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Pena de Morte. Mais 9 condenados e diplomático puxão de orelha em Lula.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 4 de agosto de 2010.

Irã, executa narcotraficantes.


1. Hoje, 43 países aplicam e executam penas capitais.



Dentre os chamados Estados-assassinos estão Irã e EUA.



No ano de 2009, segundo relatório divulgado ontem e comentado neste espaço do IBGF e em blog Sem Fronteiras de Terra Magazine, o Irã executou 402 sentenças condenatórias à pena de morte.



Nas próximas horas estão previstas mais execuções de penas capitais no Irã.



Além de Sakienek Ashtiani, que sensibilizou o presidente Lula, serão mortos nove condenados.



Os xiitas tribunais islâmicos de Justiça aplicam a Sharia e o Corão. E a pena de morte foi estabelecida em 1979, depois da derrubada da Monarquia e do xá Reza Pahlavi.



A Constituição de 2 de novembro de 1979 subordinou o Estado à autoridade do clero xiita, que manda aplicar a Sharia e o Corão.



Para adúlteras ou mulheres consideradas libertinas, como Sakienek, a pena imposta é a de lapidação (apedrejamento), precedida de chibatadas. Em face de pressão internacional, o Irã suspendeu a lapidação e irá trocá-la por outra forma selvagem, que poderá ser o enforcamento.



Os nove outros condenados à pena capital serão enforcados, pois dados como traficantes de drogas proibidas. Eles serão elevados por guindastes e os corpos ficarão pendurados nas hastes dos guindastes (confira foto).



Para que o castigo imposto pelo Estado teocrático iraniano possa ser visto a distância por membros da comunidade, são usadas as hastes. Em média, um corpo fica em exibição por dez horas. As execuções ocorrem entre 9 e 10 horas da manhã.



As execuções dos supracitados condenados por tráfico de drogas ilícitas, segundo anunciou Dadkhoda Salari, juiz presidente do tribunal islâmico, ocorrerá na cidade de Kerman, onde foram presos e correu o processo. Isso teria uma carga inibitória aos demais membros da comunidade.



Para Salari, os nove condenados pertenciam a uma organização criminosa que realizava tráfico de cocaína sul-americana, morfina e heroína.



2. O Irã, em assembléia especial promovida pela Organização das Nações Unidas, não concordou com a moratória da pena de morte. Esta consistente na suspensão de execuções de penas capitais até a celebração, pelos Estados-membros, de uma Convenção sobre o tema e a sua legitimidade à luz dos direitos humanos.



3. Para o clero iraniano qualquer tentativa de abolir a pena de morte atenta às leis sagradas e à interpretação dadas a elas (sharia).



Mais ainda, qualquer pedido de clemência feito por outro Estado é sempre mal recebido. Implica, na visão fundamentalista xiita, em negação das suas leis sagradas. Também em ofensa à soberania de um Estado teocrático.



Daí se deve extrair o fundamento da fala do embaixador iraniano, como a dar um puxão de orelha em Lula, por indevida intromissão: - “O presidente (Lula) da Silva tem uma personalidade muito emotiva e humana, mas provavelmente não tem informação suficiente sobre o caso”.



PANO RÁPIDO. Não se deve esquecer que o Irã, em caso de espionagem por estrangeiro punível com pena capital, já fez concessões e expulsou condenados.

Wálter Fanganiello Maierovitch


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