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Cortes extraordinárias dos Tribunais Cambojanos condenam o carceiro do Khemer Vermelho.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 26 de julho de 2010.





--1. Kaig Guek Eav, 67 anos e chamado de “companheiro Duch”, foi o responsável direto pela morte de 17 mil cambojanos. Isto durante o regime do sanguinário Pol Pot, líder máximo do Khmer Vermelho.



Duch era o chefe da principal prisão do Khmer Vermelho em Phnom Penh. Aliás, um colégio adaptado em cárcere: prisão Tuol Sleng S-21.



Pol Pot, que morreu em 1998, exterminou 1/3 da população do Camboja, ou seja, 1,7 milhão de pessoas.



Chefe da guerrilha comunista maoísta, Pol Pot assumiu o poder em 17 de abril de 1975 e foi derrubado, em 7 de janeiro de 1979, por vietnamitas filosoviéticos que invadiram o Camboja.



Só para lembrar, o Khmer contava com o apoiado explicito da China e velado dos EUA. Os invasores vietnamitas,por seu turno, tinham a ajuda dos soviéticos. Era o jogo sujo da geopolítico e da geoestratégico da época.



Os apoiadores, dos dois lados, sabiam do delírio de Pol Pot e da filosofia do khemer vermelho, ou seja, liquidar toda uma geração e moldar a nova: “um novo homem”.



Aos campos de concentração, onde morreram de fome, de doenças e por fuzilamentos, foram levados os considerados intelectuais do Camboja. Esses intelectuais eram os que sabiam mais de uma língua, os que usavam óculos de leitura ou os que tivessem, durante a existência, lido um livro não maoísta. Em síntese, formadores de opinião, com base na ideologia que se desejava apagar.



--2. Perante um tribunal penal internacional (Cortes Extraordinárias dos Tribunais Camobojanos) sob a égide da ONU, o processo penal contra Duch começou em fevereiro de 2009.



Hoje, na parte da manhã (10 hs de Phnom Penh), teve início o julgamento de Duch, que foi condenado à pena de 35 anos de prisão.



Duch era um professor de matemática quando, nos anos 60, ingressou na organização revolucionária denominada Khmer Vermelho.



No julgamento, Duch admitiu a sua responsabilidade pelas mortes ocorridas no cárcere Tuol Sleng S-21 . Frisou nunca ter matado diretamente ninguém e que “acreditava da revolução”.



A surpresa, no julgamento, ficou por conta da tese sustentada por Duch. Ele disse que uma vez integrado à organização não tinha escolha, ou seja, não podia recusar o cumprimento de ordens superiores.



--3. PANO RÁPIDO. A tese defensiva não surtiu o efeito esperado. Duch desejava ser absolvido e imediatamente colocado em liberdade. A Corte que funciona em Phnom Penh, formada por juízes estrangeiros e nacionais, considerou a atenuante da confissão e fixou a pena em 35 anos, ou melhor, cinco anos abaixo da máxima prevista.



As Cortes extraordinárias dos Tribunais Cambojanos custaram para os cofres da ONU, em 11 anos de funcionamento, exatos US$ 170 milhões.



As acusações são por crimes contra a humanidade e por violações à Convenção de Genebra das Nações Unidas. Duch foi o primeiro a ser julgado de uma longa lista de réus.

--Wálter Fanganiello Maierovitch--


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