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WikiLeaks e a narcoguerra. Como o presidente mexicano, mister Jobim nega.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 7 de dezembro de 2010.






Infelizmente, poucos sabem que a questão das drogas proibidas pelas Convenções das Nações Unidas é usada como cortina para esconder interesses geopolíticos, geoestratégicos e geoeconômicos.



São inúmeros os exemplos. Quando o presidente Ronald Reagan falou que as drogas ilícitas representavam uma “praga” que deveria ser combatida também fora dos EUA, a sua meta era fincar o pé e controlar a América Latina. Para ele, uma América Latina sob risco de se tornar comunista.



Da War on Drugs globalizada por Reagan até os dias atuais pouca coisa mudou em termos de jogo de interesses. E nos documentos secretos vazados via WikiLeaks encontrei um referente à narcoguerra. E a indicar, como sempre, farsas e engodos. Ou seja, os documentos secretos revelam um quadro que os governantes escondem dos cidadãos. Para o governo, em São Paulo, o Primeiro Comando da Capital (PCC) não existia mais. Dias depois do anúncio do fim do PCC vieram, em maio de 2006, os ataques que deixaram o governo de joelhos diante da criminalidade organizada.



Em outubro 2009, o diplomata norte-americano Carlos Pascoal, responsável pela embaixada dos EUA na Cidade do México, mandou para a Casa Branca um cabograma em que é citado Jeronimo Gutierrez Fernandez, do ministério mexicano do Interior: a pasta do Interior detém atribuição constitucional para os temas de segurança pública.



Pelo documento “top secret”, Gutierrez Fernandez falou que algumas regiões do México estavam na iminência de passarem a ser controladas pelos cartéis de traficantes de drogas.



Para o norte-americano Carlos Pascoal, o vice-ministro do Interior, Gutierrez Fernandez, externava “uma real preocupação”. Tudo isso foi dito, destaca Carlos Pascoal, em reuniões informais.



Parêntese. Pelo que se percebe dos textos revelados pelo WikiLeaks, o referido Gutierrez Fernandez era o Nelson Jobim mexicano.



Como se sabe pelo WikiLeaks, Jobim se prestou, como ministro da Defesa, a passar informações secretas aos norte-americanos. Pior, informações que o presidente Lula passou, na confiança, a Nelson Jobim, ou, como se diria diante do WikiLeaks, a Mister Jobim. A propósito, Jobim nega tudo.



Do escrito por Carlos Pascoal constou, ainda, que o risco de controle regional (atenção: muito mais do que o territorial do Complexo do Alemão) já era percebido pelos mexicanos. E com essa situação, seria difícil eleitoralmente para a atual administração.



O documento foi classificado nos EUA como diplomaticamente secreto.



Para os mexicanos, ao tempo do cabograma de Carlos Pascoal, o presidente Felipe Calderón, eleito e empossado em dezembro de 2006 sob odor de fraude eleitoral, declarava não haver o risco de os cartéis controlarem áreas.



A “guerra às drogas” de Calderón teve total e expresso apoio (confira-se Plan Mérida) do então presidente George W. Bush. O perdedor nas eleições da época foi Lopez Obrador, um esquerdista.



Com a guerra às drogas e aos cartéis, Calderón abafou o tema da fraude eleitoral. E como continua a perder para os cartéis, o documento secreto apresentado pelo WikiLeaks, é muito revelador.



Como sabem até os “sombreros”, muitos cartéis têm controle de vastas áreas regionais.

Wálter Fanganiello Maierovitch


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