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Ditadura Birmânia. O dia seguinte à libertação de Aung San Suu Kyi, prêmio Nobel da Paz em 91.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 14 de novembro de 2010.






--1. O jornais europeus deste domingo destacaram a libertação da pacifista Aung Suu Kyi, ganhadora do Nobel em 1991.



Naquela ocasião, o prêmio foi retirado em Oslo pelos seus filhos Alexander e Kim: a vencedora estava presa e incomunicável por delito de opinião, pois defendia um sistema democrático para o seu país, sob o jugo de uma ditadura militar e corrupta.



O destaque na imprensa escrita européia está centrado (1) no silêncio da China, -- que mantém preso o vencedor do Nobel da Paz de 2010 (Liu Xiabo)— e (2) no futuro de Aug Suu Kyi: ela está impedida de deixar o país e caso saia não poderá mais entrar, que é tudo que os militares desejam.



Como se sabe, o governo de Pequim apóia a Junta Militar golpista da Biermânia , país dos diamantes, que forma o chamado Triângulo do Ouro com a Tailândia e o Laos. Faz fronteira com a China. Um dos interesses da China consiste na Junta Militar, comandada pelo general Than Shwe, sufocar os movimentos separatistas das etnias estabelecidas na fronteira com a Tailândia. A China sufoca os três movimentos separatistas e isto desde que invadiu e incorporou a região tibetana.



Até a mudança do nome do país para Myanmar foi acertada com o governo Chinês. A meta é esconder o fato de grupo étnico birmano representar 55,9% de uma população com mais de 48,0 milhões de habitantes: as demais etnias que se sobressaem são os karen dos generais golpistas (9,5%), Shan (6,5%), Chin (2,5%), Mon (2,3%), Mon (2,3%), Kachin (1,5%).



Os generais procuram omitir das novas gerações que a pacifista de Aung San Suu Kyi é filha do herói nacional Aung San, que tornou a Birmânia independente: era colônia britânica.



Sobre o futuro de Aung San Suu Kyi, os jornais europeus dizem ser incerto. No domingo passado (7/11/20ª0), a Junta ditatorial simulou uma eleição e falou em “retorno à democracia”. Como destacado neste espaço Sem Fronteiras, em diversos comentários, a pacifista Aung San Suu Kyi foi impedida de concorrer ao parlamento.



Num decreto para pessoa certa (“ad persoman”), a Junta proibia de disputar eleição viúvas de estrangeiros, caso de Aung San Suu Kyi, que foi casado com um britânico. Os militares dissolveram, também, a Liga Nacional para a Democracia, partido liderado pela pacifista Aung Suu Kyi.



No simulacro de eleição do domingo passado (7/11/2010), Aung San Suu Kyi pregou a abstenção. Mas, membros do seu ex-partido, lançaram candidato por nova sigla e participaram da farsa montada pelos generais.



A surpresa para os militares não foi a grande repercussão internacional da soltura de Aung San Suu Kyi, que, nos últimos 21 anos da sua vida, passou 15 em prisão.



O fato surpreendente decorreu da quantidade de pessoas que foram à casa de Aung San Suu Kyi para comemorar e, pelo país, o grande número de cidadãos que vibraram nas ruas.



A última grande concentração popular resultou na tragédia de setembro de 2007, quando monges pacifistas, em desfile silencioso para pedir a democracia, foram chacinados pelas tropas da Junta Militar.



Ontem, quando solta, Aung San Suu Kyi estava em regime de prisão domiciliar. Permaneceu em prisão domiciliar os últimos 7 anos, com algumas deslocações para prisão fechada a fim de depor.



--2. PANO RÁPIDO. A pacifista Aung San Suu Kyi, formada por Oxford nos anos 70, continuará, pela sua tenacidade e ideais democráticas, a representar a oposição aos tiranos e corruptos ditadores que se apropriaram da Birmânia e se sustentam com o apoio da China. E para a China os narcoditadores da Birmânia permitem a venda de heroína e drogas sintéticas.

--Wálter Fanganiello Maierovitch--

--Registro--.

Aung San Suu Kyi ganhou o prêmio Nobel da paz em 1991. Não pode recebê-lo porque estava presa.



A golpista Junta Militar birmana, - instalada em 1988 e tendo à frente o narco-general Than Shwe-, não permitiu a sua saída do país para receber o prêmio Nobel.



Os generais transformaram a Birmânia num narco-estado. Embolsam o obtido com as vendas de diamantes: a Birmânia tem reserva de diamantes e pedras preciosas.



Referidos generais davam sustentação ao recém falecido Khun Sun, conhecido mundialmente como o rei do ópio e das anfetaminas. A Birmânia é responsável pela distribuição de drogas sintéticas e ópio para toda a Ásia. Ficou conhecida como Narco-estado.



Em 1990 foram realizadas eleições gerais, por pressão internacional. A vitoriosa foi Aung Suu Kyi, filha de Aung San, o grande herói da independência e que acabou assassinado pelos generais.



Suu Kyi tornou-se a líder da Liga Nacional para a Democracia (NLD). Obteve o seu partido, nas eleições parlamentares de 1990, 392 das 485 cadeiras estabelecidas. Surpreendidos com a derrota,



os militares arrependeram-se de haver realizado as eleições. Então, Aung Suu Kyi, além de não assumir a cadeira de premier, acabou presa por suas idéias e liderança.



Antiga colônia britânica, a Birmânia tornou-se independente em 1948.



A primeira ditadura militar teve início em 1962, sob comando do general Ne Win. Ele foi derrubado pela atual Junta Militar, que assumiu o controle do país em 1988.

-WFM.


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