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Drogas. AP faz análise critica dos 40 anos da war on drugs. Críticas também a Barack Obama.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 24 de maio de 2010.



--1. A agência norte-americana Associated Press (AP) é a mais antiga do mundo e está entre as três maiores difusoras de informações e de conteúdos jornalísticos. Além de difundir informação, a AP apresenta, na seção ‘Impact’, análises políticas. E essas análises são capazes, --pelo prestígio editorial--, de mexer com a cabeça dos americanos e, assim, influenciar a opinião pública. Para a AP, os 40 anos de “war on drugs” promovidos pelos EUA resultaram em trilhões de dólares jogados no ralo e milhares de vidas perdidas sem nenhum resultado útil. Pelos cálculos da AP foram US$1,0 trilhão de gastos. Com base em dados, o editorial-balanço da AP destaca que a “war on drugs” (iniciada na presidência de Richard Nixon depois do fracasso no Vietnã e para justificar as centenas de soldados americanos que voltaram ao país dependentes de heroína) resultou no aumento do consumo e da violência, esta cada vez mais brutal. Na matéria “Impact”, um dos alvos é o presidente Barack Obama e o seu czar antidrogas Gil Kerlikowskw, um ex-policial. E Obama é atacado pela sua “nova estratégia para enfrentar a questão das drogas”, lançada em 11 de maio passado. Segundo a AP a estratégia de Obama é enganosa. Ou seja, o presidente diz uma coisa e realiza outra. Na verdade, Obama muda apenas no discurso. Isto porque, conforme ressalta a AP, está a dar prosseguimento à política de guerra às drogas dos seus antecessores: “A sua administração cuidou de aumentar, --e ela virou recordista--, os financiamentos às autoridades judiciárias e de polícia, seja em termos absolutos de dólares, seja em termos porcentuais. Neste ano de 2010, o aparato repressivo receberá US$10 bilhões dos US$15,5 bilhões disponíveis para enfrentar amplamente o problema representado pelas drogas ilícitas”. Em outras palavras, Obama, no início do seu mandato presidencial, considerou a “war on drugs” um grande equívoco dos seus antecessores. E prometeu mudanças. Só que o presidente Obama, por exemplo, deu sinal verde para a construção de bases militares, voltadas ao combate militarizado às drogas, na Colômbia e próximas à fronteira com a Venezuela. Como se nota, trata-se a mesma geoestratégia militarizada usada pelos antecessores, objeto da política de “guerra às drogas” fora do território norte-americano. A propósito, era intenção de Obama realizar, no Afeganistão, uma adaptação do ‘Plan Colombia’. Pretendia erradicar, manualmente (não com aviões a despejat herbicidas, como na Colômbia), as áreas de plantio de papoula. Como percebeu que os senhores da guerras (chefes de etnias) eram contrários, Obama mudou de idéia. Até agora e com relação ao fenômeno representado pelas drogas ilícitas, a AP produziu as críticas mais contundente contra o presidente Obama, no que toca as drogas. Só para recordar, o ponto fulcral da “nova estratégia” apresentada por Obama está nas reduções, nos próximos cinco anos--, (1) de 15% no número de usuários de drogas proibidas e (2) de 15% nas mortes logo após, ou logo depois, do consumo. Para isso, o governo Obama promete incrementar e prorizar a prevenção e o tratamento. --2. PANO RÁPIDO. Apesar da mudança anunciada (a “war on drugs” a dar lugar à prevenção e ao tratamento), continuam a atuar os chamados tribunais para dependentes químicos. Nesses tribunais, o encontrado na posse de droga proibida para uso próprio é indagado se prefere ser submetido a tratamento compulsório ou se opta pela cadeia (prisão). No primeiro caso, é avisado que se voltar a ser surpreendido com drogas para uso, cumprirá duas penas, com a última agravada pela reincidência. Os tribunais para dependentes químicos, regiamente contemplados com recursos financeiros na estratégia Obama, nada mais são do que uma invenção do antecessor W.Bush, na sua política de militarização. Trata-se de uma vertente judiciária repressiva da “war on drugs”. É a vertente da criminalização e da prisão do usuário. Tudo mudar para que continue tudo como está, é fórmula muito antiga e anunciada no livro O Gattopardo, do grande escritor Tommasi di Lampedusa. Pelo jeito, Obama leu e gostou. --Wálter Fanganiello Maierovitch--


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