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Pedofilia. Vaticano se livra do primeiro processo escandaloso nos EUA.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 10 de agosto de 2010.

Ratzinger e Bertone.


1. Três processos judiciais indenizatórios decorrentes de crimes de pedofilia perpetrados por clérigos preocupam sobremaneira o papa Ratzinger e tiram o sono do secretário de Estado do Vaticano, cardeal Tarcisio Bertone.



Os três processos tramitam em Oregon (tribunalde Portland), Wisconsin e Kentucky (Corte de Louisville).



No processo indenizatório que tramita em Oregon, a Corte Suprema dos EUA entendeu legítima a propositura de ação judicial contra a Santa Sé, diante de crimes de pedofilia perpetrados por clérigos.



Em outras palavras, a Santa Sé foi considerada pela Corte Suprema dos EUA parte legítima para figurar como ré em ação indenizatória por danos morais intentada por vítima de padres pedófilos. Ou seja, ela é corresponsável caso comprovadas as moléstias sexuais impostas pelo padre Andrew Ronan.



A Corte Suprema norte-americana rejeitou as surpreendentes e ridículas teses sustentadas pelo Vaticano, que eram:

a) os bispos e clérigos acusados não eram pagos (não recebiam salários) pelo Vaticano; b) eles não agiam sob ordens da Santa Sé; c) não eram controlados cotidianamente pelo papa Bento XVI.



No processo que tramita em Wisconsin aparecem como responsáveis pelas ações indenizatórias o papa Ratzinger e os cardeais Angelo Sodano, hoje decano do colégio cardinalício, e Tarcisio Bertone, secretário de Estado do Vaticano.



Os promoventes da ação contra o papa Ratzinger e outros são surdos-mudos. Eles alegam que foram vítimas de abusos sexuais praticados pelo padre Lawrence Murphy. À época, Ratzinger era o cardeal responsável pela Congregação para a Doutrina da Fé. O cardeal Bertone era o segundo na hierarquia e Sodano havia antecedido Ratzinger.



Depois das derrotas processuais, acaba de ocorrer uma surpresa. Esta apontada, pelos anticlericais, como um acerto fora dos autos costurado por um Vaticano em desespero pela derrocada da imagem da Igreja.



Com efeito, no processo indenizatório em tramitação perante a Justiça de Kentucky, as vítimas entraram com um pedido de desistência da ação indenizatória, fato que levará à extinção do processo sem julgamento do mérito.



A ação indenizatória de Kentucky tramita na Corte de Louisville e foi proposta contra o Vaticano em 2004.



2. Os juízes da Corte de Louisville ainda não apreciaram o pedido de desistência. Deverão aceitar, pois todas as vítimas são maiores e capazes e, ao que parece, o Vaticano vai concordar com a desistência.



PANO RÁPIDO. Pelo jeito, milagres ainda acontecem, como a desistência da ação em Kentucky. Desistência a significar que as vítimas resolveram renunciar ao dano moral.



O milagre da desistência da ação que tramita desde 2004 vem em particular momento.



O advogado contratado pela Santa Sé, Jeffrey Lena, demonstrava preocupação com o fato de o papa Ratzinger ter sido arrolado como testemunha no caso da Corte de Louisville. Também estavam arrolados Pietro Sambi, núncio apostólico nos EUA e o supracitado Tarcisio Bertone.



A preocupação do advogado Lena tem procedência. Afinal, na Corte Suprema existe precedente. Este não é favorável ao Vaticano, que, pelas peculiaridades, o seu chefe de Estado não conta com imunidades.

Wálter Fanganiello Maierovitch


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