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Nobel da Paz. Primeiro chinês a receber. Não basta apenas o progresso econômico, ataca Ebadi, vencedora do prêmio em 2003.

IBGF, 17 de outubro de 2010.


Liu Xiaobo, vencedor do Nobel da Paz de 2010.




--1. Hoje, vários jornais europeus comentam a fala da iraniana Shirin Ebadi, 63 anos e Nobel da Paz em 2003.



Ebadi está felicíssima com a escolha, em Oslo, do professor Liu Xiaobo, que é primeiro chinês a vencer um Nobel da Paz.



Liu Ximbao, de 54 anos e vencedor do Nobel de 2010, está preso na China. Ele foi condenado à pena de 11 anos de prisão, por subversão.



A sua luta pacífica pela liberdade de expressão e pelo respeito aos direitos fundamentais da pessoa humana renderam-lhe a condenação.



No processo criminal, a acusação apresentou, como prova da subversão, a chamada ‘Carta 08’, assinada por 300 intelectuais, incluído o professor Liu Xiambao. A ‘Carta 08” pedia às autoridades uma nova Constituição à China que pudesse levar ao país a democracia. Os antecedentes de Liu Ximbao também pensaram na condenação: em 1989 ele participou do protesto estudantil na praça de Tienanmen e o governo reprimiu a manifestação com tanques de guerra, bombas, agressões físicas e centenas de prisões.



Para Ebadi, “ conceder um Nobel da Paz para um defensor de direitos humanos na China significa o mesmo que enviar uma mensagem aos dirigentes e isto para dizer a eles o seguinte: não basta apenas o progresso econômico para dar legitimidade a um regime, mas também a dignidade humana deve ser levada em consideração”. A iraniana criticou os países que incensam a China e esquecem das permanentes violações a direitos humanos e as condenações capitais.



Estados Unidos, França e Alemanha pediram a imediata liberação do professor Liu Xiambao, um professor universitário de literatura e ativista de direitos humanos. Atenção: paz e direitos humanos têm a mesma raiz, sustenta Liu Xiambao.



--2. PANO RÁPIDO. O artigo 35 da Constituição chinesa estabelece que “todos os cidadãos gozam da liberdade de expressão, de associação, de assembléia e de manifestação”. Dispensável dizer que o mencionado artigo 35 é letra morta na China.



Já foram contemplados com o Nobel da Paz diversos dissidentes, como Aung San Suu Kyi, a líder birmaniana que o regime dos generais, ligados ao narcotráfico e ao crime organizado que explora o comércio de diamantes, já manteve presa por muitos anos.



Poucos na China sabem que Liu Xiabo ganhou o prêmio Nobel da Paz. A notícia foi censurada pelo governo chinês. Até a Internet recebeu bloqueio e nas redes não circulam essa informação. Para o governo chinês, a Comissão de Oslo, responsável pela escolha do premiado, fez uma provocação.

--Wálter Fanganiello Maierovitch--


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