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Violência no Rio. Recado já foi dado. Crime organizado. Tendência é submergir para voltar a surpreender com atques.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 25 de novembro de 2010.








Como se sabe, o crime organizado especial, -- quer pelas associações mafiosas, quer pelas organizações terroristas--, busca difundir o medo na população. E realiza isso por meio de ações espetaculares.



No Rio de Janeiro, as associações delinquencias de matriz mafiosa formaram, pela união de facções e milícias, uma “confederação criminal” e para agir em represália à expansão da Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) resolveram exibir os músculos. Essa confederação criminal é formada pelo Comando Vermelho (CV), Amigos dos Amigos (ADA) e Milícias ( organização paramilitar).



Internacionalmente, a mais conhecida formação em “confederação criminal” (quando facções rivais se unem e promovem, nos centros de grande concentração urbana, ações contra as forças de ordem e a população), é a Camorra campana (região meridional da Campânia).



A Camorra é formada por uma miríade de facções que levam o nome dos locais onde controlam territórios e a comunidade (Casal di Príncipe = Camorra casalese). Esse tipo de organização não têm órgão de cúpula, ou seja, de governo : são horizontalizadas, independentes. Mas, os “capi” (líderes das facções independentes) se unem em confederação quando querem atacar o Estado e aterrorizar os cidadãos. Em Nápoles, a Camorra controla os populosos bairros de Scampia e Secongiliano.



Nessas ações difusoras de temor, o crime organizado procura sempre exibir um “cadáver excelente” ( “cadaveri eccelenti”): a expressão foi usada pelo saudoso escritor siciliano Leonardo Sciascia. No Rio de Janeiro já existe um “cadáver excelente”, ou seja, o crime organizado matou um jovem inocente, de 14 anos de idade.



A tática empregada é a de guerrilha urbana, que se caracteriza por ataques surpreendentes, num espaço amplo, a abranger regiões norte, sul, leste e oeste.



A confederação criminal fluminenses emprega método terrorista, mas não se confunde com as organizações terroristas, cuja ideologia não é o lucro. E a violência eversiva, como sucede com a Al Qaeda, tem escopo político e de desestabilização transnacional.



No Rio de Janeiro, por ordem de líderes não devidamente isolados em presídios de segurança máxima, as ações em curso, como destacado acima, são em represália à política de implantação de Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs). As retomadas de territórios e do controle social pelo Estado abalaram e desfalcaram financeiramente as facções criminosas, quer do Comando Vermelho (CV), quer dos Amigos dos Amigos (ADA).



Como se sabe, ocorreram deslocamentos de várias facções para o Complexo do Alemão e para Vila Cruzeiro. Economicamente, os membros das facções instaladas no Complexo do Alemão e em Vila Cruzeiro passaram a ter a concorrência dos migrantes.



Nenhuma organização pré-mafiosa ou mafiosa, como Comando Vermelho, Primeiro Comando de São Paulo, Amigos dos Amigos, Camorra, ´Ndrangheta, Cosa Nostra, Sacra Corona Unita, Tríades Chinesas, Lobos Cinzas turcos, etc, consegue, dada a reação dos Estados, manter permanentes ataques.



Como regra, as organizações criminosas pré-mafiosas, logo depois de uma série de coordenados ataques espetaculares costuma submergir, mergulhar.



A prática comum é mergulhar e fingir-se de vencido. Isto até que o Estado saia da “prontidão” e os cidadãos voltem à rotina. Depois desse relaxamento das forças de ordem, o crime organizado sempre volta a atacar. Salvo se as metas forem atingidas: em São Paulo, referentemente aos mais de 200 ataques do PCC ocorridos a partir de maio de 2006, houve um acordo espúrio com os órgão governamentais de segurança pública.



PANO RÁPIDO. Espera-se que o governo do Rio não negocie com a criminalidade e agilize a implantação das UPPs.

-- Walter Fanganiello Maierovitch--


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