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Guerra às drogas no México. 200 mortos em seis dias. Despenca o turismo.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 18 de junho de 2010.





Nos últimos seis dias, a militarizada “guerra às drogas” iniciada pelo presidente Felipe Calderon contabilizou 200 mortos. Como ocorre desde 2006, civis inocentes são as grandes vítimas.



Sem contar mais com o apoio de George W.Bush e com o presidente Barack Obama a criticar a política de “war on drugs” e a cortar aporte financeiro para a sua sustentação, Calderon, que perdeu apoio popular em razão dessa aventura, vê despencar, por todo o México, as fontes do turismo e dos investimentos desse segmento no país. Sua recente viagem ao Japão, em busca de doações para prosseguir na guerra com os cartéis, foi um fracasso, como o Plan Mérida, ou seja, uma adequação ao Plan Colômbia, preparado pelo então presidente W.Bush para o México.



Não se deve olvidar que 90% da cocaína ofertada nos EUA ingressa pelo México. E 90% das potentes armas de fogo na posse dos cartéis foram adquiridas nos EUA e ingressaram pela fronteira.



O México, --antes da guerra às drogas iniciada em 2006 e logo no primeiro dia do mandato presidencial de Calderon--, recebia, anualmente, cerca de 20 milhões de turistas. Em 2009, o número caiu pela metade e, neste 2010, as projeções apontam para pioras.



Diante dos dados negativos, Calderon acaba de anunciar, na chamada Baja Califórnia, a iminente celebração de contratos com empresas internacionais que exploram o turismo. O povo mexicano desconfiou, pois o presidente Calderon, questionado pela imprensa, não quis dar os nomes dos investidores.



Para muitos analistas, Calderon procurou, com o discurso de novos investimentos no turismo, criar um factóide. Isto para desviar a atenção em face das recentes tragédias: 200 mortos nos últimos seis dias.





Na quarta-feira, na Ciudad Juarez (fronteira com os EUA), duas mulheres e quatro homens foram executados. Eles estavam internados numa clínica de tratamento de dependentes de drogas. Cerca de 15 membros do cartel de Juarez invadiram a clínica e executaram as vítimas, pois suspeitavam de delações feitas por elas. Quando do ataque estavam na clínica apenas seis toxicodependentes e um menino de dois anos de idade, filho de uma dependente. Apenas o menino de dois anos de idade foi poupado, ou melhor, sobreviveu.



Hoje, a imprensa mexicana recorda que, poucas semanas atrás, ocorreu, em Chihuahua, igual ataque, que resultou na morte de 19 pessoas.



PANO RÁPIDO. Um levantamento publicado em de agosto de 2009, ou melhor, um balanço do último ano e meio de ‘war on drugs’, apontava para 8 mil mortes. Mais ainda, a vitória dos cartéis sobre as forças policiais de ordem e o exército mexicano.



A sociedade civil mexicana, --que retirou o apoio dado inicialmente à “guerra às drogas” idealizada e executada pela dupla Calderon-W.Bush--, percebe estar a violência a crescer em progressão geométrica. Das vítimas fatais, 70% são civis, sem qualquer vínculo com os cartéis ou com o tráfico de drogas. No momento, os mexicanos percebem que a “war on drugs” espanta os turistas.

--Wálter Fanganiello Maierovitch--


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