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Chefe violento da organizada Tigres de Arkan conseguiu impedir Itália x Sérvia. Ele é ultranacionalista e antigay.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 14 de outubro de 2010.


Ivan Bogdanov, 24 anos.




1. Ivan Bogdanov, 29 anos, desempregado e sustentado pela mãe, quase provocou uma tragédia no estádio Marassi de Gênova, onde a partida Itália x Sérvia, pelo campeonato europeu, durou apenas seis minutos.



O risco de domingo passado levou os jornais europeus de hoje a recordarem o dia 29 de maio de 1985, quando morreram 39 torcedores, 32 deles italianos. Essa tragédia ocorreu no curso da partida entre a Juventus de Torino e o britânico Liverpool, pela Copa dos Campeões. Holligans furiosos foram os responsáveis pela referida tragédia.



Apelidado de “Ivan, o terrível” pela torcida organizada do Estrela Vermelha de Belgrado, o desocupado Bogdanov está preso em cela especial da penitenciária feminina de Gênova (não havia vaga na masculina).



Conforme confessou à polícia italiana, a sua meta foi, em parte, alcançada. Na ocasião, ele desfilou o seu ideário: “A Sérvia não deve entrar para a União Europeia, não deve participar da Euro 2012 e a partida de futebol no estádio de Marassi entre Sérvia e Itália não poderia ser realizada”. No estádio, Ivan Bogdanov e seus seguidores queimaram a bandeira da Albânia para provocar os kosovares (maioria albanesa e muçulmana).



Como adiantamos ontem neste blog Sem Fronteiras de Terra Magazine, para promover a “limpeza étnica” (genocídios) nos Bálcãs, o ex-presidente Slobadan Milosevic convocou o chefe da torcida organizada da esquadra de futebol do Estrela Vermelha de Belgrado, o ultranacionalista Zeliko Raznatovic. Apelidado de Arkan, ele comandava a violência dos torcedores nos estádios de futebol. Foi Arkan que fundou a torcida organizada de nome de Tigres de Arkan.



A mando de Milosevic, o sanguinário Arkan organizou uma força paramilitar que, a partir de 1992, fez o jogo sujo no lugar do Estado e foi a responsável pelo massacre de milhões de homens, mulheres, idosos e crianças. Essa força paramilitar ficou conhecida por Tigres dos Bálcãs.



Com a assinatura do Tratado de Paz de Dayton, a prisão de Milosevic (morreu na prisão), o assassinato de Arkan (15/1/2000) e a fuga dos ultranacionalistas (o último preso e sob processo no Tribunal Penal Internacional foi o fascinora Karadizic) que queriam construir a Grande Sérvia, com a inclusão da Croácia, Bósnia, Macedônia, Eslovênia e Monte Negro, os paramilitares voltaram a integrar a torcida organizada Tigres de Arkan, da equipe do Estrela Vermelha de Belgrado.



Ivan sucedeu e imita Arkan. O solteirão Ivan é antigay, vive com a mãe, carrega sempre uma bandeira do Estrela Vermelha de Belgrado. Como revela uma das suas tatuagens, é contra a independência do Kosovo, antes um enclave albanês-muçulmano da Sérvia. Como a Itália reconheceu a independência do Kosovo, Ivan não queria ver a seleção da Sérvia enfrentando a da Itália, um país inimigo, na sua visão.



Em maio passado, Ivan foi detido pela polícia italiana por tentar impedir, com um grupo de ultranacionalistas sérvios, a partida de pólo aquático entre o Pro Recco, de Nápoles e o Partizan, da Sérvia, em Nápoles.



Ivan, no estádio Marassi de Gênova.



Ontem, o Ministério do Interior da Itália obteve, via Europol (polícia europeia), a folha de antecedentes criminais de Ivan Bogdanov. Dela constam quadro registros: “Briga com lesões corporais, agressão física a um policial, comportamento violento com ameaças a pessoas em estádios e posse de 11,06 gramas de maconha”.



Os 007 da inteligência italiana, conforme informam os jornais italianos, levantaram os passos de Ivan ao ingressar na Itália, fato ocorrido no domingo. Ele almoçou civilizadamente num restaurante, segundo relato do proprietário do estabelecimento: “Era cortês, gentil, muito educado”, frisou o dono do restaurante.



No relatório dos 007 constou que Ivan procurou dominar os impulsos e evitar atritos a impossibilitar o seu ingresso no estádio Marassi. Comportou-se, pois queria colocar em prática o plano para impedir a realização da partida entre Itália e Sérvia. Na ocasião, Ivan comandou um grupo de cerca de 500 membros dos Tigres de Arkan. Para a polícia italiana, 2 mil torcedores se deslocaram da Sérvia para o estádio genovês de Marassi.



Ivan continuará preso em Gênova. Dificilmente responderá a processo criminal em liberdade. Um magistrado do Ministério Público italiano está à frente das investigações e, na próxima semana, deverá propor ação penal contra Ivan.



PANO RÁPIDO. Ivan tem uma página no Facebook. Depois do episódio de Gênova, receberá muitas adesões de nazifascistas espalhados pelo mundo. Até ontem, contava com 1.400 admiradores.



Na Sérvia, a polícia já se prepara para a partida de sábado (23 de outubro) entre Estrela Vermelha e Partizan, final da chave 4 do campeonato europeu. É que os Tigres de Arkan prometem uma manifestação de solidariedade a Ivan Bogdanov.



Na polícia e na prisão, Ivan já passou de tigre a cordeiro. Ele só vira tigre quando em grupo ou diante de multidões.

Wálter Fanganiello Maierovitch


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