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Terror e Trapalhas no atentado frustrado de Times Square (Nova York).

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 07 de maio de 2010.

O terrorista trapalhão.



I. --Os TRAPALHÕES-- primeira parte-.


1. Na segunda-feira 3, os agentes do FBI (polícia federal) e os 007 da CIA e da Homeland Security já tinham certeza quanto à identidade do autor do falido de atentado terrorista na Times Square. Era Faisal Shahzad, de 30 anos de idade e naturalizado americano em abril de 2009. Ele é que estacionara um carro-bomba na Times Square, no dia 1º de maio.




Para evitar que Shahzad tomasse um avião e saísse dos EUA, seu nome foi enviado pelo FBI, no domingo, com alertas para o banco de dados dos proibidos de voar. A famosa “no fly list”.




Apesar disso, Shahzad conseguiu, com documentos originais, comprar passagem e embarcar no Boeing da Emirates. Um vôo com destino a Dubai.




Para surpresa dos 007, seu nome não constava na “no fly list”. Motivo: o processamento de dados não é imediato e pode levar até 48 horas.




Por um golpe de sorte, os agentes do FBI — com base em informe de que Shahzad já sabia que estava sendo procurado — resolveram realizar diligência no aeroporto John F. Kennedy.




Shahzad foi algemado às 23h45, quando o avião, que estava prestes a ingressar na pista de decolagem, recebeu ordem de retorno. Entre a descoberta do utilitário e a prisão passaram-se 53 horas.




2. Outro dado que espanta o cidadão norte-americano diz respeito à facilidade de aquisição e o “custo” baixo do material utilizado no fracassado atentado. Mais ainda, o potencial ofensivo do artefato de fabricação caseira, num centro urbano movimentado como a Times Square: cerca de 100 transeuntes poderiam ter perdido a vida, fora feridos graves e leves.




Quanto aos preços:




a) US$15 para a compra de dois galões de gasolina.




b) US$11,99 de gasto com um saco de fertilizante.




c) US$ 80 pagos por dois botijões de gás propano.




d) US$ 61 com a compra de 61 petardos de ativação da explosão.




f) US$ 5 para aquisição de dois relógios digitais com timer-despertador.




O veículo empregado, um utilitário da marca Nissan com dois anos de uso, custou US$1.300: a compra foi realizada com cédulas de cem dólares.




Caso Shahzad tivesse um pouco mais de conhecimento, a explosão poderia ter ocorrido. Ele errou na medida da abertura dos dois registros de gás e o fertilizante não tinha potencial explosivo. Fora isso, um dos relógios não despertou.




3. O utilitário Nissan foi estacionado na Times Square no sábado 1º de maio. As placas eram de outro veículo, mas o chassi havia sido grosseiramente raspado. Isso levou ao antigo proprietário.




Shahzad esqueceu de tirar um decalque de propaganda da oficina mecânica que tinha revisado o utilitário a seu pedido. Na oficina mecânica, havia sua ficha completa, com número de celular e e-mail.




O FBI, pelo e-mail de Shahzad, chegou ao YouTube, onde ele havia postado um estranho vídeo com reivindicações.




4. Com trapalhadas bilaterais — caracterizadas por episódios rocambolescos por parte do paquistanês Shahzad (ligado a movimento de tomada da Caxemira pelo Paquistão), do FBI, da CIA e do Homeland Security — o grande herói foi Lance Orton, o vendedor de bugigangas de Times Square.




O ambulante Orton revelou que trouxe da guerra do Vietnã o hábito de estar sempre atento e observar permanentemente o que está ao seu redor. Assim, percebeu que do interior do utilitário estacionado saía um fio de fumaça escura. Foi suficiente para chamar a polícia.




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II-TRAPALHÕES-- parte final.






–1. Os republicanos fazem terrorismo com o terror. No velho e surrado estilo George W.Bush.




No momento, as trapalhadas dos 007 dos serviços de inteligência e dos agentes do FBI (polícia federal) são destacadas pelos republicanos. E eles usam, nos ataques verbais, os casos dos atentados falidos promovidos (1) por Faissal Shahzad, –no dia 1 de maio–, e (2) por Umar Farouk Abdulmutallab, no final de dezembro de 2009: sobre trapalhadas rocambolescas, confira “post” publicado ontem neste blog Sem Fronteiras.




Ao focar o discurso do medo, os republicanos acusam Barack Obama de ser, no seu governo, incapaz de assegurar segurança interna e de fornecer tranqüilidade aos cidadãos, dados como desprotegidos em face de permanentes investidas de terroristas.




–2. O nome de Faissal Shahzad, de 30 anos, não aparecia, na segunda-feira, 3, na lista dos proibidos de voar: “no-fly list”.




Nas telas de consulta dos terminais de acesso pelas companhias aérea não apareciam o nome, fotografia ou o número do passaporte de Shahzad. Em síntese, ele não constava da “no-fly list”.




Segundo revelou a direção do FBI, na segunda-feira, 3, às 12h30, o nome de Shahzad foi digitado para ingresso na base de dados reservada aos suspeitos que estão proibidos de voar.




O dado, no entanto, só foi disponibilizado às companhias aéreas, via telemática, depois de passadas 24 horas. Ou seja, Shahzad, na segunda-feira, 3, embarcou tranqüilo no Boeing da Emirates, às 23h02, no aeroporto JFKennedy.




No final de dezembro de 2009, o nome do nigeriano Umar Farouk Abdulmutallab, de 23 anos, também não constava da “no-fly list”. E até o seu pai, um influente e rico banqueiro de perfil filo-americano, já o havia denunciado junto à embaixada norte-americana em Abuja (Nigéria), por ligações com o extremismo islâmico.




Mais ainda. O nome de Umar integrava a base de dados dos EUA sobre pessoas vizinhas aos ambientes islâmicos radicais. Apesar disso, não estava na lista dos proibidos de voar e contava, no passaporte, com recente visto autorizador de entrada nos EUA.




Com passaporte e sem nome na lista, Umar não teve nenhuma dificuldade de passar, na escala feita, pelo controle de segurança do aeroporto de Schiphol (Amsterdã-Holanda): ele partiu de Lagos com destino aos EUA e escala em Amsterdã. Em espaço aéreo norte-americano anunciou que explodiria o avião, mas acabou dominado pela tripulação e passageiros.




–3. Os opositores do governo Barack Obama não deixam de lembrar ter o FBI, na segunda-feira e por voltas das 13h30, perdido de vista Shahzad, que já havia sido identificado e estava sendo seguido para verificação de eventual contatos com outros terroristas.




Com efeito, dado como desaparecido, Shahzad reservou, por telefone, a compra de uma passagem para Dubai, no voo das 23 horas da companhia Emirates.




No aeroporto JFK, a compra foi efetivada às 19h35.




Um detalhe: ele só comprou bilhete ida.




Sem informações e no desespero, agentes do FBI resolveram pedir, às 20h40 , a lista de embarque de voos. Numa delas, estava o nome do procurado Shahzad. Às 23h45, o piloto da Emirates, na cabeceira da pista, recebeu ordem para retornar.




Dentro do avião, acomodado, estava Shahzad, que recebeu voz de prisão.




–4. PANO RÁPIDO. Ao receber voz de prisão, Shahzad fez uma revelaçãoo e uma pergunta: - “Estava à espera de vocês. Só me digam, vocês são do FBI ou da polícia de Nova York ?”




Como se percebe, o presidente Obama conta com 007 de inteligência e com agentes policiais que, seguramente, realizaram curso de especialização na “Armata Brancaleone”.




–Wálter Fanganiello Maierovitch–


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