de junho de 2009.



Era uma aliança contrária à Síria, que ocupava, com o seu exército, parte do território libanês.



À época, desconfiava-se que a Síria, por seu temido serviço secreto, era a responsável pelo espetacular assassinato. E o Hezbollah, --o libanês partido de Deus e que tem força armada superior a do Exército do Líbano--, era apoiado pelo Irã e pela Síria. Do outro lado e contra o Hezbollah alinharam-se EUA, França, Arábia Saudita e Israel.



A aliança “14 de março” sustentava, por maioria parlamentar, o sunita Saad al-Hariri na chefia do governo.



Como se sabe, Saad era filho de Rafiq al Hariri, o primeiro ministro assassinado em 14 de fevereiro de 2005.



Nesta semana, o governo Saad Hariri não caiu apenas pelo fato de 11 ministros do xiita Hesbolah terem renunciado.



Caiu, também, porque o líder druso Jumblatt mudou de lado e restou acompanhado por cristãos maronitas liderados pelo general Aoun. Assim, Saad Hariri perdeu a maioria.



Saad Hariri visitava o presidente Barack Obama quando foi avisado da perda da maioria. Então, correu para a França para se reunir com Sarkozy: já parte do império Otomano, o Líbano ficou sob tutela da França e obteve a independência em 26 de novembro de 1941. Enfrentou duas sangrentas guerra civis (1958 e 1975).



Pelo que se sabe, Saad Hariri está a caminho da Turquia para se reunir com o premier turco Erdogan, que conquistou credibilidade nas relações internacionais.



O premier turco vai procurar se colocar como mediador. E já sabe que a nomeação de um novo primeiro ministro será problemática, salvo se interino, como propõe Erdogan.



A causa da queda de Saad Harriri é conhecida. É que está para sair a decisão do Tribunal especial para o Líbano, sediado em Haia e constituído pelas Nações Unidas, com os nomes dos responsáveis pelo assassinato de Rafiq Hariri.



Esse Tribunal especial foi constituído em 01 de março de 2009.



Pelas apurações, descartou-se ter o crime sido encomendado pela Síria, como se supunha e acabou por gerar a supracitada aliança “14 de março”, que levou Saad Hariri ao cargo de primeiro ministro. Já se descartou, também, a participação do Mossad (serviço secreto de Israel).



A decisão ainda não é conhecida, mas se fala que membros da alta cúpula do Hezbollah serão nominados e responsabilizados.



Sobre isso, o líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, protesta. Para Nasrallah o “partido de Deus” (Hezbollah) não tem qualquer envolvimento com o assassinato de Rafiq Harriri.



Nas próximas horas, o juiz Antonio Cassese, um italiano que preside o Tribunal especial, anunciará a decisão.



--2. PANO RÁPIDO. Para evitar conflitos sangrentos, o premier turco Erdogan estaria inclinado a sugerir a nomeação de um ministro interino, que receberia a comunicação do Tribunal especial. Depois, se pensaria numa solução definitiva.



A solução de um primeiro ministro “ad interin” evitaria uma tomada de posição imediata acerca da sentença do Tribunal especial. E, com isso, haveria tempo para acomodações e composições.



Não se deve esquecer que um conflito no Líbano pode ter, no Oriente Médio, um indesejável efeito dominó.

-- Walter Fanganiello Maierovitch


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