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Lavagem de Dinheiro. Vaticano fala em transparência, mas mantém sigilo de 13 contas correntes dadas como explosivas

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 29 de setembro de 2010.



arcebispo Marcinkus, apelidado de Banqueiro de DEus.



1. Em 1942, o papa Pio XII fundou um banco para o Vaticano e lhe deu o nome de Instituto para as Obras Religiosas (IOR).



Ao tempo que o IOR foi dirigido pelo arcebispo Paul Marcinkus (1971 a 1989), um faixa preta de judô que começou sua carreira clerical na Santa Sé como guarda-costas de papas, o Banco do Vaticano esteve no epicentro de um megaescândalo financeiro, avaliado, por baixo, em US$3,5 bilhões.



Além de Marcinkus e a Loja Maçônica P2 protagonizaram esse escândalo os banqueiros Roberto Calvi, apelidado de “banqueiro de Deus”, envenenado em 1982 e pendurado pelo pescoço numa ponte londrina, e Michele Sindona, o “banqueiro da Máfia”, envenenado no cárcere ao tomar uma xícara de café levada pelo carcereiro, no início da manhã.



Há duas semanas, como informado neste blog Sem Fronteiras de Terra Magazine, a Justiça italiana determinou, por suspeitar de lavagem de dinheiro, a apreensão de 23 milhões de euros do IOR, depositados no banco italiano Credito Artigiano.



Por violar norma estabelecida pela União Europeia voltada a impedir a lavagem de dinheiro no sistema bancário-financeiro, a Justiça italiana impediu as transferências de (a) 20 milhões, para o banco J.P. Morgan de Frankfurt destinadas a correntistas identificados por números, e (b) 3 milhões a correntistas numerados do banco Fucino de Roma.



2. O porta-voz da Santa Sé, padre Federico Lombardi, diz que tudo pode ser esclarecido com muita facilidade. Segundo Lombardi, houve apenas uma “operação de tesouraria”, com simples transferências para ordens religiosas.



Para Lombardi, o incidente foi criado em razão de uma “misunderstanding in via di approfondimento”. O presidente do Banco do Vaticano (IOR), Ettore Gotti Tedeschi, que está sendo investigado, prefere o termo “equívoco” a “ misunderstanding”.



Tedeschi é investigado por presumida violação às normas europeias e internacionais contra a lavagem e reciclagem de capitais.



O banqueiro Tedeschi, do mundo laico, foi nomeado pelo papa Bento XVI, em 23 de setembro de 2009. Sua tarefa era de dar transparência ao Banco do Vaticano, cuja imagem continuava péssima, devido ao escândalo Marcinkus (morto em 2006, no Arizona e já “aposentado”), Calvi, Sindona e Loja Maçônica P2. (Propaganda 2).



A indicação de Tedeschi partiu do cardeal Tarcisio Bertone, secretário de Estado, segundo na hierarquia vaticana e, há anos, braço direito do papa Ratzinger. Bertone preside a Comissão de Vigilância do IOR, formada por seis clérigos.



3. Depois desse último escândalo, o papa Ratzinger pretende ter uma espécie de “presidente” de Banco Central. O cotado é o cardeal Attilio Nicora, membro da Comissão de Vigilância.



Como sabem até as colunas de Bernini que abraçam a praça de São Pedro, a transparência no Banco do Vaticano nunca foi além do discurso.



Os jornais italianos falam em “13 contas” explosivas, em nomes de laicos e cuja identidade o Vaticano mantém debaixo no mais absoluto segredo. Nem nos confessionários vaticanos o sigilo é tão protegido.



Suspeita-se que uma dessas contas seja de Angelo Balducci, o “homem da Santa Sé” no atual escândalo de obras públicas do governo italiano referente às construções feitas por ocasião do G-8, do campeonato mundial de natação etc.



Para muitos, o fato de o papa Ratzinger ter recebido Tedeschi em Castel Gandolfo, no domingo, depois do Angelus, foi uma jogada para acalmar as águas agitadas e passar a mensagem de confiança em Tedeschi.



Mas, se a investigação na Justiça engrossar, a agenda papal mostrará que Tedeshi foi levar a Ratzinger um livro da sua autoria e intitulado A Economia Global e o Mundo Católico.



4. Como se descobriu, o livro de Tedeschi foi escrito e lançado em 2004. Indagado, ele explicou haver levado a Ratzinger uma nova edição, adaptada à encíclica Caritas in Veritate, dedicada à ética na economia.



Fora das muralhas do Vaticano, do outro lado do rio Tevere, comenta-se que os fantasmas de Marcinkus, Calvi e Sindona foram vistos em livrarias romanas, interessadíssimos na aquisição da obra de Tedeschi e nas contribuições éticas.

Wálter Fanganiello Maierovitch


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