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Crime Organizado. Lula e Lugo unidos.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 03 de maio de 2010.
Lula e Lugo.



1. Depois do atentado contra o senador paraguaio Robert Acevedo, atribuído a narcotraficantes associados à organização criminosa paulista conhecida por Primeiro Comando da Capital (PCC), e de um “brancaleônico” grupo de guerrilheiros paraguaios que levou à adoção de medidas de exceção pelo governo, ocorreu ontem, em Ponta Porã (MS), um encontro entre os presidentes do Paraguai e do Brasil.



2. No encontro, o presidente Lula, depois de recordar a existência de uma criminalidade transnacional, que atua sem limitação de fronteiras, anunciou a instalação de 11 bases para a Polícia Federal e a Força Nacional de Segurança.



Essas bases servirão para reprimir diversos ilícitos, como o tráfico de drogas proibidas, de armas e as contrafações (pirataria). As bases, segundo Lula, serão instaladas em cidades localizadas nos estados federados que fazem fronteiras com Estados nacionais.



3. Hoje, o tráfico de drogas proibidas por convenções das Nações Unidas movimenta cerca de US$ 300 bilhões.



No campo da repressão, apenas o combate militar não é eficiente, como mostram o derrotado México na sua War on Drugs e a Colômbia no fracassado Plan Colômbia. Há necessidade de atacar a economia movimentada pelo crime organizado, que lhe dá poder corruptor.



Os US$ 300 bilhões, acima citados, circulam pelo sistema bancário internacional, que não se ocupa nem se preocupa em separar o dinheiro sujo, sem causa, do limpo, com origem lícita.



O Brasil possui um órgão de inteligência financeira (Coaf), que participa de grupos de cooperação internacional. Lula, no encontro com Lugo, esqueceu de envolver o Coaf.



Enquanto não se privilegiar ações de combate à economia movimentada pelas internacionais criminosas, a repressão policial não será eficiente.



Não se deve esquecer, ainda, que Paraguai, Bolívia, Colômbia e Peru, para focar no narcotráfico, têm seus PIBs dependentes das atividades ilegais. Hoje, temos narco-Estados, como, por exemplo, a Guiné Equatorial.



4. O Brasil tem, também, a sua responsabilidade. Nosso país conta com a maior indústria química da América Latina. E dela saem insumos, precursores químicos, usados nos países vizinhos (Colômbia, Bolívia e Peru) para a transformação da folha de coca em cloridrato de cocaína.



Pelo lado das drogas sintéticas, o Brasil poderá se transformar num dos maiores produtores mundiais, pois, como destaquei acima, aqui temos (eixo Rio–São Paulo) uma potente indústria química.



5. Uma velha desculpa estriba-se na impossibilidade de vigiar os nossos 16 mil quilômetros de fronteiras. Passou da hora de perceber que a criminalidade organizada precisa de cidades nas fronteiras com bancos e vias para transporte.



Ora, é possível o controle de atividades nas cidades de fronteira. E mais eficiente do que querer varrer os 16 mil quilômetros de linha fronteiriça.



Muitas dessas cidades têm movimentação financeira superior à sua capacidade real. Esse é um importante indicativo sobre a presença do crime organizado.



PANO RÁPIDO. É lógico que o crime transnacional só se combate com uma eficiente cooperação internacional. Portanto, a iniciativa de Lugo e Lula merece aplausos.



Só que Lula e Lugo, que não apresentaram planos de atuação, não vão conseguir, apesar da boa intenção, resolver o problema nas rotas operadas pela criminalidade que passam pelo Mato Grosso do Sul e Paraná.



No Mato Grosso do Sul, as rotas são conhecidas e envolvem municípios como, por exemplo, Ponta Porã, Bela Vista, Dourados, Amabaí, Coronel Sapucaí, Porto Murtinho. No Paraná, as cidades de sustentação do narcotráfico são conhecidas: passam por Foz do Iguaçu e Guairá.



Nos 11 novos postos policiais anunciados por Lula corremos o risco de assistir a um velho filme. Ou seja, virem a abrigar policiais interessados, apenas, em receber “diárias” para engordar suas remunerações. Uma velha e conhecida prática.

Wálter Fanganiello Maierovitch


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