São Paulo,  
Busca:   

 

 

Agora

 

Alarme México. Aumento de produção de maconha e ópio. Jornalistas viram correspondentes de guerra.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBFG, 18 de outubro de 2010.





--1. O presidente Felipe Calderón continua a apostar no modelo de política norte-americana de Guerra às Drogas (War on Drugs) como a única saída para reduzir a força adquirida, nos últimos dez anos, pelos cartéis mexicanos.



Calderón, em quatro anos de mandato e com a militarização no combate às drogas a envolver o emprego de 690 mil agentes, amarga um trágico resultado. O número de mortes da sua War on Drugs aproxima-se de 30 mil, com 70% dos executados sem qualquer correlação com os violentos cartéis ou com o tráfico de drogas, armas e pessoas.



Até ontem foram contados 65 jornalistas mortos e 11 desaparecidos.



Os jornalistas estrangeiros que estão no México para cobrir a Guerra às Drogas e o fenômeno da violência já são equiparados a “correspondentes de guerra”. Mas estão em pior situação, pois, caso identificados pelos narcotraficantes, são sequestrados ou executados: a máquina fotográfica, o computador, a caderneta de anotações, o passaporte e o celular são perigosos instrumentos a revelar a atividade profissional.



Em encontro com jornalistas, ocorrido neste fim de semana na embaixada do México em Roma, a jornalista Marcela Turati, uma das correspondentes de guerra no México, chamou a atenção para alguns dados alarmantes, além de insistir na cooperação internacional como imprescindível. Turati advertiu que no norte do México jornalistas são obrigados a publicar as matérias passadas pelos cartéis.



2. Enquanto Calderón aumenta a participação do Exército e investe na fabricação de armas, carros de combate e munições, as estatísticas mostram crescimento de 50% das áreas de cultivo de maconha e papoula (para elaboração de heroína).



Importante lembrar que o México, ao lado do chamado Triângulo do Ouro (Tailândia, Laos e Birmânia-Mianma) e da Meia Lua de Ouro (Afeganistão e Paquistão), já esteve entre os maiores produtores mundiais de ópio e heroína. Pelo jeito, poderá voltar a ser potente na oferta de ópio e heroína, isso porque já abastece o mercado norte-americano com cocaína colombiana e marijuana mexicana.



3. Dos quase 30 mil homicídios consumados nos quatro anos de War on Drugs, a polícia e a Justiça conseguiram desvendar apenas 4%.



No universo de acusados de ligações com os cartéis, apenas 10% foram definitivamente condenados.



Como acontece com todos os países de trânsito drogas proibidas (e o Brasil é país de trânsito), o consumo interno e o número de dependentes cresce. No México, a dependência (adicção) aumentou em 50% no governo Calderón.



Também cresceu o porcentual de violações de direitos humanos: 130%.



A mexicana Ciudad Juárez, na fronteira com os EUA, está, ao lado de Darfur (Sudão) e Mogadíscio (Somália), entre as cidades mais violentas do mundo.

Wálter Fanganiello Maierovitch


Assuntos Relacionados
© 2004 IBGF - Todos os direitos reservados - Produzido por Ghost Planet