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Deportação de ciganos. Sarkozy recebe apoios da Alemanha, Itália, Hungria e Rep.Checa.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 17 de setembro de 2010.


Sarkozy.



--1.Uma vergonha, definiu bem Viviane Reding, comissária européia para direitos humanos e Justiça. Ela se referia à expulsão de ciganos da França, com base no decreto do presidente Sarkozy, de matriz populista, racista e xenófoba.



Na quarta feira 15 foram expulsos 220 ciganos da França. Do total, até ontem, 17 de setembro, a França deportou 8 mil ciganos, com base no decreto de Sarkozy.



Para se ter idéia, na França vivem cerca de 400.000 ciganos, a grande maioria nascidos em estados membros da União Européia.



Daí, o estrilo da comissária Reding que lembrou, como princípios basilares da vida comunitária européia, a liberdade de circulação e não discriminalizar os cidadãos.



Pelo decreto, Sarkozy determinou a expulsão de imigrantes ilegais e na circular Iok101788MJ, baixada para a efetivação do decreto, ficou estabelecido, como primeira ação da gendarmeria, a destruição, em três meses, de 300 acampamentos, “com prioridade aos dos ciganos”.



Percebe-se, pela circular, o componente racista: “ prioridade aos ciganos”. A circular é assinada pelos ministros Eric Besson e Pierre.



Como até a Carla Bruni sabe, na Europa vivem cerca de 12 milhões de ciganos. E os ciganos são nômades. Na Romênia nasceram e vivem 1,8 milhões. Na Bulgária são 650.000. E os ciganos deportados por Sarkozy são enviados principalmente para a Romênia e a Bulgária.



--2.Ontem, na reunião extraordinária dos chefes de estados e de governos dos 27 países da União Européia, o presidente Sarkozy usou de diversionismo e conquistou o apoio até do preimier espanhol José Luis Zapatero.



O diversionismo consistiu e colocar o acessório como principal. Ou seja, a comissária Reding teria, ao empregar termos impróprios, “insultado” a França. Isto ao falar em “desgraça” e lembrar as deportações durante a Segunda Guerra, realizadas pelos nazistas.



Até o premier de Luxembrurgo, terra da comissária Viviane Reding, reconheceu que as palavras da conterrânea não tinham sido adequadas.



Quanto ao principal, ou melhor, as deportações, Sarkozy, sem corar, falou que continuará com as demolições de “acampamentos ilegais sem considerar quem os ocupa: -“Não queremos que inteiras famílias vivam em tugúrios. É uma condição não digna para a Europa e a França. Nos acampamentos não existem serviços de água, luz e coleta de esgoto”.



Ao invés de melhorar as condições, Sarkozy, frise-se, sem corar, expulsa os desprovidos para a Búlgaria e a Romênio que, como até Carla Bruni sabe, não irão colocá-los em moradias melhores.



comis´sária Viviane Reding


--3. Por decreto de expulsão, os ciganos e imigrantes que vivem em solo francês tornaram-se alvo principal da intolerância do presidente Nicolas Sarkozy, apoiado pelos ministros Eric Besson e Pierre Lellouche e com o silêncio conivente da primeira dama Carla Bruni, que se apresenta fora do país como defensora de direitos humanas.



Sarkozy, de descendência húngara, mostrou a sua inclinação xenófoba e populista, desde o tempo que era ministro do Interior e na periferia reprimiu com bombas e bastonadas filhos de imigrantes que, embora nascidos na França, já ouviram falar em libertè, egalitè e fraternitè em livros sobre a Revolução Francesa.



--4. Ontem, na reunião dos chefes de estados e de governo dos países membros da União Européia, Sarkozy bateu boca com o português José Manuel Durão Barroso, presidente da Comissão européia.



Barroso reconheceu que a comissária Reding foi, na terminologia, “um pouco além” , mas destacou que “ as discriminações contro as minorias étnicas são inaceitáveis”.



--5. Sobre as expulsões, Sarkozy faz o que a grande maioria dos franceses aprovava e, na quinta 14, ganhou o apoio do premier italiano Silvio Berlusconi, cujo ministro do Interior, um ex-separatista do partido da Liga Norte, prepara um anteprojeto de lei para a expulsão dos “rom”, expressão usada para indicar os considerados parias sociais, preferentemente os ciganos.



O apoio berlusconiano chegou no momento que o Parlamento europeu, por maioria (347 contra 245 e 51 abstenções), aprovou uma moção de censura contra Sarkozy e a Comissão européia de Justiça e Direitos Humanos abriu um procedimento infracional, ou seja, para patentear as violações a princípios basilares de sustentação à vida comunitária no âmbito da União Européia. Para a vice-presidente da mencionada Comissão, Viviane Reding, o decreto não representa “uma transgressão menor, mas uma desgraça”.



Numa reposta a dar ao palácio do Eliseu um ambiente de bas-fonds, Sarkozy sugeriu à comissária Reding para receber os ciganos em Luxemburgo, sua terra natal: Luxembrurgo tem cerca de 500 mil habitantes.



--5. PANO RÁPIDO. Existe uma queda de braço entre a União Européia e os presidentes de estados membros com inclinações à direita, como Nicolas Sarkozy, Angela Merkel e Silvio Berlusconi.



Espera-se que a comissária Viviane Reding prossiga na resistência. Reding tem 59 anos de idade, é divorciada, tem três filhos homens. Ela é doutora em ciências humanas pela francesa Sorbone e jornalista profissional.



Com o decreto e as confirmadas expulsões de 8 mil ciganos, o palácio do Eliseu tornou-se sede da nova Vichy.

--Wálter Fanganiello Maierovitch--


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