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Nobel da Paz deixará prisão no próximo sábado, 13 de novembro.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 09 de novembro de 2010.







1. Aung San Suu Kyi ganhou o Nobel da Paz em 1991. Nos últimos 21 anos da sua vida, ela passou 15 aprisionada.



A pacifista deverá ganhar a liberdade ambulatória no sábado, 13 de novembro, quando cumprirá a última pena de 18 meses, arbitrariamente imposta.



2. Aos 64 anos, Aung San Suu Kyi é uma das vítimas da corrupta e golpista Junta Militar que, sob o comando do general Than Shwe (no poder desde abril de 1992), governa a Birmânia. No país, uma narcoditadura militar, existem mais de 2 mil presos políticos. E ontem, a guerrilha de fronteira, formada pelas etnias karen e shan, entrou em combate com as forças controladas pela Junta Militar.



Os militares no poder estão envolvidos com tráfico de diamantes e drogas. Até o nome do país foi trocado: de Birmânia passou a Myanmar. E a capital mudou de Rangoon (cidade com mais de 4 milhões de habitantes) para Yangon, reduto isolado pelos militares.



general-ditador Than Shwe.



3. Nas eleições parlamentares e regionais de domingo passado, Aung San Suu Kyi não pôde concorrer. Isso por ser viúva de um cidadão britânico.



Pela nova carta constitucional escrita pelos militares e objeto de manipulado referendo popular de maio de 2008, um dispositivo com alvo certo (Aung San Suu Kyi) foi introduzido para impedir que pudesse concorrer a cargo eletivo pessoa casada ou viúva de estrangeiro.



Em 1972, a Nobel da Paz casara com o professor britânico Michael Aris. Ficou viúva em 1999 e, por estar presa, a Junta Militar proibiu a sua presença nos funerais do esposo morto.



4. A última pena imposta à Nobel foi de 18 meses, em prorrogação a anterior prisão domiciliar. A Justiça, a serviço da ditadura militar, considerou ter Aung San Suu Kyi violado as regras disciplinares impostas a quem desconta pena em prisão domiciliar. Por isso, mais 18 meses.



Os protestos internacionais de nada valeram. Sobre o motivo da prorrogação de 18 meses: um norte-americano, aposentado em razão de problemas mentais adquiridos na Guerra do Vietnã, resolveu, sem alarde e num país onde 89,5% da população é budista, viajar à Birmânia para entregar uma bíblia cristã à pacifista. Como a casa-prisão de Aung San Suu Kyi, que faz fundo para um lago, estava com a frente cercada por policiais, o referido norte-americano invadiu, pelos fundos, a moradia depois de uma travessia a nado. A pacifista recebeu a bíblia e não comunicou os soldados. Daí, a pena, por violar a obrigação de comunicar tal fato.



Essa ocorrência absurda serviu de pretexto para os militares prorrogarem a prisão por 18 meses. Tempo calculado para cortar a influência política de Aung San Suu Kyi nas eleições que estavam marcadas para 7 de novembro de 2010.



A propósito, eleições realizadas com grande quantidade de cédulas preenchidas anteriormente e colocadas nas urnas. A meta era só soltar a pacifista depois das eleições de domingo passado, as quais o presidente Barack Obama, da Índia, classificou como “ distante do padrão internacionalmente aceitos para se considerar legítimo o voto”.



Diamantes: casamento da filha do general ditador Than Shwe.



5. A vencedora do Nobel da Paz é filha do general Aung Sun, herói da pátria por ter iniciado a luta pela Independência da Birmânia, uma ex-colônia britânica. O general acabou assassinado em 1947 e, a partir de 1962, o país mergulhou num longo período de ditadura militar, com troca de generais ditadores.



Aung San Suu Kyi, depois do assassinato do pai, mudou para a Inglaterra, onde concluiu os estudos. Em 1988 voltou a morar em Rangoon (capital) e em 1989 foi presa pelos militares sob acusação de representar perigo para o Estado e o povo.



Apesar de presa, o seu partido político venceu as eleições de 1990. Para se ter idéia, conquistou 392 cadeiras no Parlamento, do total de 485.



Os militares não aceitaram o resultado e Aung San Suu Kyi, a partir de então, gozou curtos períodos de liberdade.



PANO RÁPIDO. Na eleição de domingo passado, Aung San Suu Kyi, apelidada carinhosamente pelo seu povo de "A Senhora", recomendou o não comparecimento às urnas, diante da fraude adrede preparada pelos militares.



Seu antigo partido, a Liga Nacional para a Democracia, acabou dividido. Criou-se uma Força Nacional Democrática, liderada por Than Nyein. Para Nyein, muita gente votou para candidatos da Força Nacional Democrática que poderá ter uns dois parlamentares eleitos. Claro, para os militares poderem falar na lisura do processo eleitoral.



Em pesquisa que realizei no Istituto Geografico De Agostini, verifiquei o calvário da Nobel da Paz:

a) julho de 1989: prisão.


b) julho de 1995: concessão de liberdade


c) setembro de 2000: prisão domiciliar incomunicável


d) maio de 2002: liberdade vigiada


e) maio de 2003: prisão fechada e posteriormente domiciliar


f) maio de 2007: manutenção da prisão domiciliar


g) maio de 2008: prorrogação da prisão domiciliar


h) maio de 2009: prorrogação por 18 meses da prisão domiciliar


i) 13 de novembro de 2010: cumprimento da pena e prevista soltura

Wálter Fanganiello Maierovitch


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