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Gadafi encerra visita a Roma. Ameaça à Comunidade Européia e critica o fundamentalismo no caso da iraniana condenada à lapidação.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 31 de agosto de 2010.



1. Na véspera da partidal, o ditador líbio Muammar Kadafi continuou como protagonista no macarrônico show que transcorre em Roma. Isto a partir da tenda montada no jardim da embaixada da Líbia. Kadafi pagou para 200 modelos ouvirem as suas lições sobre o islamismo, falou da iraniana condenada à morte por lapidação, exigiu 5 bilhões de euros para bloquear a imigração de africanos para a Europa e disse querer para a Líbia equipamentos militares com tecnologia de ponta.



O primeiro-ministro Silvio Berlusconi aceitou, com reações que mostram temor a Kadafi, o papel de coadjuvante. Nos encontros, Berlusconi não sai do script e repete, incessantemente, que se celebra o segundo aniversário do importante Tratado de Amizade entre os dois países. Por ele, os dois países, com forças navais, evitam a chegada de imigrantes na Itália.



Para muitos, “a Itália se transformou na Disneylândia de Kadafi”. Na programação, não faltou a exibição de um carrossel com 27 cavalos árabes adestrados.



O picadeiro foi montado num quartel militar na periferia de Roma e divertiu os 800 empresários que participavam de um régio jantar. Aviso: o histórico e romano Circo Massimo encontra-se em reformas.



2. A contratação de 200 modelos para ouvir a exposição de Kadafi sobre o Islã não foi tão reservada como pareceu.



Os jornalistas europeus não puderam acompanhar a palestra de Kadafi. Mas, em tempo real, ela foi difundida pela Arab on line. Câmeras colheram imagens posteriormente repassadas às agências árabes.



Dentre as 200 hostess italianas destacaram-se três, com a cabeça coberta com xale islâmico negro. Hoje os jornais italianos informam sobre a suspeita de cada uma das três convertidas ter recebido 20 mil euros de prêmio. Uma delas, Rea Beko, reagiu: “Uma calúnia”.



3. Os jornais informam também que durante a palestra as 200 hostess, contratadas a peso de euro (confira o post abaixo), Kadafi foi interrompido por uma pergunta embaraçosa. Uma jovem e bela modelo perguntou ao ditador sua opinião sobre a lapidação da iraniana Sakineh.



De bate-pronto o ditador líbio teria respondido: “Isso não é islamismo, mas fundamentalismo”.



Não se deve esquecer que vigora na Líbia, como no Irã, a pena de morte.



4. Kadafi, que já sustentou financeiramente o terrorismo internacional e, por isso, seu país suportou bloqueio econômico das Nações Unidas, procura mudar a imagem e restabelecer negociações comerciais com o Ocidente. Daí, a partir de 2009, as suas visitas frequentes à Itália, que paga indenização pelo período de “colonização fascista”.



Só que o novo Kadafi, que agora fala em paz nos seus pronunciamentos, experimentou recaída. Ou melhor, no segundo dia da viagem a Roma o ditador líbio não controlou a personalidade de mitômano e veladamente ameaçou a União Europeia.



O ditador quer 5 bilhões de euros para bloquear a imigração de africanos à Europa: a Líbia é a porta de saída usada pela criminalidade organizada dedicada ao tráfico de africanos, ressaltou Kadafi.



Para justificar o pedido de 5 bilhões de euros, Kadafi deixou velada ameaça: “Um dia a Europa, se não brecar a imigração clandestina, poderá se tornar a África e será negra”.



PANO RÁPIDO. O ditador líbio foi claro ao declarar que pretende estabelecer relações comerciais com a Itália no que toca à teconologia militar.



Kadafi pretende, talvez com repasse de valores estabelecidos como indenizaçõa pela “colonização” que o fascismo italiano impôs à Líbia, adquirir helicópteros militares, navios de guerra e aviões para combate e adestramento de tropas.



Um memorando de intenções está sendo preparado e a Finmeccanica e a Fincatiei seriam as empresas italians parceiras. Kadafi quer levar, também, o moderníssimo M-346, um avião de combate produzido pela Alenia Aermacchi.



Com pele de carneiro, o ditador, que sentiu o embargo e o isolamento internacional, quer se armar e dinheiro para reprimir a chegada de imigrantes à Europa.

Wálter Fanganiello Maierovitch


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