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Terrorismo. Al Qaeda busca armas nucleares de destruição, segundo a CIA.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch/CARTA CAPITAL

IBGF,16 de maio de 2010.


Bin Laden.


O presidente Barack Obama, no summit sobre segurança nuclear realizado no mês de abril em Washington, fez um apelo dramático: “Mundo, impeça uma Al-Qaeda nuclear”. Obama afirmou também que organizações terroristas (como a Al-Qaeda) buscam há anos adquirir material e tecnologia para fabricar armas radioativas explosivas.



No mesmo encontro de 46 líderes mundiais, a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, afirmou que um ataque terrorista com emprego de componente nuclear em plena Times Square causaria, em um primeiro impacto, milhões de mortes.



Ainda bem que o projetado por Hillary na Times Square não passou, no dia 1º de maio, de um atentado fracassado. Aliás, nada nuclear e engendrado amadoristicamente por Faisal Shahzad, de 30 anos, nascido na explosiva região da Caxemira paquistanesa e naturalizado americano em abril de 2009. No automóvel-bomba que imaginou apto a explodir, Shahzad esqueceu até de tirar o decalque da oficina mecânica onde esteve para fazer recente revisão. Nessa oficina, ele preencheu ficha onde forneceu corretamente o endereço, o número do celular e o e-mail.



Por evidente, em tempos desafiadores protagonizados pelo presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad, impressiona falar do risco de armas nucleares caírem em mãos de organizações de jihadistas. Esse tipo de discurso ajuda na montagem de um clima aterrorizante em um encontro internacional como o de Washington.



Pelo andar da carruagem, não vai demorar para os 007 da Central Intelligence Agency (CIA) espalharem na mídia que o livro de cabeceira de Osama bin Laden tem como autor o teórico saudita Nasir Al-Fadh. A propósito, Al-Fadh, em 26 páginas, justificou a legitimidade do uso de armas nucleares. Assim, para Bin Laden, uma arma nuclear de ataque seria um presente de Alá.



Para a CIA, faz 15 anos que os alqaedistas se empenham na obtenção daquilo que chamam de mobtaker (invenção), numa referência a artefatos nucleares de destruição em massa. Os especialistas desmontam com facilidade esse terror da CIA. Dizem que chegar a comprar um apetrecho nuclear para depois poder usá-lo é algo muito complexo. Além disso, o alqaedismo, permanentemente acossado e sem recursos, não conseguiria criar laboratórios e centrais nucleares para ter o seu próprio arsenal.



De acordo com a CIA, houve um encontro de Bin Laden com Bashiruddin Mahmoud, importante personagem do órgão de gestão atômica do Paquistão. Isso tudo simultanea-mente a uma reunião promovida por representantes da cúpu-la alqaedista com A. Q. Khan, o paquistanês acusado de ter vendido tecnologia proibida à Coreia do Norte, à Líbia e ao Irã. No campo do ridículo, tudo soa como o grampo sem áudio denunciado pelo ministro Gilmar Mendes.



Nesse vale-tudo sobre aquisição e contatos, não deixou de pontificar, em entrevista gravada, Al-Zawahiri, o número 2 na hierarquia da Al-Qaeda: “Basta ter 20 milhões ou 30 milhões de dólares, dar um pulo na Ásia Central e fazer uma oferta a um físico soviético descontente. É o necessário para voltar para casa com uma dúzia de equipamentos nucleares portáteis”.



O diagnóstico do médico egípcio Al-Zawahiri não é de todo enganoso. As máfias russas e os descontentes da antiga KGB, depois da desintegração da União Soviética, promoveram um supermercado pegue-pague nuclear, sobre o qual Vladimir Putin custou a retomar o controle. O temor é grande a ponto de os EUA entregarem à Rússia, a fundo perdido em nome da segurança nuclear, 1,2 bilhão de dólares. Ainda assim, em uma guerra entre espiões, Alexander Litvinenco acabou envenenado com o radioativo polônio-210, durante almoço em um restaurante londrino. O acordo EUA-Rússia melhorou os serviços de inteligência da ocidental Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea), mas a sua rede de segurança não é confiável: em 2010, ocorreram 18 “incidentes”, casos com material radioativo explosivo em mãos não governamentais.



Pode-se afirmar com segurança que a Al-Qaeda ainda está longe da posse de materiais de destruição em massa. Os alqaedistas, contudo, embora quebrados financeiramente e com duas baixas recentes e significativas no Iraque (Abu Omar al-Baghdadi e Abu Ayyub Al-Masri), podem construir a chamada “bomba suja”. Uma bomba suja espalha radioatividade num ambiente e é elaborada com explosivo convencional (dinamite) misturado com fertilizante e material radioativo do tipo césio-137.



Mais provável de acontecer nos EUA é um ataque das chamadas milícias apocalípticas, de ultradireita, capazes de usar armas químicas ou bacteriológicas. As lambanças do FBI e da CIA no quase atentado de 1º de maio na Times Square, com o suspeito Sharzad tirado do Boeing da Emirates na undécima hora e o seu nome lançado, mas não disponível, nos terminais de acesso à no fly list (lista dos impedidos de embarcar em aviões), mostram falhas capazes de deixar Ahmadinejad mais marrento do que nunca.

--Wálter Fanganiello Maierovitch.


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