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Direitos Humanos. Dilma Rouseff critica violação de direitos humanos no Irã no momento da 150 execução capital de 2010.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 6 de dezembro de 2010.


Dilma: mudança na política ambígua de Direitos humanos.



1. No Irã, 14 mulheres estão no “corredor da morte” no aguardo do enforcamento ou de pedradas.



O caso mais conhecido é de Sakineh Mohammadi Ashtiani.



Por adultério, ela está condenada à morte por lapidação. Os aiatolás, dada a indignação internacional, suspenderam temporariamente a execução.



Talvez, eles determinem a inversão na ordem de cumprimento de penas. Melhor explicando: como Sakineh está também condenada em estranho processo por cumplicidade no assassinato do esposo, a pena de enforcamento imposta nesse processo por homicídio poderá ser executada antes. Assim, ficará prejudicada a execução da pena de apedrejamento. Até pela impossibilidade de se matar de novo quem já morreu.



Ontem, em entrevista ao jornal Washington Post, a presidente eleita do Brasil, Dilma Rousseff, criticou a posição do Brasil quando, no final do mês de novembro passado, se absteve de votar a resolução que, no seu corpo escrito, expressava “preocupação profunda com as recorrentes violações de direitos humanos no Irã e de repúdio pelos casos de aplicação de pena de morte em menores de 18 anos e execuções bárbaras como o apedrejamento”.



Como se percebe, a resolução prevê o caso Sakineh. E essa resolução das Nações Unidas foi aprovada por 80 votos contra 44. Incluído o Brasil, 57 países se abstiveram de votar. Uma abstenção vergonhosa, frise-se.



Na mencionada entrevista dada ao jornal Washington Post, a presidente eleita Dilma Rousseff criticou a abstenção do Brasil e, por conseguinte, as violações a direitos humanos no Irã.



Sobre a condenação por apedrejamento de Sakineh, a nossa futura presidente já havia manifestado indignação: “Não concordo com as práticas medievais que são aplicadas quando se trata de mulheres. Não há nuances e eu não farei nenhuma concessão em relação a isso”.



Irã: recorde em 2010: 150 exceuções.



–2. A crítica de Dilma vem num momento particular. O Irã, neste ano de 2010, superou as marca de anos anteriores. Em síntese, bateu o próprio recorde com relação aos chamados “homicídios legais”.



Ontem, quatro homens foram enforcados em face de condenação por tráfico de drogas, que, ressalte-se, engloba o de bebidas alcoólicas: latas de cerveja, por exemplo.



Com as quatro execuções de ontem, chega a 150 o total de sentenciados mortos.



Em execuções capitais, o Irã só perde para a China e o terceiro posto está com a Arábia Saudita.



–3. As 14 mulheres que estão no corredor da morte iraniano sabem que, de surpresa e muitas vezes com pedido de clemência pendente de exame, ocorrem execuções capitais.



A pintora Delara Darabi, de 23 anos, foi de surpresa tirada da cela e enforcada. Não sabia que o pedido de clemência tinha sido negado poucas horas antes do enforcamento.



Os dois carrascos que a conduziram ao patíbulo deixaram que, por aparelho celular, ligasse à sua genitora. Darabi conseguiu soltar a seguinte frase: “Mãe, eles vão me matar”. A pintora Delara Darabi, de 23 anos de idade, negou em juízo ter sido autora do crime de homicídio (confira retrospectiva abaixo). A sua negativa foi confirmada por oficial prova pericial (confira retrospectiva abaixo): tecnicamente, não poderia ter atingido a vítima.



–4. PANO RÁPIDO. No campo de direitos humanos, Dilma Rousseff dá, depois de eleita, uma declaração importante. No particular, o seu governo será diferente.



Só para lembrar, o governo Lula, que tem uma secretaria nacional reservada a Direitos Humanos, foi marcada pela ambigüidade. Por exemplo, na vergonhosa abstenção no caso da resolução supracitada, e na permissão para a Advocacia Geral da União defender, junto ao Supremo Tribunal Federal, a lei de anistia.

– Wálter Fanganiello Maierovitch–


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