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Pedofilia e Vaticano. Ratzinger em Malta recebe vítimas. Clérigo colombiano afirma conivência em acobertamento pelo falecido papa Wojtyla.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 19 de abril de 2010.

.papa Karol Wojtyla.



–1.O papa Ratzinger completa hoje cinco anos de pontificado e está enfrentando, no governo da Igreja, a chamada crise da pedofilia.



Muitos acusam Ratzinger de ter acobertado casos de pedofilia na Igreja, quando arcebispo em Munique da Baviera e na direção, a partir de 1981, da Congregação para a Doutrina da Fé, antigo Santo Ofício, de triste memória.



Entre tantas atrapalhadas vaticanas, uma outra promete repercutir negativamente, na semana que entra.



Trata-se da tentativa de envolver o papa Wojtyla, de grande prestígio entre os fiéis, em episódio de anuir com o acobertamento de um caso de pedofilia a envolver, em setembro de 2001, um padre pedófilo da diocese de Bayeux-Lisieux.



Ao que parece, o nome de Wojtyla está sendo irresponsavelmente jogado para aliviar a carga de constrangimentos que atinge Ratzinger.



Com efeito. A denúncia a alcançar Wojtyla parte do cardeal colombiano Dario Castrillon Hoyos, dirigente da Congregação do Clero à época do papado de João Paulo II.



Em Múrcia (Espanha) e no transcorrer de uma conferência, Castrillon disse ter enviado uma carta de congratulação ao monsenhor Pierre Pican, da diocese de Bayeux-Lisieux.



Essa carta de congratulação teria sido, antes da expedição, mostrada ao papa Wojtyla que a teria aprovado, segundo Castrillon.



Castrillon, na mensagem epistolar e conforme afirmou, congratulou-se com Pican pelo fato de não ter “entregue os seus filhos à Justiça”. Em outras palavras, por não haver informado à Justiça laica sobre consumação de um ilícito criminal por um padre pedófilo da sua diocese.



Não bastasse, Castrillon arrematou: - “ Ele me autorizou a informar sobre a carta de congratulação a todos os bispos do mundo e a colocá-la na internet”.



–2. Na véspera de completar o primeiro qüinqüênio, o papa Ratzinger está a visitar Malta, um estado-membro da União Européia, onde 98% da população é católica.



Ratzinger, ao chegar ontem em Malta, falou numa “Igreja ferida pelos nossos pecados”.



Hoje, Ratzinger recebeu - depois de celebrar missa na praça de Floriana e com o comparecimento de cerca de 40 mil fiéis - oito vítimas malteses de padres pedófilos e frisou: - “ Provo vergonha e dor”.



O pronunciamento do arcebispo de Malta foi marcante e surpreendeu Ratzinger que ficou na defensiva ao defender a Igreja e frisar se dever acreditar na “divina misericória” para curar “feridas espirituais”.



O arcebispo de Malta, Paul Cremona, foi fundo e direto: “ Devemos reconhecer os nossos falimentos e os nossos pecados”.

–Wálter Fanganiello Maierovitch–


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