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Fetiche de Berlusconi é por bum-bum de brasileiras, revela testemunho publicado na revista Novella.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 08 de novembro de 2010.


Foto: dagospia.com


1. A Itália passa por uma complicada crise política, agravada (a) pela falta de compostura do seu primeiro-ministro Silvio Berlusconi, atolado em mais um sexogate (b) pelas tentativas, ad personam, de elaboração de lei ordinária e de modificação constitucional, ambas voltadas a livrar, pela prescrição, o premiê de processos criminais, apesar das fartas provas de corrupção e compra de testemunhos — os instrumentos projetados são o “processo breve” e a blindagem, na forma de “suspensão dos processos” contra as principais autoridades republicanas — e (c) pela criação de um novo partido de direita, Futuro e Libertà, cujo líder, Gianfranco Fini, pediu ontem, em convenção realizada em Perúgia, a demissão do premiê.



Em meio às orgias, o governo Berlusconi com falso triunfalismo finge que tudo vai bem na Itália e cultua o slogan de “Bel paese” (Belo país).



Só que os italianos sentem a grave crise financeira e temem que a Itália vire uma nova Grécia.



Pior, os italianos não confiam na capacidade administrativa de uma oposição sempre dividida e que, no poder, não litiga entre si por protagonismos dos seus líderes. E o partido da Liga Norte —inicialmente separatista e agora federalista — sustenta o governo Berlusconi. É o único, já que os aliados a Gianfranco Fini, um ex-fascista, acabam de pedir a renúncia do premiê.



2. Neste fim de semana, Berlusconi, na sua cinematográfica Villa Certosa (Sardenha) e sem a companhia de “garotas de programa”, tremeu nas bases.








Diante do escândalo da semana passada, a envolver a marroquina Karima el Mahroug, conhecida no giro da prostituição como Ruby Rubacuore (Ruby, rouba coração), a revista Novella chegou às bancas com um relato capaz de fazer corar, do outro lado do rio Tevere onde fica o Vaticano, as piedosas freiras que oferecem sopa aos pobres.



A revista publicou parte do relato de uma das testemunhas já ouvidas pela magistratura do Ministério Público sobre o sexogate berlusconiano. Um sexogate em que, certamente, não pega o discurso de Berlusconi sobre o direito à “vida privada”.



Esse escândalo de Berlusconi caracteriza (a) abuso de poder — pessoalmente, pediu a soltura de uma menor acusada de roubo, frequentadora das suas orgias e ainda mentiu ao dizer que a jovem de 17 anos era sobrinha do presidente egípcio Hosny Mubarack) — (b) facilitação à prostituição de menor de idade, no caso a referida Karima el Mahroug, a Ruby Rubacuore.



3. Pressionado, Berlusconi, já no início do final de semana, voltou atrás e renunciou à abertura, nesta segunda-feira em Milão, da Conferência Nacional da Família.



Para evitar vaias, Berlusconi delegou o discurso de abertura da conferência, que envolve inúmeras organizações católicas laicas.



Ontem, em Barcelona (Espanha), o papa Ratzinger, um dos sustentadores de Berlusconi, consagrava o status de basílica à monumental igreja da Sagrada Família, iniciada em 1882 e elaborada pelo arquiteto e artista Antoni Gaudi. A propósito, Gaudi começou a trabalhar no projeto aos 31 anos e dedicou a ela toda a sua vida, a ponto de residir no canteiro de obras.



Não dava, efetivamente, para, depois da consagração póstuma de Gaudi, ouvir Berlusconi perolar sobre valores morais das famílias.



4. A revista Novella, como frisado, apresentou parte de um dos testemunhos. A “garota de programa” contou: “O ponto fraco, débil, de Berlusconi são as brasileiras. Ele é vidrado na parte B, o bumbum das brasileiras”.



A testemunha relatou uma festa promovida por Berlusconi no interior da residência oficial do primeiro-ministro, o romano Palazzo Graziolli (propriedade do Estado próxima à praça onde está monumental Altar da Pátria): “Aquelas mais belas e que tiravam mais a roupa ganhavam do premiê um bracelete de ouro”.



Revelou ainda como eram recrutadas as “garotas de programa” e o “bunga-bunga” que rolava solto. A propósito do bunga-bunga, confira:



a) http://maierovitch.blog.terra.com.br/2010/11/01/bunga-bunga-deve-derrubar-berlusconi-e-ratzinger-abortara-o-premier-do-circulo-dos-seus-considerados-brasileira-no-centro-do-escandalo/



b) http://maierovitch.blog.terra.com.br/2010/11/05/sexogate-berlusconi-abrira-a-conferencia-nacional-da-familia-em-ritmo-de-bunga-bunga/



Um dos trechos do testemunho publicado pela Novella dá conta do seguinte : “Em junho de 2008, um dia depois que ele teria encontrado o papa. Fui contatada pelo Lele Mora (nota: famoso empresário de casas noturnas) e eu fazia parte da equipe de entretenimento. Estava o presidente do Conselho de Ministros (nota: Silvio Berlusconi), Apicella (nota: um músico e compositor que acompanhava Berlusconi quando este era cantor em cruzeiros marítimos ) e umas 30 mulheres muito jovens. Ele (nota: Berlusconi) ria muito. Fazia brincadeiras. Contava piadas. Dava uma apalpadelas (nota: nas jovens) . . . Devagar, devagar, a noitada ficava quente… Competição para se aproximar e esfregar no premiê. … Carícias, As meninas se despiam. . .”.



PANO RÁPIDO. A marroquina Ruby, que Berlusconi afirmou à polícia ser sobrinha do presidente do Egito (Mubarack já expediu nota diplomática tachando a informação berlusconiana de “insultuosa”), foi presa em 27 de maio de 2010. A prisão deveu-se à acusação de haver roubado 3 mil eruros. A vítima era uma brasileira que lhe dera hospedagem em apartamento em Milão.



A lei, em tal caso, determinava o encaminhamento da menor a uma “instituição de acolhimento”. A menor, contra a lei, foi entregue a Nicole Minetti.



Minetti, uma ex-dançarina de programas televisivos de auditório, é amiga de Berlusconi, que a acionou para retirar a menor Ruby do departamento policial.



No termo de guarda da menor, Minetti se qualificou como ex-igienista dentale di Silvio Berlusconi.

Wálter Fanganiello Maierovitch


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