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Guerra às Drogas. 49% dos mexicanos tolerariam os carteis de narcotraficantes, se violência diminuísse

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 13 de abril de 2010.





1. No próximo final de semana, 30 milhões de linhas de celulares pré-pagos ficarão mudas no México. E o México, para se ter idéia da quantidade de celulares que serão desativados, conta com mais de 107 milhões de habitantes.



A medida foi anunciada pelo presidente mexicano Felipe Calderón, na desesperada tentativa de reverter o insucesso de anos no combate aos cartéis e de dificultar as comunicações entre os traficantes de drogas proibidas.



A ordem de bloqueio de linhas telefônicas em celulares pré-pagos veio logo depois de Calderon conhecer o último relatório da agência norte-americana de inteligência (CIA).



Com efeito, os 007 dos serviços de inteligência dos EUA informaram ao presidente Barack Obama que os cartéis mexicanos venciam a “war on drugs”. Esta, frise-se, iniciada por meio de uma falida parceria entre os presidentes George W.Bush e Felipe Calderón.



No México, sempre foi possível adquirir celulares pré-pagos sem necessidade de coletas e registros dos dados dos adquirentes. Com isso, as interceptações telefônicas eram inócuas pela não identificação dos suspeitos.



Essa última medida de Calderon está sendo considerada inútil e desproporcional. Segundo especialistas mexicanos, serão usados “laranjas” ou falsas cédulas de identidade nas compras de celulares pré-pagos.



Por outro lado, os 007 da CIA suspeitam de membros de cartéis mexicanos terem sido os responsáveis pelo assassinato de um agricultor da cidade norte-americana de El Passo, que faz fronteira com a mexicana de Juarez. A propósito, o xerife do Texas recomendou aos agricultores que se armassem, pois os cartéis já operariam em território dos EUA.



2. O presidente Felipe Calderón declarou “guerra às drogas” ao assumir o mandato em dezembro de 2006 e contou, à época, com forte apoio da sociedade civil.



Hoje, e no que toca ao apoio da sociedade, o quadro mudou totalmente.



Segundo a mídia mexicana e consoante adverte em artigo o especialista Yates Moretti, a última pesquisa de opinião revela que 49% dos cidadãos do país estão dispostos a tolerar as atividades dos cartéis de narcotraficantes se isso resultar na redução da violência no país.



3. De dezembro de 2006 a março de 2010, morreram 19 mil mexicanos na tal guerra às drogas alavancada pelo Plan Mérida. Mais de 70% dos mortos não tinham vinculação com o problema das drogas ilícitas.



4. Joaquim Guzman, apelidado El Chapo e chefão do potente cartel de Sinaloa, foi apontado pela revista Forbes como um dos homens mais ricos do planeta.



Atualmente, El Chapo está em guerra com o Exército mexicano e com o rival cartel de Juarez. Ele quer controlar a fronteira entre Juarez e El Passo (EUA), principal rota de escoamento da cocaína (de origem colombiana), maconha e heroína, para os EUA.

–Wálter Fanganiello Maierovitch–


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