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Libertada, Aung desafia ditadura militar e anuncia discurso político para domingo.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 13 de novembro de 2010.


Aung, quando da saída da prisão domiciliar.

13 de novembro de 2010, às 14,20 hs.




–1. Aung San Suu Kyi, Nobel da Paz em 2001, —como noticiamos em 9 de novembro passado--, ficou presa 15 dos últimos 21 anos da sua vida. .



Apesar da emoção e das lágrimas quando da soltura, Aung dá mostras de que refletiu muito na véspera da sua libertação. .



Depois de carregada nos ombros por uma multidão de admiradores, Aung avisou que a sua secretaria anunciaria a futura agenda de atividades. .



Duas horas depois da libertação e com o país dominado pela euforia, chegou, via secretária de Aung, a primeira e esperada notícia. .



Com o risco de voltar a ser presa, Aung anunciou, para domingo, o seu primeiro grande pronunciamento. .



Não se sabe,ainda, se será um comício ou se ela falará apenas para a imprensa internacional, em entrevista coletiva. .



PANO RÁPIDO. Aung vai continuar a enfrentar a corrupta Junta Militar que, com mão de ferro, governa a Birmania, que prefere chamar de Myanmar. Vida longa à brava Aung San Suu Kyi, filha do general que lutou contra os britânicos e conquistou a independência. .



–Wálter Fanganiello Maierovitch– .



…………………







13 de novembro, às 13,20 hs.



Solta Nobel da Paz. “Unidos pelos nossos objetivos”, foi a primeira frase. .



Foi colocada em liberdade Aung San Suu Kyi. Suas primeiras palavras: “Unidos para os nossos objetivos”. .



Uma multidão acompanhou a retirada dos policiais que vigiavam a casa da Nobel da Paz, transformada em prisão domiciliar incomunicável. .



Aung já avisou não deixará o país. Ela sabe que, se deixar o país, a Junta Militar usará isso para impedir a sua volta. .



Barack Obama: - “Minha heroína. A prisão foi revogada”.



Festa na Birmânia, que os ditadores mudaram de nome. Militares na defensiva aguardam um motivo para declararem estado de sítio. .



–Wálter Fanganiello Maierovitch. .








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13 de novembro, às 1,30 hs.

Aung avisa que não trocará a liberdade pelo silêncio político.


–1.
Como noticiamos no dia 9 de novembro passado, Aung San Suu Kyi cumpre, neste sábado 13, a arbitrária pena que lhe foi imposta a mando da Junta Militar golpista que governa a Birmânia. .



Apelidada carinhosamente por “A Senhora”, Aung San Suu Kyi ganhou o Nobel da Paz em 1991. .



Nos últimos 21 anos da sua vida, passou 15 aprisionada. .



–2. A Junta Militar que se apropriou do país, por seus representantes, avisou que toda a documentação necessária à soltura foi preparada e encaminhada aos responsáveis vigilância da Nobel, que está em prisão albergue. .



Por estar em regime de prisão domiciliar, Aung não pode usar o telefone e nem se comunicar por internet, que está bloqueada. E a sua correspondência é censurada



–3. Para deixar tudo claro, Aung mandou avisar que não aceita uma liberdade condicional. Ou seja, ela não negociará a soltura com o compromisso de deixar a vida política.



–4. Segundo as agências internacionais, a Junta não imporá, de imediato, qualquer condição, mas estará pronta a voltar a prender Aung se retornar a fazer políica. Quando o partido que lidera venceu as eleições parlamentares e ela assumiria a chefia do governo, houve umasurpresa. Ou seja, Aung acabou encarcerada, pois, para os militares golpistas, representava um perigo ao país. .



–5. Só para recordar. Aos 64 anos, Aung San Suu Kyi é uma das vítimas da corrupta e golpista Junta Militar que, sob o comando do general Than Shwe (no poder desde abril de 1992), governa a Birmânia. No país, uma narcoditadura militar, existem mais de 2 mil presos políticos. E ontem, a guerrilha de fronteira, formada pelas etnias karen e shan, entrou em combate com as forças controladas pela Junta Militar. .



Os militares no poder estão envolvidos com tráfico de diamantes e drogas. Até o nome do país foi trocado: de Birmânia passou a Myanmar. E a capital mudou de Rangoon (cidade com mais de 4 milhões de habitantes) para Yangon, reduto isolado pelos militares. .



–6. Nas eleições parlamentares e regionais de domingo passado, Aung San Suu Kyi não pôde concorrer. Isso por ser viúva de um cidadão britânico. Pela nova carta constitucional escrita pelos militares e objeto de manipulado referendo popular de maio de 2008, um dispositivo com alvo certo (Aung San Suu Kyi) foi introduzido para impedir que pudesse concorrer a cargo eletivo pessoa casada ou viúva de estrangeiro. .



Em 1972, a Nobel da Paz casara com o professor britânico Michael Aris. Ficou viúva em 1999 e, por estar presa, a Junta Militar proibiu a sua presença nos funerais do esposo morto. .



–7. A última pena imposta à Nobel foi de 18 meses, em prorrogação a anterior prisão domiciliar. A Justiça, a serviço da ditadura militar, considerou ter Aung San Suu Kyi violado as regras disciplinares impostas a quem desconta pena em prisão domiciliar. Por isso, mais 18 meses. .



Os protestos internacionais de nada valeram. Sobre o motivo da prorrogação de 18 meses: um norte-americano, aposentado em razão de problemas mentais adquiridos na Guerra do Vietnã, resolveu, sem alarde e num país onde 89,5% da população é budista, viajar à Birmânia para entregar uma bíblia cristã à pacifista. Como a casa-prisão de Aung San Suu Kyi, que faz fundo para um lago, estava com a frente cercada por policiais, o referido norte-americano invadiu, pelos fundos, a moradia depois de uma travessia a nado. A pacifista recebeu a bíblia e não comunicou os soldados. Daí, a pena, por violar a obrigação de comunicar tal fato. .



Essa ocorrência absurda serviu de pretexto para os militares prorrogarem a prisão por 18 meses. Tempo calculado para cortar a influência política de Aung San Suu Kyi nas eleições que estavam marcadas para 7 de novembro de 2010. .



A propósito, eleições realizadas com grande quantidade de cédulas preenchidas anteriormente e colocadas nas urnas. A meta era só soltar a pacifista depois das eleições de domingo passado, as quais o presidente Barack Obama, da Índia, classificou como “ distante do padrão internacionalmente aceitos para se considerar legítimo o voto”. .



–8. A vencedora do Nobel da Paz é filha do general Aung Sun, herói da pátria por ter iniciado a luta pela Independência da Birmânia, uma ex-colônia britânica. O general acabou assassinado em 1947 e, a partir de 1962, o país mergulhou num longo período de ditadura militar, com troca de generais ditadores. .



Aung San Suu Kyi, depois do assassinato do pai, mudou para a Inglaterra, onde concluiu os estudos. .



Em 1988 voltou a morar em Rangoon (capital) e em 1989 foi presa pelos militares sob acusação de representar perigo para o Estado e o povo. Apesar de presa, o seu partido político venceu as eleições de 1990. Para se ter idéia, conquistou 392 cadeiras no Parlamento, do total de 485. .



Os militares não aceitaram o resultado e Aung San Suu Kyi, a partir de então, gozou curtos períodos de liberdade. .



–9. Na eleição de domingo passado, Aung San Suu Kyi, apelidada carinhosamente pelo seu povo de ”A Senhora”, recomendou o não comparecimento às urnas, diante da fraude adrede preparada pelos militares. .



Seu antigo partido, a Liga Nacional para a Democracia, acabou dividido. Criou-se uma Força Nacional Democrática, liderada por Than Nyein. Para Nyein, muita gente votou para candidatos da Força Nacional Democrática que poderá ter uns dois parlamentares eleitos. Claro, para os militares poderem falar na lisura do processo eleitoral. .

–Wálter Fanganiello Maierovitch–


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