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Caso Battisti. Massimo D Alema, líder da esquerda italiana e primeiro comunista a ser chefe de governo, critica decisão de Lula

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 10 de janeiro de 2011.

Massimo D´Alema

--1. Líder da esquerda italiana, Massimo D´Alema falou ontem sobre a decisão de Lula de não extraditar Battisti.



Um parêntese: D´Alema foi primeiro ministro de outubro de 98 a dezembro de 99. Antigo secretário nacional do Partido Comunista (PCI) recebeu do premier Romano Prodi o encargo de ministro de relações exteriores ( Romano Prodi e não Berlusconi assinou o pedido de extradição de Battisti, após aprovação do chefe de Estado, Giorgio Napolitano). Em resumo, D´Alema, ex-dirigente maior do Partido Comunista Italiano, foi, na história da Itália, o primeiro a alcançar o cargo de premier, ou seja, chefe de governo e presidente do Conselho de Ministros.



“Lula cometeu um grave erro. Sinto muito, pois Lula é um grande líder e foi um grande presidente”, afirmou D´Alema.



A entrevista de D´Alema está publicada no jornal italiano Il Riformista, fundado em 2002.



D´Alema ainda está otimista quanto à extradição: - “ Espero que se posse encontrar um remédio jurídico para se obter a extradição”.



--2. Como se percebe, a esquerda italiana, que hoje integra o Partido Democrático (PD), conhece bem o que aconteceu na Itália nos anos em que, grupos radicais filo-soviéticos tentaram, pelas armas e não pelo voto, destruir o estado democrático de Direito italiano: o Partido Comunista Italiano era o segundo maior e funcionava como fiel da balança no Parlamento.



À época, os comunistas Enrico Berlinguer e Giorgio Napolitano estavam a costurar, com Aldo Moro ( seqüestrado e executado pelas Brigadas Vermelhas), uma aliança para trazer para uma coalizão o grupo de centro que integrava o partido da Democracia Cristã.



A agência norte americana CIA, diante desse quadro, começou a tentar destruir o Partido Comunista Italiano: o compromisso histórico decorreu disso (vide post de ontem neste espaço Sem Fronteiras). E os grupos radicais de esquerda (de linha pró-moscou e contra o eurocomunismo de Berlinguer, Napolitano e outros) ajudaram, involuntariamente, a fazer o jogo da CIA, com o seqüestro e execução, por um dito “tribunal revolucionário”, de Aldo Moro, professor de processo penal, ex-primeiro ministro e membro do partido da Democracia Cristã (DC).



--3. No Brasil, só um grupo de mal informados e que conseguiu influenciar Lula, faz questão de desconhecer a história italiana.



Para o presidente da República, Giorgio Napolitano, que é de esquerda e fundou o Partido Comunista, a verdadeira história italiana não chegou ao conhecimento dos países vizinhos amigos (referência ao Brasil) e não eles não sabem que o terrorismo tinha por meta destruir o regime republicano.



--4. Até a comunidade de foragidos italianos de esquerda na França detesta Battisti, dado como “traidor” por renegar o passado.



Battisti foi o único que renegou os seus atos, afirmou o líder da comunidade.



A propósito, essa comunidade apóia a concessão de “refúgio” (ou algo similar) para todos. Com exceção a Battisti, visto como “traidor”, nenhum dos componentes da comunidade renega o passado.



--4. O líder D´Alema espera um remédio jurídico. Ele aguarda que o STF decida ter Lula violado o Tratado de Cooperação Judiciária. Convenhamos, é demais entender que a Itália não teria condições de dar segurança e evitar perseguições a Battisti.



Como destacou Arrigo Cavalina, que cumpriu 12 anos em regime fechado e era o ideólogo do Proletários Armados para o Comunismo (PAC) e cometeu assassinato junto com Battisti, ninguém, dos chamados anos de chumbo ( anos 70 e início dos 80) sofreu perseguições ou atentados.



Os que não fugiram da Itália já estão em liberdade e plenamente reintegrados à sociedade, afirmou Cavallina.



-- Walter Fanganiello Maierovitch--


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