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Máfia. Riina, sanguinário chefe dos chefes, quer apoio do respeitado cardeal de Milão.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 26 de abril de 2010.

Totó Riina.




“Existem inocentes encarcerados e culpados em liberdade”. Essa é a frase que Salvatore Riina (Totò Riina), que se proclama inocente e injustiçado, mandou espalhar.



Além de usar como frase de impacto, Riina a incorporou como tese. Uma tese que quer apresentar e ter o apoio do cardeal arcebispo de Milão, o progressista e respeitadíssimo Dionigi Tettamanzi, de 76 anos.



A sua meta é obter a extinção das punições, por meio do benefício da graça.



Como no Brasil, a graça é um benefício individual e a competência para a concessão é do presidente da República.



Totò Riina, apelidado “Il Corto” pela sua baixa estatura, nasceu na pequena cidade siciliana de Corleone (Marlon Brando, no filme O Poderoso Chefão, fez o papel de Don Corleone) e é responsável por mais de 600 assassinatos.



Além de ter mandado matar os magistrados Giovanni Falcone, Paolo Borselino, Cesare Terranova e Rocco Chinnici, o sanguinário Riina liquidou, também, com os notáveis e íntegros policiais Boris Giuliano e Emanuele Basile.



Riina promoveu a segunda grande Guerra de Máfia. Colocou o secular código de honra da Cosa Nostra no lixo e apeou da cúpula os velhos e tradicionais capi mafie das famiglie mafiose de Palermo. Por exemplo, Stefano Bontate, Salvatore Inzerillo e Gaetano Badalamenti. A propósito, Bontate e Inzerillo foram fuzilados pelos “soldados” de Riina.



Para tanto, Riina apostou na traição. Ou seja, cooptou soldados das famílias dos antigos dirigentes do órgão de cúpula da Cosa Nostra.



Da cúpula mafiosa, Riina contou com o apoio de dois traidores, os chefões Michele Greco, apelidado de “papa da Máfia”, e Pippo Calò.



Dos que conseguiram sobreviver dessa guerra, destacaram-se Tommaso Buscetta e Gaetano Badalamenti. O primeiro por ter fugido para o Brasil e, o outro, para os EUA.



Assim mesmo, Riina mandou matar os dois filhos de Buscetta (Antonino e Benedetto) e o genro: nenhum deles era mafioso e, com isso, Riina fez “tábula rasa” à regra secular mafiosa de não admissão de vingança em gente de fora da organização ou de inocentes familiares de desafetos.



Preso desde 15 de janeiro de 1993, com 79 anos de idade e problemas cardíacos, Riina está custodiado em Milão, sob regime de segurança máxima. Está em sessão especial do cárcere duro chamado Opera. Para o seu advogado Luca Cianferroni, ele é um “decadente”, sem periculosidade.



O pedido de apoio e uma interlocução com o cardeal arcebispo Tettamanzi foi feito por Riina ao capelão do presídio Opera. E Riina não pediu reserva.



Os agentes de inteligência penitenciária comunicaram o sucedido à Procuradoria Nacional Antimáfia.



Nos próximos dias, embora o advogado negue, Riina deverá formalizar o pedido de graça.



PANO RÁPIDO. Os mafiosos usam frases e símbolos para transmitir mensagens.



Para muitos magistrados do pool antimáfia de Palermo (Sicilia) a frase de Riina, sobre inocentes presos e culpados soltos, representa uma mensagem a políticos que sempre estiveram ao lado da Máfia: o senador Giuglio Andreotti, sete vezes primeiro-ministro da Itália, já foi condenado por associação mafiosa e se beneficiou da prescrição, por ter mais de 80 anos.

Wálter Fanganiello Maierovitch


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