São Paulo,  
Busca:   

 

 

Agora

 

Pedofilia na Igreja. Observatório Romano abre guerra contra o The New Yprk Times.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF,08 deabril de 2010.




Foi um engano pensar que a tática da Santa Sé seria limitada a reforçar as diversas e dignas manifestações do papa Bento XVI contra a pedofilia e os abusos sexuais: a tolerância zero de Ratzinger.



Tudo indicava para esse caminho. A propósito, o papa não tocou nesse tema na missa festiva da Páscoa e a solidária manifestação de auguri pelo cardeal decano Angelo Sodano, em nome de todo o colégio cardinalício, parecia dar por encerrada a fase de respostas sobre não haver o papa Bento XVI acobertado graves ilícitos, quer canônicos quer laicos.



Puro engano. A Santa Sé, com o papa silencioso mas por reações por meio de interpostas pessoas, parte para uma “guerra” pouco Santa.



Vejamos.



O cardeal Sodano acaba de fazer um pronunciamento infeliz ao comparar os ataques a Ratzinger aos realizados a Giuseppe Melchiorre (Pio X-1903 a 1914), Pacelli (Pio XII-1939 a 1958), Montini (Paulo VI-1963 a 1978).



Todos esses ataques, na canhestra visão de Sodano, objetivavam desmoralizar os papas e, por conseguinte, a Igreja.



Pacelli, considerado venerável por Ratzinger, foi e continua sendo criticado pelo silêncio às atrocidades nazistas durante a Segunda Guerra.



Montini condenou a pílula anticoncepcional e estabeleceu a irresponsabilidade pontifícia por desvios de clérigos.



Melchiorre, que é santo desde 1954, marcou a sua passagem pela luta contra a modernidade.



Comparar a situação vivida pelo papa Ratzinger com a de Pacelli, apelidado de papa de Hitler, beira o desatino. Idem com relação aos demais.



Desatinada é, também, a reação do Observatório Romano, o chamado diário oficial da Igreja.



Para o Observatório Romano, o jornal The New York Times virou porta-voz dos advogados que promovem judicialmente as causas (indenizatórias) sobre abusos sexuais que envolvem clérigos. Assim, o jornal teria se transformado em parte interessada e não em órgão isento.



Pano Rápido. Desde o pronunciamento na Sexta-feira Santa do padre Cantalamessa, predicador oficial do Vaticano, temia-se ter a Igreja entrado num caminho irrefletido e desequilibrado.



Não vai demorar para vozes de sacristias atribuírem ao New York Times um controle judaico e interesseiro.



Outrossim, não se deve esquecer ter João Paulo II estabelecido harmonia e respeito entre as religiões. Por exemplo, tocou profundamente sua referência aos hebreus como “irmãos mais velhos”.



Ratzinger já se mostrou hostil a islâmicos e judeus, com retratações posteriormente costuradas pelos bombeiros vaticanos.



Agora, em vez de se limitar a cobrar rigor contra pedófilo, coloca-se como vítima da imprensa. Será que o New York Times inventou, ontem, a notícia de um padre pedófilo americano ter sido transferido à Índia, depois de cumprir pena de quatro meses de prisão, em face de condenação judicial com trânsito em julgado?



A visita a Santiago (Chile), como se nota pelos sinais dados pelo cardeal Tarcisio Bertone (secretário de Estado), vai servir para novas reações a mostrar uma tentativa de se desmoralizar a Igreja. Nada mais incorreto. Os responsáveis pelo governo da Igreja são falíveis e isso já revelou a história da humanidade.



Para Bertone, o papa Bento XVI “é o grande profeta do Terceiro Milênio”.

Wálter Fanganiello Maierovitch


Assuntos Relacionados
© 2004 IBGF - Todos os direitos reservados - Produzido por Ghost Planet