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Chavez x Uribe. O fantasma de Raúl Reyz e a herança do disco rígido

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 23 de julho de 2010.

Uribe e Chavez.


A União Européia (EU), pelo ministério de relações exteriores, foi pega de surpresa e hoje mobilizou-se em busca de informações. Até porque as fanfarronices de Hugo Chávez e o pavio-curto de Álvaro Uribe, respectivamente presidentes da Venezuela e da Colômbia, são conhecidos.



Em Bruxelas, sede da UE, sabe-se que o foro adequado para essa questão, além da Organização das Nações Unidas (ONU), é o da Organização dos Estados Americanos (OAB). Pode-se cogitar, até,do novo Unasul, que, pela posição topográfica, exclui a participação dos Estados Unidos (EUA).



Mas, à União Européia, que luta para vencer crises econômicas internas, interessa, diante do litígio, os reflexos econômicos desse conflito em face da globalização das economias. Não se deve esquecer que Venezuela e Colômbia têm petróleo. A primeira, Venezuela, com crescimento econômico negativo e, a segunda, Colômbia, com positivo e sabendo sempre contar com aportes norte-americanos, quer oficial, quer das empresas estrangeiras que exploram o seu petróleo.



No âmbito da UE, cautela foi a palavra de ordem, pois Uribe está a esvaziar as gavetas do seu gabinete em razão do final de mandato e com o seu sucessor já eleito. Do outro lado, Chávez parece, com o anunciado rompimento e manobras de tropas, querer desviar o foco de uma questão delicada, ou seja, a presença constante de acampamentos das Forças Armadas Revolucionárias Colombianas (FARC) e da maoísta Exército de Libertação Nacional (ELN) em território venezuelano.



A questão não é nova. No disco-rígido do computador do dinamitado comandante Reys,– ele era o segundo homem na hierarquia das FARC quando surpreendido por ataque de forças regulares colombianas–, existiam muitas informações sobre movimentações das frentes e os estacionamentos delas fora das fronteiras da Colômbia. A propósito, o comandante Reyz, quando morto, estava, com o seu grupo, acampado no Equador.



Entre os 007 dos serviços secretos, nformações inéditas do disco rígido do comandante Reyz serão revelados em breve.



Com base em informações que teriam sido encontradas no computador de Reyz, é que se difundiu, principalmente pelos tucanos, o discursos de ligações do Partido dos Trabalhadores (PT) com as FARC.



Chávez e Uribe são espécies diversas do gênero populista. Um atua internamente e outro, Chávez, buscou notoriedade internacional, como um futuro herdeiro de Fidel Castro. Na Europa ocidental, de Chávez não conseguiu conquistar imagem diversa, o seja, é visto como folclórico e muito semelhante a antigos ditadores latino-americano.



No caso em questão, a Colômbia agiu corretamente ao levar ao foro competente, Organização dos Estados Americanos (OEA), documentos (fotografias, vídeos e escritos) a caracterizar violação da sua soberania.



A esse fato, Chávez promoveu reação desproporcional. Ao invés de apresentar defesa no foro adequado, optou pela pirotecnia. Anunciou ruptura de relações diplomáticas, marcou prazo para a saída do embaixador da Colômbia, convocou o Conselho nacional de defesa, determinou alerta máximo e já fala em risco de agressões iminentes por parte colombiana.



PANO RÁPIDO. Chávez dá, de bandeja, argumentos para os opositores do governo Lula voltarem aos temas atinentes às ligações Chávez-PT-FARC. No mesmo pacote entrarão as questões de Honduras e do Irã. De quebra, Chávez usa, como laranja e no permanente papel de provocador, Maradona, este presente quando do aviso do rompimento diplomático.



Já dá para imaginar como esse tema vai render. Fora, rios de tinta, toneladas de papel e aumento de tráfico nas info-vias.

– Wálter Fanganiello Maierovitch–


Raul Reyz


Sobre Raúl Reyz e as FARC.

Raul Reys, morto em março de 2008, era o segundo homem na hierarquia militarizadas das FARC. Deveria ser o sucessor do velho Manuel Marulanda (apelidado Tiro-Fijo), fundador e líder da organização, que começou insurgente e virou narco-terrorista.



O comandante Raúl Reys, como ficou conhecido, era o secretário do Estado Maior Central das FARC , ou seja, ocupava o equivalente de ministro da guerra (ministro de exército), num estado regular.



Reys, desde 2005, circulava pela fronteira com o Equador. Em 18 de maio de 2005, do Equador, concedeu uma explosiva entrevista à Equavisa, que é o Canal 8 da Televisão do Equador. Nela sustentava a liberação das drogas.



O exército colombiano caçava Reys nas selvas, nos confins entre a Colômbia e o Equador. Isto desde a supracitada entrevista de 2005. O comandante Reys chegou a sustentar, — num jogo de cena e quando se comprovou que as FARC estavam a sustentar e a receber dividendos com o tráfico de cocaína, maconha e heroína –, a liberação das drogas ilícitas : - “A guerrilha está de acordo em combater o narcotráfico no mundo e, por isso, quer a legalização do comércio”.



Reys, à época, ressaltou, em abono à sua tese, que a ocorrer a legalização, “o tráfico de drogas não seria mais um negócio”. “O narcotráfico está presente no sistema de poder (governo) colombiano. A maior parte dos governantes colombianos sustentam-se politicamente com o dinheiro do narcotráfico”.



Numa célebre entrevista ao Pravda russo , o comandante Reys declarou: “Não fazemos a guerra pela guerra e sim porque as circunstâncias políticas nos têm levado a enfrentar armas com armas”.



Nessa entrevista ao Pravda, Raúl Reyes apontou os caminhos para a paz, mas que as FARC, no final dos anos 90, rejeitaram: o ex-presidente Andres Pastrana (antecessor de Uribe e hoje embaixador colombiano em Washington) liberou à guerrilha e desmilitarizou de forças de ordem, para iniciar o processo de pacificação, uma área territorialmente maior que a Suíça, em Caguán. A inciativa de Pastrana foi interrompida em 2002, com o exército retomando as áreas liberadas da região de Caguán.



Mas, sobre como alcançar o processo de paz, frisou Reys: “- “Nossa principal bandeira tem sido e continua sendo a convicção profunda e sincera de ser possível alcançar as transformações sociais fundamentais que Colômbia precisa, por vias distintas à guerra entre irmãos de uma mesma Pátria. E nisso seguimos insistindo”.



O certo é que sob o comando de fato de Raúl Reys (Marulanda está velho e nunca foi ideólogo), as FARC perderam seu lugar na história. Isto ao trocar a luta ideológica pela barbárie, com eliminações de civis, seqüestros, extorsões, etc.



Mais ainda, deixar essa organização se desvirtuar foi responsabilidade de Reys.



As FARC nasceram em 1964 como organização insurgente. Isto por respeitáveis razões histórico-culturais, que deitam raízes no ano de 1948: confira-se em 19 de abril de 1948 o assassinato, — a mando dos latifundiários– de Jorge Eliécer Gaitán, o líder mais popular da história da Colômbia. Gaitán era considerado o próximo e imbatível presidente colombiano.

WFM.


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