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Drogas. A Fuga de Roberto Pannunzi conhecido por Rei da Droga.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 08 de abril de 2010.
Roberto Pannunzi, o "Rei da Droga".




1. Roberto Pannunzi, 64 anos, ficou conhecido na Europa pelo apelido de o “Rei das Drogas”. Em 2004, quando preso na Espanha, colocava, mensalmente, duas toneladas de cocaína colombiana no mercado ilícito europeu.



2. Nos anos 70, Roberto Pannunzi era o braço direito do superboss Gaetano Badalamenti.



Chamado de Don Tano (Gaetano), o capo da famiglia mafiosa da cidade siciliana de Cinisi foi o primeiro estabelecer a ponte com os EUA para envio de heroína.



Tratava-se de heroína comercializa pela potente máfia turca e pelos direitistas da organização político-criminal denominada “lobos cinzas”. A heroína de origem turca era refinada na francesa Marselha e enviada da siciliana Cinisi para Detroit.



Com o passar do tempo e para obtenção de maior lucro, Don Tano, Roberto Pannunzi e Francesco Marino Manoia (conhecido mafioso siciliano) transformaram a Sicília em refinaria de heroína.



Essa droga refinada na Sicília era remetida para Nova York (recebida e distribuída pela máfia americana comandada pela famiglia Bonanno) e para Buffalo ( distribuída pela mafia americanaatravés da famiglia Magaddino). Os melhores químicos de Marselha transferiram-se para a Sicília e ligaram-se à Máfia (Sícilia) e à Cosa Nostra (EUA) para refinar heroína.



À época, Badalamenti (falecido em abril de 2004 em cárcere norte-americano) e Roberto Pannunzi ousaram. Isto porque, por um quarto de século, o “grande ilícito” era o contrabando de cigarros (Chesterfield, Camel, Pall Mall, etc). Ou seja, o fluxo, antes EUA-Europa e em face do contrabando de cigarro, foi invertido, com a entrada da heroína.



–2. O mafioso Roberto Pannunzi, condenado à pena de 26 anos por tráfico internacional e associação mafiosa, com o declínio do mercado da heroína (droga depressora do sistema nervoso central), estabeleceu ligações com o cartel de Medellín, de Pablo Escobar. O mercado estava aberto para drogas psico-ativas (acelera o sistema nervoso central) e a cocaína passou a imperar.



Em 1994, depois de trocar a Máfia pela potente ‘Ndrangheta da Calábria, Roberto Pannunzi, por pressões da Direção Antimáfia italiana e da agência norte americana DEA (Drug Enforcement Agency), foi preso na Colômbia. Fugiu em 1999 e acabou recapturado na Espanha, em 2004, com o filho Alessandro, um traficante criado para suceder o pai.



–3. Extraditado para a Itália, o chamado Rei da Droga, foi colocado em cárcere de segurança máxima e sujeito às restrições impostas pelo artigo 41, bis, do Código Penitenciário Italiano.



No ano passado, Pannunzi enfartou no cárcere. Pelo laudo médico oficial, passou a sofrer de “cardiopatia ischemica postinfartuale”.



Com base no laudo e pareceres clínicos, Pannunzi obteve autorização para tratamento em clínica fora do cárcere, como em regime de prisão domiciliar.



Até ontem, a polícia manteve sigilosa a informação de que havia fugido em 15 de março de 2010.



Ontem, o sigilo foi quebrado e a Europa tomou conhecimento da fuga do Rei da Droga.



–4. Um procedimento foi aberto. Diz respeito à decisão de um juiz corregedor do sistema carcerário. Ou seja, daquele que concedeu a autorização para tratamento em clínica privada.



A decisão em questão contraria a lei penitenciária (art.11) que não autoriza, para mafiosos em regime de cárcere duro, a saída para tratamento em clínica privada. Só autoriza, e não era o caso, quando o tratamento não pode ser realizado em hospital penitenciário. E o sistema penitenciário italiano conta com hospitais para os presos.



–5. PANO RÁPIDO. O chamado juiz Lalau encontra-se em prisão domiciliar em face de problemas de saúde. Foi para casa ao invés de ser colocado em hospital penitenciário. Como se percebe, os poderosos — com ou sem habeas corpus, mafiosos ou não–, sempre encontram saídas para deixar os presídios.

–Wálter Fanganiello Maierovitch–


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