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Terror. Lula vai negar extradição de Cesare Battisti. Razões humanitárias fundamentam a decisão do presidente Lula.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 22 de dezembro de 2010.


Battisti: questões humanitárias sem que Lula percebesse o outro lado.




–1. RAZÕES HUMANITÁRIAS.



O jornal italiano Corriere della Sera, –em furo de reportagem dado pelo jornalista Rocco Cotroneo–, adianta qual será a decisão do presidente Lula no caso Cesare Battisti, que já se prepara para passar o Ano Novo em liberdade e com amigos que chegarão da França.



Essa decisão de Lula, — consoante o prestigiado jornal Corriere della Sera (segundo em circulação na Itália)–, já teria sido comunicada ao primeiro ministro Silvio Berlusconi.



Informado, o premier italiano, — que enfrenta protestos de universitários e tenta recompor uma banca majoritária a evitar a antecipação das eleições parlamentares–, teria solicitado a Lula não fosse a decisão presidencial baseada em fundamentos já afastados pela Justiça italiana e pela Corte de Direitos Humanos da União Européia, como perseguição política, nulidade processual, ausência de defesa, provas frágeis, etc. Ou seja, todos os absurdos argumentos adotados pelo então ministro Tarso Genro e que foram considerados ilegais pelo Supremo Tribunal Federal.



Razões humanitárias, segundo o jornal Corriere della Sera, serviria de fundamento à decisão de Lula, que adotará o parecer já entregue pela Advocacia Geral da União (AGU). Aliás, o mesmo órgão que entendeu ser constitucional a lei de anistia que conferiu “direito de matar e de torturar” aos agentes sustentadores da ditadura militar brasileira.



Vale lembrar que razões humanitárias levaram o presidente francês Nicolas Sarkozy suspender, com relação à italiana Marina Petrella, a extradição determinada pela Justiça francesa: extradição decorrente de condenações por atos terroristas perpetrados contra a democracia e o estado de Direito italiano.



Petrella estava hospitalizada, dada como terminal em face de avançado câncer. Em outras palavras, Sarkozy acertou na decisão, pois, efetivamente, a suspensão da extradição guardava razão humanitária.



Como se sabe, e este site do IBGF , Battisti é portador de hepatite do tipo “c”, que estaria controlada. Ao contrário de Petrella, não corre Battisti risco de perder a vida e nem está internado em estado terminal.



Battisti, 56 anos de idade, é um pluriassassino. Foi definitivamente condenado por co-autoria nos assassinatos de um açougueiro, de um joalheiro de periferia, de um carcereiro e de um motorista policial.



Fora isso e como em entrevista à revista Carta Capital ressaltou o magistrado Giancarlo Caselli (chamado de toga vermelha por Berlusconi) , Battisti compunha um grupo de ataque a civis saídos das fábricas. Esses trabalhadores eram alvejados nas pernas e o aleijão servia para propaganda, como a vítima de lesões graves foss “oudoor” de divulgação de ações eversivas voltadas a difundir a “paura” (medo).



Quando das violentas ações de Battisti e da sua organização, a Itália vivia sob um regime democrático e em pleno estado de Direito.



Um socialista (Sandro Pertini), ex-presidiário do fascista Mussolini, era o presidente da República. O partido comunista (eucomunismo independente da linha soviética), como o segundo maior, era o fiel da balança no Parlamento.



O terrorismo das Brigadas Vermelhos e grupo eversivos, como o pequeno a que pertencia Battisti, impossibilitaram a chegada ao poder dos comunistas italianos.



Por tudo isso, o atual Partido Democrático (PD), formado por ex-comunistas dos anos 70, é favorável a extradição de Battisti, dado como traidor e covarde.



Covarde porque todos os que não fugiram admitiram, no devido processo, os seus atos e o papel nas organizações eversivas. Todos já estão em liberdade, com exceção a uma sentenciada, recentemente extraditada para a Itália.



Battisti nega as suas ações, ou seja, não assumiu os seus atos e o seu passado. E ainda a sua defesa, falsamente, fala em prisão perpétua, que não existe mais na Itália: os países membros da União Européia não podem manter privação de liberdade superior a 30 anos.



Battisti, um comunista subalterno à orientação soviética e contrário à linha independente do eurocomunismo europeu, prejudicou os ideais de comunistas históricos, como Enrico Berlinguer e o atual presidente da Itália, Giorgio Napolitano (Napolitano insistiu com Lula na extradição, ao contrário de Berlusconi, cuja editora publica os livros de Battisti).



–-2. DESUMANIDADES



O presidente Lula, cujo governo deixou a desejar no campo dos direitos Humanos, não permitirá a extradição de Battisti, por questões humanitárias.



Pergunta-se: Lula não vai considerar a desumanidade de Battisti para com as vítimas e os seus familiares ?



Luc Rosenzwig foi durante anos diretor de redação do jornal francês Le Monde.



Ele deixou o Le Monde e o prestígio do cargo para virar escritor sucesso. Sobre Battisti ela observou que “ ninguém dedica uma palavra ou pensamento às pessoas assassinadas por Battisti e às suas famílias”.

--Wálter Fanganiello Maierovitch


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