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Drogas. Obama anuncia a nova estratégia. Foco na prevenção e no tratamento.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 12 de maio de 2010.

Obama, um fumante.



Não se trata de uma nova política antidrogas, mas de um plano estratégico, com abandono de linhas de anteriores governos e de reaproximação à linha humanista do democrata Jimmy Carter, que foi o 39º. Presidente norte-americano com mandato de 1977 a 1981.



Barack Obama, ontem, apresentou os pontos principais e norteadores da sua estratégia para contrastar o fenômeno representado pelas drogas ilícitas, num país que é campeão mundial de consumo.



O ponto fulcral da estratégia está nas reduções, nos próximos cinco anos--, (1) de 15% no número de usuários de drogas proibidas e (2) de 15% nas mortes logo após, ou logo depois, do consumo. Para isso, o governo Obama incrementará a prevenção e o tratamento.



Para Gil Kerlikowiske, --novo czar das drogas da Casa Branca--, o plano estratégico de Obama “representa uma reviravolta radical a respeito do passado”.



Durante muitos anos, destacou Kerlikowskw, cantou-se uma falsa vitória na luta contra as drogas. Os que anunciavam a falsa vitória baseavam-se, apenas, na queda no número de jovens que tinham experimentado maconha. Ignorava-se, asseverou Kerlikowiske, o grande aumento de vítimas por overdose causada pelo abuso no uso de novas drogas ou, então, pelo consumo impróprio de medicamentos prescritos por médicos.



O presidente Obama reconheceu, ao anunciar a nova estratégia: - “Tratar-se de um desafio complexo que prevê, juntamente ao incremento da prevenção de base, o aumento de (1) metas e políticas de tratamento, (2) o reforço necessário no que toca ao esforço preventivo e (3) a colaboração com os nossos partner internacionais. Somente promovendo todas essas coisas juntos conseguiremos reduzir o consumo de drogas e os gravíssimos danos causados por elas à nossa comunidade”.



A nova estratégia encoraja os médicos de família a perguntar aos seus pacientes se têm problemas com drogas, de modo a antecipar medidas voltadas a convencer e conduzir ao tratamento.



Para médicos e operadores no campo das drogas e da toxicodependência, a estratégia inova ao inserir os eventuais tratamentos entre os chamados de base, preferenciais.



PANO RÁPIDO. O anúncio tardou. No início do mandato, Obama deu indicativos de mudança. Escolheu um czar que chegou criticando a política de “guerra às drogas”, iniciada no governo Ronald Reagan e nunca abandonada, apesar da completa falência.



Outro indicativo de que seria feitas mudanças foi a determinação de Obama de a polícia federal cessars com as perseguições feitas aos que faziam uso de maconha para fim terapêutico e conforme estabelecido em leis estaduais. No particular W.Bush soltou a polícia federal a prender idosos que usavam maconha. Para isso, Bush foi à Corte Suprema e logrou uma decisão que declarou ser de competência federal (e não estatual) a elaboração de leis sobre drogas ilícitas. Com isso, Bush entendeu inconstitucionais as leis estaduais que admitiam o uso médico-terapêutico da maconha e partiu para a repressão.



No final de 2009, Obama deu um breque no presidente mexicano Felipe Calderon, interessado em continuar a sua sangrenta e infeliz guerra às drogas que contava com o apoio financeiro dos EUA: “Plan Mérida”. Calderon perdeu apoio popular e os cartéis vencem a tal guerra. Uma guerra cujas vítimas fatais, em quase 80%, são de civis inocentes.



Obama, na nova estratégia, fala em apoio aos parceiros internacionais na repressão. Não deixou claro que tipo de apoio. Sabe-se, no entanto, que não apoiará os militarizados planos de “war on drugs”, tipo Plan Colômbia, Pla Dignidade (Bolívia) ou Plan Mérida (México).

--Wálter Fanganiello Maierovitch--


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