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Israel x Agência Reuters. O punhal e o sangue cortados da fot divulgada.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 09 de junho de 2010.

A foto, sem cortes.

Israel parte para o diversionismo.



Por primeiro, acusa a inglesa Reuters, --uma das maiores agências internacionais--, de ter, por meio de foto montagem (photoshop), excluído, de uma imagem difundida, um punhal e uma poça de sangue.



O punhal tirado da imagem divulgada pela Reuters era empunhado por um ativista humanitário, tripulante da embarcação turca Mavi Marmara, no incidente de 31 de maio, que resultou em nove mortes.



A poça de sangue, excluída pela Reuters, estava ao lado do corpo caído do soldado israelense ferido.



A foto completa, sem cortes, foi publicada pelo blogger independente ‘Litte Grenn Footballs’.



Logo depois, a foto inteira acabou publicada no jornal turco Hurryet.



A cena, sem cortes, revela o corpo ferido do soldado, o ativista próximo a empunhar punhal e a poça de sangue provocada pelo ferimento no militar.



Israel, pela boca do ministro Yuli Edelstein, --da pasta de Informações--, diz, em nome do governo do premier Netanyahu, que a foto, sem cortes, mostra que os soldados israelenses foram atacados pelos tripulantes da nave turca Mavi Marmara e reagiram, em legítima defesa.



Não há dúvida de que a foto divulgada pela Reuters foi cortada e excluiu o ativista que portava o punhal e o sangue decorrente do ferimento do soldado israelense.



A própria agência Reuters admitiu corte, em procedimento que alegou ser comum e referente ao corte nas bordas. A agência esclareceu que, ao perceber o erro do corte, substituiu a imagem, pela original, com punhal e sangue.



De se acrescentar, ainda, que a Reuteurs, em 2006 e quando Israel bombardeou Beirut (guerra de 2006), acrescentou, por photoshop e em foto da cidade atingida, fumaça densa para dramatizar o ataque.



Apesar dos desencontros sobre a imagem que levou Israel a acusar a agência Reuters de parcialidade, o diversionismo, no momento, está no fato de Israel querer, com a foto, caracterizar uma situação de legítima defesa atípica, à luz do direito internacional.



Quem toma a iniciativa de atacar (caso de Israel) não pode, em caso de reação do atacado, invocar legítima defesa. Isto ensina o direito internacional e concluem as convenções. Em outras palavras, aquele que provoca não pode, posteriormente, alegar legítima defesa.



No dia 31 de maio passado, em águas internacionais, uma embarcação turca foi atacada quando se movia, a título de ajuda humanitária, para chegar até à faixa de Gaza e penetrar em zona bloqueada por Israel desde junho de 2007 (quando o Hamas tomou, na faixa de Gaza, o governo da Autoridade Palestina e das milícias da Fatah).



detalhe do corte


Com efeito. O ataque em águas internacionais de uma nave humanitário caracteriza crime de guerra.



O posterior embate havido, --e devido da invasão da Mavi Marmara e ataque de iniciativa israelense--, jamais caracterizaria, num juízo técnico-jurídico, legítima defesa. Volto ao ponto:quem provoca um ataque não pode alegar atuação em defesa legítima.



Fora isso, houve, também, a desproporcionalidade do ataque. Essa desproporcionalidade descaracteriza, também, a legitimidade do ataque.



PANO RÁPIDO. O certo é que Israel mudou a tática. Como se sabe, nos últimos dois anos seis embarcações com pacifistas,-- a transportar ajuda humanitária--, foram bloqueadas pela chamada Força 13 de Israel. Nessas ocasiões, não houve ataque, nem embate ou derramamento de sangue. Apenas bloqueio, como ocorreu, há poucos dias, com a nave retardatária e que deveria estar integrada à flotilha encabeçada pela Mavi Marmara.



Enquanto isso, o Irã continua a guerra psicológica contra Israel. Isto ao sustentar estar a preparar três embarcações humanitárias, que navegarão sob proteção dos pasdarán.



Amr Moussa, líder da Liga Árabe, anunciou estar pronto a embarcar numa nave de ajuda humanitária disposta a chegar à faixa de Gaza.



Por seu turno, Israel promete colocar no ar, via satélite, um canal informativo para “difundir a verdade”. Um canal televisivo, 24 horas. Algo para contrastar a Al Jazeera.



Nada parece aplacar ódios eternos.

--Wálter Fanganiello Maierovitch--


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