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Preso chefão da Camorra de Casal di Principe. As televisões exageram a meu respeito, reclamou o capo Antonio Iovine

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 18 de novembro de 2010.



Antonio (Nino) Iovive, chefe da Camorra de Casal di Principe (Casalesi)


--1. Antonio Iovine, chefe camorrista, conseguiu driblar a Justiça e a polícia durante 15 anos, sem deixar a cidade de Casal de Príncipe, que é a capital mundial da contrafação (pirataria).



Ontem, ele foi preso em Casal de Prinípe, região da Campânia e que tem Napoli como capital. Ele almoçava na casa de um pedreiro, como fazia todos os dias. A esposa do pedreiro cuidava de lavar as roupas do boss, que cada noite dormia num lugar diferente.



Com a prisão de Iovive, confirma-se a tese de que um chefão da Máfia, da Camorra ou da ´Ndrangheta não deixam o território controlado pela organização criminosa. Não mais se foge para o Brasil, como fizeram Tommaso Busceta, Gaetano Badalamenti, Antonino Salamone e outros.



Bernardo Provenzano, chefe dos chefes da Cosa Nostra, passou 43 anos foragido e sem tirar os pés da Sicília e deixar as funções mafiosas. Acabou preso na Sicília, próximo à cidade de Corleone.



Em Casal di Príncipe foi preso Sandokan Chiavone, o capo dei capi dos camorristas casalesi ( camorrista de Casal di Príncipe).



Iovine, apelidado “Nino”, foi preso, como Provenzano e Sandokan Schiavone, ou seja, onde pensa ser seu domínio exclusivo.



Diferentemente da Máfia (Cosa Nostra) que é uma organização verticalizada e, portanto, com cúpula de governo, a Camorra tem um modelo horizontalizado, como se fosse uma federação criminal. As “famiglie” são autônomas e independentes, mas, em caso de risco, se unem para enfrentar o Estado italiano.



Nino Iovine estava no topo da lista dos mais procurados e era considerado de “alta periculosidade”. Quando preso, no entanto, estava desarmado, sem corpo de segurança e não resistiu.



O camorrista, aos policiais, admitiu, de pronto, que era o Iovine procurado. Só que, segundo reclamou, não era o facínora mostrada nos noticiários das televisões.



Para se ter idéia, ele está condenado definitivamente por associação camorrista e homicídio à pena de prisão perpétua, que, apesar do nome e em face da Constituição da União Européia, não pode exceder 30 anos de prisão. Em primeiro grau e com recursos pendentes, está condenado em mais de 30 processos.



--2. Compreendidas a Camorra, Máfia, ´Ndrangheta e Sacra Corona Unita, ainda estão foragidos 410 chefões. Dos grandes e nos últimos cinco anos foram presos 6.754.



Só em 2010, na linha de empobrecer as organizações criminosas especiais, foram apreendidos 17.854 milhões de euros e 35.061 bens de grande valor, entre imóveis e móveis.



Nos últimos dez anos, as máfias foram desfalcadas em 3,0 bilhões de euros.



--3. O big-boss Iovine era o chefe dos “Casalesi” ( camorra da cidade de Casal di Príncipe). Sobre Casal di Príncipe e os “casalesi” narrei, no livro a Criminalidade dos Potentes, fatos surpreendentes.



Na região da Sicília, a cidade Corleone ficou conhecida como a que mais gerou chefões mafiosos. De Corleone saíram os capi mais sanguinários da história da criminalidade organizada planetária.



Só que na pequena Corleone os chefões e os mafiosos não compravam automóveis da marca Mercedes Bens para uso. A propósito, nunca foram vistos em carrões.



Quando preso, Totó Riina, foragido há mais de 19 anos sem sair da Sicília, estava num Citroen, padrão médio, e com motorista particular a aparentar ser ele o proprietário do veículo .



Os “corleonesi”, como ficaram conhecidos os mafiosos daquela pequena cidade (“paese”), preferiam investir em relógios Rolex e jóias de desenhistas famosos. Frise-se, não usavam esses relógios e jóias. Apenas mantinham-nos guardados em esconderijos.



Ao contrário dos mafiosos corleoneses, os camorristas “casalesi” , da cidadezinha de Casal di Principe, preferem os automóveis Mercedes Benz, sempre último tipo.



Casal di Principe é a cidade que tem, proporcionalmente, a maior quantidade de automóveis Mercedes Benz em circulação no mundo.



Além da cidade com o maior número de Mercedes Benz do mundo, a pequena Casal di Principe tem mais firmas de construção civil do que habitantes (cidadãos).



O velho “capo camorrista” de Casal di Principe é Don Nicola Schiavone . Ele já passou o comando da “famiglia casalesi” para o filho Francesco Schiavone, que está preso.



Em Casal di Principe, o último “cadáver excelente” (jargão mafioso para assassinatos de pessoas com notoriedade) foi o pobre padre Peppino Diana: criticava a Camorra nos sermões. O penúltimo foi o vice-prefeito, que anulou uma concorrência pública por suspeita de “extorsão” e “fraude”: levou seis tiros na cabeça, enquanto falava ao telefone, com a janela aberta.



O jornalista Roberto Saviano Roberto Saviano, desde outubro de 2006, está sob escolta. Ele escreveu o livro intitulado GAMORRA (com proposital G, para lembrar Sodoma e Gamorra).



O livro, que virou filme, conta a história da Camorra, em especial na cidade de Casal di Príncipe, onde estão grandes chefões camorristas que controlam o mercado do cimento e do concreto-armado.



Na Itália, o livro de Roberto Saviano é um recordista de vendas. Foi Saviano que levantou o número de Mercedes Benz que circulam com placa de Casal di Principe.

--Wálter Fanganiello Maierovitch--


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