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Roma vira Rio de Janeiro e Berlusconi o Maluf da Itália.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 14 de dezembro de 2010.



Roma, 14 de dezembro de 2010.





Em Roma e ontem, a polícia havia cercado os quarteirões de acesso aos palácios Montecitorio (sede da Câmara), Ghigi ( sede do Conselho de Ministros), Madama ( sede do Senado) e Grazioli (residência oficial do primeiro ministro). Havia temor que grupos de manifestantes, pró e contra o premier Berlusconi, entrassem em conflito.



A preocupação com a segurança pública aumentava porque no mesmo dia que o Parlamento votaria a moção de desconfiança ao governo Berlusconi, estava marcado um protesto de rua de universitários.



Os universitários italianos são contrários ao projeto de lei de reforma universitária do governo Berlusconi e elaborado pela ministra da educação Mariastella Gelimini.



Os cordões de proteção não inibiram os conflitos.



Quando divulgado o resultado da votação da moção de desconfiança, com Berlusconi vencedor por apenas três votos, estudantes e populares partiram para o quebra-quebra, com atos de guerrilha urbana.



Foram incendiados dois veículos na central e importante via Balbuíno, quebradas vitrenes, arrebentados terminais bancários, etc.



Durante algumas horas Roma virou o Rio de Janeiro, quando o Comando Vermelho rebelou-se contra a expansão das Unidades de Polícia Pacificadoras (UPPs).



Na praça do Povo (piazza del Popolo), coração de Roma, os manifestantes fizeram uma barricada e resistiram à repressão policial, num embate que produziu vários de feridos.



Na histórica via del Corso, que corta o chamado quadrilátero da moda, as lojas fecharam. Uma multidão de italianos e turistas que realizavam compras de Natal esconderam-se no interior das lojas, que baixaram as portas.



No momento, o comércio, que funciona até às 22 horas, já voltou a funcionar normalmente.



Com efeito, algumas comparações são inevitáveis.



Em Roma, não foi o crime organizado a promover ataques espetaculares. Foram cidadãos inconformados com a ineficiência, a incompetência e os escândalos do governo Berlusconi. Um governo onde as taxas de desemprego aumentam de forma assustadora e a Itália despenca no ranking das maiores economias. Mais ainda, trata-se de um governo que rebaixou o poder aquisitivo, empobreceu os italianos e que usa a maioria do Legislativo para aprovar leis para evitar a condenação na Justiça do primeiro-ministro Berlusconi.



Como aconteceu com Paulo Maluf, –que acabou de se livrar de um processo que tramitou a ritmo de tartaruga e versou sobre faturamento de compra de frangos quando era prefeito da cidade de São Paulo–, o premier Berlusconi conseguiu, por apenas três votos e duas abstenções, uma vitória de Pirro. Ou seja, ambos continuam na vida pública, mas, e já que se falou em frangos, sujos como pau de galinheiro.



Roma, piazza del Popolo, conflito em 14 de dezembro de 2010.



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–2. Logo depois das votações e com Berlusconi com falso ar de vitorioso, falei, por telefone, com o jornalista Mino Carta, ítalo-brasileiro, que já trabalhou nos principais jornais italianos e foi o responsável, no Brasil, pelos projetos e implantações do Jornal da Tarde, revistas Veja, Quatro Rodas, Isto-é, Senhor e Carta Capital.



Num resumo, a leitura que Mino faz da votação que afastou a menção de desconfiança a Berlusconi é a seguinte:



- “Silvio Berlusconi, primeiro-ministro da Itália, viu nesta quarta-feira 14, o Senado votar contra o voto de desconfiança ao seu mandato e tem a permanência no cargo confirmada, ao menos por enquanto. Foram 162 votos a rejeitar o voto de desconfiança e 135 a favor. A votação na Câmara – que era tida como totalmente incerta na véspera – foi ainda mais apertada, 314 a 311, dos 630 deputados.



A moção de desconfiança foi apresentada pelo grupo Futuro e Liberdade para a Itália (FLI). Ele é liderado pelo presidente da Câmara, Gianfranco Fini, que se aliou à União Democrática de Centro (UDC) e à Aliança para Itália.



Caso perdesse em qualquer uma das casas, Berlusconi teria de renunciar e convocar novas eleições. Na metade de seu mandato de cinco anos, o primeiro-ministro enfrenta várias denúncias de corrupção e escândalos sexuais.



A vitória não garante sossego a Berlusconi. A Liga do Norte havia afirmado na véspera: “ou temos uma vitória expressiva, uma maioria sólida, ou novas eleições”. Ela insiste na tese de novas eleições há tempos, ideia a qual Berlusconi resiste. Seus seguidores, entretanto, já disseram que “tudo bem, nas pior das hipóteses, novas eleições”.



Resta saber o que vai dizer o presidente da República, Giorgio Napolitano, a quem compete tomar a decisão a respeito.



Neste exato instante, ao contrário do que afirmou o New York Times, parece impossível que o presidente apoie a ideia das eleições, em um momento ainda de crise econômica. Além do que, o novo pleito implicaria em gastos que não seria conveniente enfrentar.



É, portanto, provável que Napolitano cultive a tese de um “governo técnico de responsabilidade nacional”. De todo modo, a situação deve se esclarecer nas próximas horas.”.



– Walter Fanganiello Maierovitch–




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