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Pedofilia e Vaticano. Demissão do bispo de Bruges e divulgação de carta com confissão de abusos.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 23 de abril de 2010.

papa Ratzinger: a volta do punho forte dos tempos de combate aos padres progressistas e à Teologia da Libertação.



1. Como esperado, acaba de ser aceito pelo papa Bento XVI o pedido de demissão do bispo de Bruges (Bélgica), Roger Vangheluwe. Ele comandava o bispado desde 1984.



A assessoria de imprensa do papa Ratzinger, guiada pelo padre Federico Lombardi, comunicou o fato. E, pela movimentação da assessoria de imprensa, desejava-se mais do que uma difusão urbe et orbe, ou seja, para a vizinha Roma, do outro lado do rio Tevere, e para o resto do mundo. Assim, a carta-confissão do ex-bispo foi revelada.



O texto apresentado por Roger Vangheluwe, um pedófilo confesso e bispo desde 1984, foi divulgado e mostra que o papa Ratzinger, depois de ter afastado preventivamente na semana passada o bispo das funções, não está para contemporizar.



Mais ainda, Ratzinger quer apagar, com a firmeza de agora, indícios de que acobertara clérigos pedófilos, quando (1) na direção da Congregação para a Doutrina da Fé (ex-Santo Ofício e onde combateu os padres progressistas e a Teologia da Libertação) e (2), em caso divulgado pelo jornal The New York Times, quando era cardeal em Munique da Baviera (Alemanha).



2. Na carta encaminhada ao papa e divulgada pela assessoria de imprensa vaticana, contou Roger: “ Quando era ainda um simples sacerdote, e durante um tempo do início do meu episcopado, abusei sexualmente de um jovem que me era vizinho. A vítima ainda está traumatizada. No curso dos últimos dez anos confessei à vítima e à sua família a minha culpa e pedi perdão a eles. Mas isso não trouxe paz à vítima. E eu também não estou em paz”.



Roger deixou escrito, “a tempestade de notícias pela mídia nas últimas semanas reforçou o trauma. Não é mais possível continuar nesta situação. Estou profundamente arrependido do que fiz e apresento minhas desculpas à vítima, à sua família, a toda comunidade católica e à sociedade em geral. Meu pedido de demissão foi aceito pelo papa Bento XVI e eu me retiro”.



–3. Pano Rápido. Como se nota pela carta-confissão, o então bispo abusou de uma criança no início da sua carreira. Só que dela continuou a abusar no início do seu bispado (1984). A vítima, por seu turno, era próxima dele, desde o tempo de padre. A família da vítima tomou conhecimento e protestou. Só o Vaticano nada sabia e até o fez bispo.

–Wálter Fanganiello Maierovitch–


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