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Irã. Pena de morte. Sakineh com a corda no pescoço e novo ministro de relações exteriores.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 13 de dezembro de 2010.





–1. A tomada de posição no Ocidente a favor de Sakineh Mohammadi Ashtiani gerou uma queda de braço com o governo do presidente iranano Mahmud Ahmadinejad.



A propósito, Sakineh está condenada à morte por lapidação em face de acusação de adultério. Mais, responde a reaberto processo criminal por participação no assassinato do esposo morto por sete descargas elétricas no coração.



Tal quadro internacional levou o governo de Ahmadinejad, –internamente e a fim de evitar protestos populares como o havido pós-eleição com a chamada Onda Verde oposicionista–, a aumentar a repressão e a censura.



Como de hábito nas quedas de braço, o serviço de inteligência iraniana voltou a colocar em prática a tática da desinformação.



Fez parte da desinformação, por exemplo, a falsa notícia plantada na quinta-feira da semana passada. Ou seja, a mídia ocidental deu como quase certa a liberação de Sakineh, com divulgação de fotos e imagens dela em casa.



A informação, como frisado acima, era falsa. Sakineh continuava presa. E também estão presos, em razão de desdobramentos decorrentes do caso Sakineh, o seu filho Saijad Ghaderzadeh e o seu advogado Houtan Kjan.



O filho está preso porque pediu ajuda ao Ocidente para evitar a imposição da pena de morte à mãe e o advogado por ter divulgado internacionalmente o caso e criticado a decisão de reabertura do processo de homicídio que estava arquivado por falta de prova de participação de Sakineh.



–2. No dia seguinte à falsa notícia da libertação, o canal televisivo estatal (Press-tv) apresentou um programa especial com o objetivo de mostrar que o caso Sakineh era criminal e não se tratava de violação a direitos humanos.



Para atingir tal meta, a imagem de Sakineh foi destruída, ou melhor, ela apareceu na reconstituição e confessou participação ativa no crime. Com seringa a injetar sonífero no então marido e a pretexto de medicá-lo contra uma gripe.



Sakineh, em língua persa, confessou que, depois do marido adormecido, abriu a porta para o amante e este eletrocutou a vítima.



Enquanto o governo bate na tecla de se tratar de caso criminal de assassinato com requintes de crueldade, a matéria subliminar tendeu mostrar aos iranianos uma indevida intromissão em questão soberana e referente à Justiça.



–3. Com a oposição (Onda Verde) quase morta, Ahmadinejad continua a medir forças com o Ocidente e a provocar. Hoje, por exemplo, foi anunciado o nome do novo ministro de relações exteriores, conforme informa a agência iraniana Irna.



Ahmadinejad demitiu o ministro quando este estava no Senegal, em viagem diplomática.



Manuchehr Mottaki, do grupo do “guia supremo” Ali Khamenei, nem sabe a razão de haver sido defenestrado.



O novo ministro, sempre segundo a agência Irna, será Ali Akbar Salehi, atual chefe da estatal iraniana responsável pela Energia Atômica.



–4. PANO RÁPIDO. Enquanto a Justiça faz o reexame da condenação de Sakineh com relação à cumplicidade no homicídio do ex-marido, o governo Ahmadinejad continua a queda de braço.



Ele já sabe que não será, para a sua imagem, ideal a lapidação. O Ocidente, certamente, irá lhe colar a imagem de bárbaro. Não se deve esquecer que Sakineh, na frente dos filho mais velhos, já recebeu a pena de chibatadas, que antecede a de lapidação.



A manutenção da condenação por homicídio, — e já foi vista a confissão e a reconstituição do crime de homicídio–, implicará no enforcamento. E o delito mais grave, — homicídio–, terá a pena aplicada em primeiro lugar. Assim, a efetivação do enforcamento prejudicará a lapidação.



Em conclusão, Sakineh já está com a corda no pescoço. Só falta subir no cadafalso.

– Wálter Fanganiello Maierovitch–


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