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Guerra às Drogas. Presidente mexicano quer a adoção do modelo colombiano de Juiz sem Rosto.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 26 de agosto de 2010.



1. O presidente Felipe Calderón iniciou, com o apoio do então presidente George W. Bush, uma War on Drugs para combater os sete maiores cartéis mexicanos: (1) Tijuana, (2) Juárez, (3) Beltran Leya, (4) A Família Michoacan, (5) Sinaloa, (6) Golfo e (7) Os Zetas.



Calderón começou a Guerra às Drogas no primeiro dia do seu mandato, ainda sob forte suspeita de ter chegado ao poder maior em razão de fraude eleitoral.



Dos 200 mil membros das Forças Armadas, convocou 50 mil para a War on Drugs e experimentou a primeira derrota no Plan Mérida, uma adaptação do Plan Colombia, feita pela Casa Branca e imposta ao presidente Calderón.



Até agora, a Guerra às Drogas de Calderón só logrou aumentar a violência no México. E os cartéis ampliaram o campo de atuação. Se dedicam, até, ao tráfico de petróleo bruto e refinado.



Os dados são alarmantes. Por exemplo, em quatro anos de mandato de Calderón (início em 2006) foram assassinadas, só na cidade Juárez devido à War on Drugs, 900 mulheres.



A propósito, das 28 mil vítimas fatais contadas até 31 de julho passado, 23% são da referida Ciudad Juárez.



A guerra de Calderón não reduziu o lucro obtido pelos cartéis com o tráfico de drogas. Eles continuam a movimentar com o tráfico de drogas anualmente US$13 bilhões.



Segundo as agências norte-americanas de espionagem CIA e DEA, os cartéis mexicanos contam com 500 mil pessoas associadas. Para piorar esse quadro dramático, os cartéis mexicanos estão ramificados em 200 cidades norte-americanas.



Na Guerra às Drogas de Calderón ocorre um crime grave a cada 49 minutos.



2. Hoje, o presidente aponta para um culpado. Isso para tentar explicar o fracasso da Guerra às Drogas, que, do lado oficial, resultou na morte de 2.076 agentes das forças de ordem.



Segundo Calderón, sempre com relação à Guerra às Drogas e seus quatro anos de mandato presidencial, restarm presas 226 mil pessoas suspeitas de ligações ao crime organizado mexicano.



Apenas 15% teriam sido julgadas e grande parte acabou, pelo lento ritmo processual, colocada em liberdade.



Os juízes, por temor, atrasariam as instruções dos processos e tardariam no lançamento de sentenças. As testemunhas, atemorizadas, raramente confirmam as versões da polícia.



Com W. Bush de pijama, a mascarada proposta de Calderón consiste em copiar o modelo colombiano dos “juízes sem rosto” (lançam sentenças sem que se revele o nome do prolator).



Calderón, que solta balões de ensaio para verificar a recepção da sua idéia quanto aos “juízes sem rosto”, desconfia que não encontrará apoio constitucional e que haverá resistência internacional de organizações ligadas aos direitos humanos.



Uma legislação de emergência pode acabar em abusos. Ou seja, a imparcialidade seria abandonada quando se esconde a identidade do juiz criminal. Depois, a situação da Colômbia era diversa da do México: os cartéis atacavam os juízes e a Suprema Corte foi invadida e os ministros metralhados.



Fora isso, o presidente está desacreditado entre a população. Todos sabem que parte expressiva do contingente empregado na War on Drugs de Calderón está corrompida pelos cartéis.



Por outro lado, os cartéis continuam a intimidar os jornalistas. Até julho, 30 jornalistas foram fuzilados.



Mais ainda, das 28 mil vítimas fatais, cerca de 70% eram de civis, sem antecedentes criminais ou ligações com o crime organizado.



PANO RÁPIDO. Sem atacar a economia movimentada pela criminalidade organizada não se consegue sucesso no contraste a esse fenômeno, que não observa limitações de fronteiras.



O mercado norte-americano continua voraz e em permanente busca por cocaína, maconha, anfetamina e mão-de-obra barata de imigrantes clandestinos. Os cartéis mexicanos são os grandes fornecedores.



Com a Guerra às Drogas, os cartéis aumentaram as suas despesas, em especial com armamentos, munições, arregimentações e treinamentos. Em razão disso, eles tentam ampliar seus domínios e, para tanto, entram em guerra para controle de territórios.

Wálter Fanganiello Maierovitch


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