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Jamaica. O chefão Dudus, do bando Shower Posse, em guerra com o governo e a DEA dos EUA.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 26 de maio de 2010.


Campo de cannabis na Jamaica



1. O premiê jamaicano Orette Bruce Golding, pressionado pelo governo norte-americano de Barack Obama, decretou, ontem, estado de emergência na Jamaica e colocou as forças de ordem para enfrentar o bando Shower Posse, comandado por Christopher Coke, de 42 anos.



Coke, apelidado de Dudus, controla em Kingston (capital da Jamaica) o bairro de Tivoli Garden. Nesse feudo, ele construiu uma fortaleza.



Dudus é potentíssimo na Jamaica, onde recicla o dinheiro sujo do tráfico de maconha e crak para os EUA.



A reciclagem se dá em empresas de transporte, construção civil, turismo, cassinos e eventos musicais, que fazem Bob Marley girar na tumba de vontade de voltar.



O big boss Dudus controla políticos e já deu apoio ao partido do primeiro-ministro Bruce Golding.



Os EUA, sem sucesso, já pediram a extradição de Dudus por tráfico internacional.



Segundo o FBI (polícia federal norte-americana), Dudus está associado a um grupo mafioso que atua em Nova York e em várias grandes cidades dos EUA. Sua organização criminosa, o Shower Posse, exporta maconha jamaicana e crack e recebe, do crime organizado norte-americano, potentes armas de fogo, além de farta munição.



Como acontecia com o megatraficante Pablo Escobar, que se gabava de ter dado a 3 milhões de empregos ao povo colombiano, Dudus, em Kingston, é considerado um Robin Hood. Popular, ele recomenda votos nos pleitos eleitorais.



2. Ontem, no curso do combate, a polícia conseguiu retirar mulheres e crianças do bairro de Tivoli Garden. Dois civis foram mortos em decorrência da troca de tiros.



A surpresa ficou por conta da união, em apoio à Shower Posse de Dudus, de 15 chefões de bandos que eram rivais.



Hoje, as 15 organizações criminosas aderentes ao bando de Dudus promovem guerrilha urbana.



Os agentes secretos da agência americana DEA (Drug Enforcement Administration), que pressionam o premiê, acompanham e passam ordens ao comando policial, não esperavam a união dos bandos e os ataques às tropas oficiais, feitos pela lateral e retaguarda: as tropas oficiais atacavam de frente a fortificação de Dudus e acabaram surpreendidas pelas laterais e pela retaguarda.



Outro dado surpreendente foi a presença de civis, com cartazes e camisetas com frases pró-Dudus, que tentavam formar uma barreira de proteção humana à fortaleza do boss, provavelmente já foragido do local, como se suspeita.



3. Dudus nasceu gangster. Ele herdou o bando de seu genitor, Leister, morto em 1992 durante incêndio no presídio de Kingston.



Leister traficava maconha para os EUA e tinha políticos no bolso.



O bando Shower Posse, além do tráfico, promoveu, pelo mundo, um megaestelionato. Primeiro com correntes de felicidade. Depois, por avisos de ganho em loteria e pedido de envio de dinheiro para desbloquear o prêmio e enviá-lo ao vencedor. Por último, proposta de investimentos com lucros bilionários: os que topavam viajavam para a Jamaica e eram sequestrados.



4. O plantio e comércio da maconha atrai turistas e sustenta grande parte do PIB (produto interno bruto) da Jamaica. Pela qualidade, a maconha jamaicana ganhou fama e é muito requisitada nos mercados internacionais.



Terceira maior ilha do Caribe, a Jamaica tem alto porcentual de desemprego (10,6%, com 60,8% entre as mulheres), uma taxa de 1.600 homicídios por ano e 15,9% de mortalidade infantil (levantamento de 2007).



O Instituto Geográfico de Agostini, um dos mais respeitados da Europa, informa ter a Jamaica 2.607.632 habitantes e 53% de concentração urbana.



Além desses, 2 milhões de jamaicanos residem no exterior.



A corrupção é altíssima no país, antiga colônia britânica. A Jamaica tornou-se independente em agosto de 1962. Membro da Commonwealthk tem, como forma de governo, uma monarquia constitucional: a chefe de Estado é a soberana do Reino Unido.



Pano Rápido. Na terra de Bob Marley e do velocista Usain Bolt, o primeiro-ministro Orette Bruce Golding passa por dificuldades.



O seu partido trabalhista, conhecido pela sigla JLP, já foi dependente financeiro e de votos conseguidos pelo boss Dudus.



Com o aperto dos EUA, o premiê Bruce Golding sabe que, se não enfrentasse Dudus, correria o risco de integrar a lista americana (anualmente enviada ao Congresso) dos que dão proteção a narcotraficantes.

Wálter Fanganiello Maierovitch


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