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Pedofilia na Igreja. Padre tem de ser anjo, diz Ratzinger. Confira retrospectiva de março de 2010 sobre o tema.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 05/4/2010.




Depois de uma semana sob intenso bombardeio, Bento XVI foi passar a “segunda do Anjo”, em Castel Gandolfo, residência de verão dos papas e próxima a Roma.



Antes de recitar a Regina Coeli no Castel Gandolfo, o papa Ratzinger enviou um recado em face dos escândalos de pedofilia a envolver alguns clérigos católicos que se desviaram das suas missões.



Na pequena cidade de Castengolfo, ele recordou que os padres são “mensageiros de Cristo” e da “sua vitória sobre o mal”. São convocados, frisou Ratzinger, "para ser anjos".



O termo anjo, além de significar criaturas espirituais dotadas de inteligência e vontade, servidores e mensageiros de Deus, é também, explicitou o papa Ratzinger, um dos títulos mais antigos atribuídos a Jesus: - “Cristo foi chamado o anjo do conselho, isto é, o anunciador. Um termo que identifica um ofício, tarefa, e não a sua natureza. Pois ele devia anunciar ao mundo o grande projeto do Pai para a restauração do homem”.



Pano Rápido. O papa Ratzinger, nesta segunda-feira, parece ter, finalmente, mudado de rota.



Posicionar-se como vítima de campanha difamatória para desviar o foco sobre a gravidade dos casos de pedofilia e sobre o atraso em afastar os que se desviaram, colocou Ratzinger em descrédito.



A defesa dos frágeis, oprimidos, debilitados, foi, por Ratzinger, colocada em segundo plano. E as suas palavras na missa de Páscoa mostraram o quanto se distancia do concreto e permanece no nefelibático, pesar do incêndio aos pés do trono de São Pedro.



--Wálter Fanganiello Maierovitch—



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IBGF, 04/04/2010.


Pedofilia. Der Spiegel, Associated Press e Financial Times não poupam Ratzinger no Domingo de Páscoa. Santa Sé, do improviso ao nervosismo.







1. O Der Spiegel, publicação alemã de peso, dedicou sua edição de domingo ao papa Ratzinger.



A capa é dura e o título, acima da foto do papa Bento XVI, usa o termo infalível com um “x” a encobrir o prefixo e, assim, deixar ressaltado apenas o falível: "Der unFehlbare". Em outras palavras, o falível Ratzinger.



O Der Spiegel já havia, na edição de 21 de março e conforme informamos em post do Sem Fronteiras de Terra Magazine, deixado no ar uma dura indagação : “Por que o papa não renuncia?"



Na ocasião, a publicação alemã tratou dos abusos sexuais cometidos contra crianças pelo abade alemão Peter Hullermann. E especulou-se ter o atual papa Ratzinger, quando arcebispo de Munique (março de 1977 a fevereiro de 1982), abafado o caso.



Na edição dominical ficou ressaltado a falta de rumo por parte da Santa Sé, que improvisa e provoca reações inesperadas.



2. Com referência às improvisações, o caso do capuchinho Raniero Cantalamessa, predicador da Cúria em Roma, é emblemático.



Na liturgia de sexta-feira da Paixão do Senhor, e na homilia, o padre Cantalamessa leu uma carta que lhe enviara um amigo hebreu. A carta versava sobre os ataques contra o papa Ratzinger em razão de omissões em casos de padres pedófilos.



Com a leitura da carta, Cantalamessa admitia uma analogia entre os ataques ao pontífice os sofridos pelos hebreus decorrentes do antissemitismo.



Ontem, para colocar uma pedra na infeliz comparação e deixar o clima mais leve para a missa do Domingo de Páscoa, o padre Cantalamessa pediu desculpas ao papa Bento XVI e frisou que o pontífice não conhecia a sua prédica.



Mais uma improvisação vaticana.



O texto da homilia do padre Cantalamessa era conhecido há um bom tempo e, para especialistas em Vaticano, recebeu o Nihil obstat de escalões burocráticos.



Do original italiano, o texto de Cantalamessa foi vertido para o inglês e o espanhol. Mais ainda, distribuído bem antes da celebração, inclusive para a imprensa. Com efeito. Não se afirma, aqui e agora, que o papa o tenha lido antes. Apenas que alguém, de pouca competência e nenhuma sensibilidade, deixou de valorar o texto de Cantalamessa, e por ocasião de uma liturgia de máxima significação e importância.



3. A norte-americana Associated Press noticia que a Igreja Católica teria aguardado 12 anos para reconduzir à condição de pessoa laica o padre pedófilo Michael Tea, do Arizona. E o bispo Manuel Moreno, da diocese de Tucson, onde atuava o padre Michael Tea, participara, por carta, o sucedido à Congregação da Doutrina da Fé, antigo Santo Ofício, então dirigido por Ratzinger. O padre pedófilo fora suspenso das funções em 1990.



A publicação norte-americana fala que Ratzinger tardou providências definitivas, que só vieram em 2004. Para as autoridades eclesiásticas, o processo foi demorado em razão de conflito entra a nova legislação de 2001 e a anterior. O certo é que Ratzinger estabeleceu a competência da Congregação da Doutrina da Fé para, com exclusividade, impor punições e promover processos disciplinares.



Outrossim, a suspensão do padre pedófilo, em 1990, representou passo preventivo fundamental.



4. O cotidiano Financial Times, neste domingo, fala, ao se referir ao papa Ratzinger, em Cruz a Carregar, a poucos meses para a visita do papa à Grã-Bretanha. Não faltaram críticas ao pontífice, na matéria.



5. A importância da celebração da Páscoa hoje na basílica de São Pedro, com a alegria por ter Cristo ressuscitado aos mortos, serviu para desanuviar o clima tenso, marcado por um inusitado nervosismo na Santa Sé e com a lenha na fogueira colocada pelo Observatório Romano.



Na manchete deste domingo, este diário oficial do Estado Vaticano fala em “propaganda grosseira contra o Papa”.



Wálter Fanganiello Maierovitch



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IBGF, 03/04/2010.


Pedofilia na Igreja. Novo ataque sobre omissões do clero.







Depois da “bola-fora” do predicador da Casa Pontifícia, frei Raniero Cantalamessa, na presença do papa Bento XVI e durante a missa, surge uma nova e grave denúncia de omissão.



Ela provém de um dos mais antigos e respeitados magistrados italianos, Pietro Forno, 65 anos de idade.



Ontem, e praticamente a repetir o que já havia falado em 2009 à revista Menores e a Justiça, Pietro Forno advertiu: “A lista dos sacerdotes investigados por crimes sexuais é longa, mas os bispos não denunciaram nenhum dos casos em curso”.



Como se nota, Pietro Forno, que nos anos 70 e 80 trabalhou no pool de magistrados que levantaram as atividades terroristas do grupo de Cesare Battisti, Proletariados Armados pelo Comunismo (PAC), destaca que as investigações que conduz não começaram por notícia de crime partida de bispos responsáveis pelas circunscrições eclesiásticas onde atuavam os padres sob suspeita.



Diante da fala do procurador Forno, que, desde 1992, é o titular da Procuradoria de Milão sobre Violência Sexual e Pedofilia, os desdobramentos vão avançar pela Páscoa. Com finalidade política, o ministro da Justiça fala em inspeção e eventual punição disciplinar ao magistrado Forno: na Itália, onde o Judiciário não é poder de Estado, mas goza de todas as garantias, a magistratura é única, com as funções judicantes e de Ministério Público. O procurador Forno é um magistrado, atualmente em função afeta ao Ministério Público.



Procurado por jornalistas de toda a Europa, o procurador Forno esclareceu: “Nunca tive a intenção de generalizar e nem criminalizar a inteira Igreja. Nos últimos anos consegui condenar uma dezena de sacerdotes, mas jamais encontrei obstáculos nas investigações por parte das hierarquias eclesiásticas”.



Na referida entrevista dada em 2009 à revista Menores e Justiça, Forno foi bastante duro: “Bem poucas comunidades têm a coragem de denunciar, e nenhuma delas no âmbito católico. A regra é transferir o religioso denunciado e isto gera a manutenção de uma situação de perigo para novas e desinformadas vítimas”.



PANO RÁPIDO. A infeliz comparação feita pelo padre Raniero Cantalamessa já foi assimilada, apesar da grande repercussão.. Cantalamessa reportou-se, na homilia, a uma carta que recebeu de um amigo hebreu em que este fez um paralelo entre a perseguição contra os hebreus e os ataques sofridos pelo papa Ratzinger.



Os bombeiros do Vaticano entraram em ação e afirmaram que a Santa Sé não sabia do teor nem apoiava a manifestação do predicador da Casa Pontifícia, o frei capuchinho Cantalamessa. No particular, o respeitado cardeal Carlo Maria Marini lembrava que “o papa não tem necessidade de ser defendido porque a todos é notória a sua irrepreensibilidade.



A comunidade hebraica romana, pelo rabino-chefe e na semana que também inicia a sua Páscoa (travessia do deserto), foi discreta na reação: “Me parece um paralelo impróprio”.



De lembrar que o papa Ratzinger, que vem se notabilizando por trapalhadas e polêmicas nas relações com outras religiões, teve problemas sérios com o negacionista padre lefreviano Williamson e com a declaração de honorável ao papa Pio XII, chamado por muitos de "o padre de Hitler", pelo silêncio à Shoá.



Enquanto isso tudo ocorre, a oficial Rádio Vaticano continua a sua luta para, segundo proclama, “desmascarar os objetivos de uma campanha falsa e caluniosa contra a Igreja”



Wálter Fanganiello Maierovitch


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IBGF, 01/04/2010



Pedofilia na Igreja. Começam os ataques ao New York Times para blindar Ratzinger. Tiro no pé.







De Fiumicino (Roma), especial.



1. Está longe de terminar a queda de braço entre a Santa Sé e o jornal americano The New York Times.



O jornal publicou matérias voltadas a informar que o então cardeal Joseph Ratzinger, quando dirigia a Congregação para a Doutrina da Fé (ex-Santo Ofício), acobertou grave caso de pedofilia envolvendo o clérigo Lawrence Murphy.



O padre Murphy, pedófilo confesso, abusou sexualmente de 200 crianças da John's Schol do estado americano de Wisconsin, de 1954 a 1974.



As matérias jornalísticas reportam-se ao arcebispo William Cousins que, em 1974, afastou Murphy do colégio por pedofilia.



Mais ainda, revelam as matérias uma carta em que o arcebispo Rembert Weakland solicitava da Congregação, dirigida por Ratzinger, providência disciplinar contra o padre Murphy.



O jornal The New York Times recuperou, também, a afirmação do arcebispo Rembert Weakland que ressaltou haver partido da Congregação governada por Ratzinger a ordem que suspendeu o processo contra o padre Murphy.



Ontem, membros da Santa Sé resolveram exibir os músculos. Dois dos seus membros saíram a atacar o jornal por “imprecisões cometidas” e a defender o papa Bento XVI.



2. O arcebispo Rembert Weakland — o grande acusador na matéria do The New York Times — já se envolveu em caso de homossexualismo com um ex-estudante de Teologia, maior de idade. A afirmação é do padre Thomas Brundage, entrevistado pela Rádio Vaticano e com site na web.



A velha tática de desqualificar o acusador foi utilizada, lamentavelmente, pelo padre Brundage, encarregado, à época do escândalo, de colher elementos contra o pedófilo padre Murphy, falecido em 21 de agosto de 1998.



Em síntese, o arcebispo Weakland, na distorcida visão do padre Brundage, não era denunciante qualificado para revelar, indignado, casos de pedofilia que vitimaram 200 crianças.



Para o padre Brundage, testemunha não é quem presencia fatos, mas apenas pessoas sem pecados à luz das regras da Igreja: homossexualismo, para a Igreja e para o papa, é uma doença.



Ainda mais. Afirmou o padre Brundage que o processo contra Murphy só foi extinto em razão da sua morte e não se reconheceu a prescrição.



O referido padre Brundage, na entrevista à rádio oficial do Vaticano, esqueceu-se do documentado pelo jornal The New York Times, que traz conclusões diversas.



Com efeito. Segundo o jornal, o bispo de Milwaukee, Rembert Weakland, enviou, oficialmente, duas cartas-denúncia a Ratzinger, quando este presidia o ex-Santo Ofício.



A matéria jornalística está documentada. Os documentos foram fornecidos pelos advogados Jeff Anderson e Mike Finnegan. Eles são advogados de cinco vítimas de Murphy e conhecidos por fazer parte de um seleto grupo de advogados especializado, nos EUA, em propor ações milionárias na Justiça norte-americana.



As cartas com denúncias contra Murphy foram enviadas a Ratzinger em 1996. Nenhuma foi respondida por Ratzinger.



Passados oito meses, o bispo Weakland recebeu resposta às duas missivas enviadas. E não foi fornecida diretamente por Ratzinger, mas por Tarcisio Bertone, o segundo homem da hierarquia do ex-Santo Ofício.



Num primeiro momento, o cardeal Bertone ordenou a instauração de um processo secreto para a destituição do padre Murphy. Mas, um ano depois, Bertone mudou de idéia. Disse que o padre Murphy estava mal de saúde, que enviara uma carta de arrependimento a Ratzinger e os fatos tinham ocorrido há mais de 30 anos. Finalizou com a recomendação de adoção de medidas pastorais, ou seja, nada de processo disciplinar. Apenas advertências para conduzi-lo ao arrependimento e restrições territoriais para celebração da eucaristia.



Preocupado, o arcebispo de Weakland voltou a escrever a Bertone. Comunicou que Murphy jamais havia revelado remorsos por seus atos. Portanto, era um pedófilo assumido.



Bertone, apesar do alerta, mostrou-se irredutível e concluiu pela inexistência de elementos para iniciar um processo.



3. Mais maneiro foi o cardeal norte-americano William Joseph Levada, que atualmente governa a Congregação para a Doutrina da Fé e sucedeu Ratzinger.



Para o titular do ex-Santo Ofício, “a reconstrução feita pelo New York Times foi imprecisa e baseada em mentiras”.



PANO RÁPIDO. Este texto foi escrito quando estava no aeroporto de Fiumicino e esperava o vôo Alitália para Guarulhos. Deixo Roma com a sensação de que o Siroco, também conhecido como o vento do deserto do Saara que atinge a Itália, chegou no além Tevere. Circula pelo Vaticano.



É bom que a tradicional tempestade de areia causada pelo Siroco não encurte visões e, efetivamente, permaneça a iniciativa de Ratzinger de tolerância zero à pedofilia.



Wálter Fanganiello Maierovitch



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IBGF, 29/03/2010.



Pedofilia em nome de Deus. Mulher escolhida para investigar padres pedófilos







De Roma, especial. 1. Mais de 50 mil fiéis lotaram a praça São Pedro para acompanhar a celebração do Domingo de Ramos, que marcou a abertura do tempo reflexivo da Páscoa.



Pela primeira vez e segundo observaram os vaticanistas, o papa Bento XVI, próximo a completar 83 anos, não estava em condições físicas ideais para acompanhar a pé a procissão de Ramos.



Ratzinger fez uso do papamóvel, longe, evidentemente, da imagem do Humilde que, há séculos, empolgou ao montar o lombo de um pequeno burro emprestado.



Muitos aproveitaram essa supracitada cena do papamóvel para recordar dos heroicos sacrifícios de João Paulo II, cujo quinto aniversário de morte ocorrerá na sexta-feira 2.



Como o Estado-Maior vaticano fala em guerra contra a Igreja e, também, no papa Ratzinger como alvo de uma campanha de descrédito promovida pela mass media, da homilia papal de ontem se pode extrair um recado: “De Deus vem a coragem para não se deixar intimidar com os falatórios das opiniões dos dominantes”.



2. O certo é que Ratzinger acabou por passar recibo. Ele demonstrou, por ocasião do rito de Ramos, irritação com as matérias do The New York Times (confira, abaixo, posts deste blog Sem Fronteiras de Terra Magazine) sobre a Igreja ter acobertado casos de pedofilia e, ainda, omitido-se em não afastar do sacerdócio clérigos conhecidos, que abusavam de menores, em estabelecimentos escolares católicos.



Segundo o jornal The New York Times, o caso do padre Lawrence Murphy, que, de 1950 a 1974, abusou de crianças na escola católica St.John, no estado de Wisconsin, foi, por correspondência epistolar recebida, participado a Ratzinger, então responsável pela Congressão da Doutrina da Fé, ex-Santo Ofício da Inquisição, para providências.



Sobre esse episódio, uma das vítimas, Steven Geier, hoje com 59 anos e vítima de abusos por quatro vezes, aos 15 e 16 anos, contou o seu calvário. Geier recordou que nenhuma providência foi tomada pela Igreja e, no âmbito laico, pelo chefe estadual do ministério Público, apesar de denúncias verbais feitas por vários alunos.



Com coragem, Geier contou que o padre Murphy levou-o para um quarto de dispensa do colégio a pretexto de lhe ministrar uma lição secreta sobre sexo. Depois do abuso, avisou que Geier não deveria contar nada a ninguém, pois estava sob o sacramento da confissão e a lição era em nome de Deus.



Um canalha e farsante como Murphy, já falecido, permaneceu a delinquir impunemente por mais de 40 anos, com o conhecimento da Igreja e de autoridades laicas.



3. O arcebispo da Igreja Católica da Áustria, Christoph Schoenborn, designou uma comissão laica e independente, presidida pela respeitada católica Waltraud Klasnic, para investigar casos de pedofilia nas instituições e relacionar as pessoas que deverão ser indenizadas.



Waltraud Klasnic escolherá livremente os membros da comissão e não poderá, apenas, designar clérigos para integrá-la, conforme determinação do arcebispo Schoenborn. A comissão, como adiantou Klasnic, terá muitas mães.



4. Na Alemanha, ontem, o mais forte dos movimentos católicos críticos, conhecido por “A Igreja somos nós”, lançou uma campanha pela abolição do celibato.



Em entrevista ao jornal alemão Presse am Sonntag, o influente cardeal Carlo Maria Martini — já candidato derrotado a papa — afirmou que deve “ser repensada a obrigação de celibato dos sacerdotes, como forma de vida”. 5. Depois da surpreendente indagação do prestigioso Der Spiegel (por que o papa não se demite?), ontem, defronte à famosa e londrina catedral católica de Westminster, cerca de cem britânicos protestaram contra o papa Ratzinger, acusado acobertar os escândalos.



Os manifestantes, com cartazes, recomendaram a demissão do papa Bento XVI, por ter tido “uma influência direta no acobertamento dos abusos sexuais”.



6. PANO RÁPIDO. Na edição de domingo, o The New York Times prosseguiu nos ataques a Ratzinger, definido como um autocrata a administrar segredos e vergonhas.



Wálter Fanganiello Maierovitch



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IBGF, 27/03/2010.


Revista alemã Der Spiegel quer a renúncia do papa Ratzinger.





Direta Roma, especial.



--1. Der Spiegel e a cabeça do papa Ratzinger.



Para os clérigos de plantão no Vaticano, existe uma guerra em curso, promovida pela “mass mídia” e o alvo é o papa Bento XVI.



Depois da denúncia de ontem (confira post abaixo), --referente ao caso do padre pedófilo Lawrence Murphy ( teria abusado de 200 crianças) e às imputadas omissões dos então cardeais Joseph Ratzinger e Tarcisio Bertone quando estavam à frente da Congressão para a Doutrina da Fè (ex- Santo Ofício da Inquisição), o jornal The New York Times voltou à carga.



Agora, o jornal norte-americano apresenta uma nova versão sobre o escândalo provocado pelo padre alemão Peter Hullerman, também acusado de pedófilia.



Diante de cenários a revelar histórias de abusos sexuais e apontar acobertamentos, como se nada tivesse acontecido, a prestigiosa revista Der Spiegel foi fundo. Ou seja, o Der Spiegel, --diante das matérias do The New York Times e de o bispo da alemã diocese de Fulda haver reconhecido “pesadas omissões” em episódios que escandalizaram o país--, coloca na sua manchete uma inquietante pergunta: “Por que o papa Bento XVI não se demite ?”



--2. Nova versão.



Depois do caso de abusos sexuais que vitimaram crianças do famoso coral da Catedral de Ratisbona, --onde o irmão mais velho do papa era diretor musical e disse jamais ter ouvido falar de pedofilia--,vieram à tona os abusos cometidos pelo abade alemão Peter Hullermann. Então, especulou-se o atual papa Ratzinger, quando era arcebispo de Munique (março de 1977 a fevereiro de 1982), teria abafado o caso.



O abade Hullermann fora removido da diocese de Essen para a de Munique, em janeiro de 1980. Esse abade deveria realizar terapia em Munique, em face do seu envolvimento com a pedofilia. Mas, o abade acabou encaminhado a uma paróquia para desenvolver atividade pastoral, sem restrições. Em 1986, quando Ratzinger já havia assumido (1981), a convite do papa Wojtyla, a Congregação para a Doutrina da Fé, ex-Santo Ofício da Inquisição, o abade pedófilo, por outros abusos sexuais, foi condenado pela Justiça alemã: 18 meses de cárcere, com suspensão condicional da execução da pena (sursis).



O papa Ratzinger foi isentado pelo vigário geral de Munique. Referido clérigo, Gerhard Gruber, disse que o então arcebispo Ratzinger não sabia de nada e nunca havia tomado conhecimento do episódio a envolver o abade Hullermann. Frisou ainda que assumia toda a responsabilidade pelo encaminhamento do abade pedófilo a outra paróquia ao invés de enviá-lo a uma clínica para tratamento. O certo é que Hullermann nunca foi punido pela Igreja.



Para o The New York Times, a história foi outra, pois Ratzinger, em 20 de janeiro de 1980, recebera um documento da diocese de Essen sobre o caso Hullermann e nele constava a decisão de transferência para Munique para fins de tratamento. O jornal destaca que o tal documento, datado de janeiro de 1980, foi confirmado “por duas fontes eclesiásticas”.



Com a matéria, o jornal quer demonstrar que Ratzinger tinha se inteirado do caso do abade Hullermann e que Gruber faltou com a verdade.



---3. Reação da Igreja.



O padre Federico Lombardi, uma espécie de assessor de imprensa do papa Bento XVI, classificou a matéria do The New York Times como “mera especulação”, em cima de algo requentado e sobre o qual o monsenhor Gruber “assumiu a plena responsabilidade da sua própria e errada decisão”.



--4. Giro de notícias pelo mundo.



O jornal espanhol El Mundo , no seu sitio web, trata da nova acusação inserida no jornal The New York Times e registra o desmentido por parte do Vaticano.



O britânico The Times, na sua página on-line, endossa a versão do The New York Times e reconstrói o acontecido com o abade Peter Hullermann que, ao invés de psicoterapia, foi enviado para atividade religiosa apostólica, sem restrições.



Para o francês Le Monde, conforme sítio web, o papa Ratzinger passa por “momento delicado” em fase da multiplicação de casos de pedofilia que não deram em nada.



--5.PANO RÁPIDO. Por aqui, é intenso o vendaval do lado do rio Tevere, onde está incrustado o pequeno estado do Vaticano. Nas homilias da missa domenical os temas são apenas espirituais e ligados ao tempo penitencial da Quaresma. Enquanto isso, ecoam as palavras do padre Raniero Cantalamessa, da Casa Pontifícia: “ A Igreja, com humildade, sairá, desta guerra, mais esplendorosa do que nunca”. Espera-se, pois a linha do “abafar” fere aos direitos humanos e passa a idéia de conivência.



A “tolerância zero” proclamada por Ratzinger, com comunicações às autoridades laicas e colaboração nas investigações, é que melhor se enquadra à doutrina Cristã e conforta os católicos.



--Wálter Fanganiello Maierovitch—



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IBGF, 26/03/2010.



Jornais do vaticano rechaçam acusação de que Ratzinger e Bertone acobertaram pedófilos.







1. Como se diz por aqui, a repercussão da denúncia do jornal The New York Times não morreu do outro lado do rio Tevere, onde fica a cidade do Vaticano.



Os noticiários dos telejornais de hoje cedo mostraram que toda a Europa Ocidental ficou escandalizada com a ordem de “engavetamento” dada para o caso do padre norte-americano Lawrence Murphy, da diocese católica de Wisconsin.



O padre Lawrence Murphy, de 1954 a 1974, abusou sexualmente de mais de 200 crianças, quando trabalhava no colégio católico John's School. Entre as vítimas estavam crianças portadoras desenvolvimento mental retardado.



Sem nunca ter sido processado pelas justiças laica e eclesial, o padre Murphy faleceu em 21 de agosto de 1998.



Em 1974, o arcebispo William Cousins, por ser voz corrente os abusos sexuais perpetrados por Murphy, afastou-o do colégio. Então, Murphy foi colocado em outra diocese, onde, por mais de 20 anos, trabalhou com crianças em escolas de paróquias e com menores infratores internados em estabelecimento do Estado.



O ex-Santo Ofício da Inquisição, hoje repaginado e chamado de Congregação para a Doutrina da Fé, foi informado, para tomar providências, dos crimes praticados pelo padre pedófilo Murphy.



À época, o atual papa Ratzinger presidia a Congregação para a Doutrina da Fé e o seu vice era o cardeal Tarcisio Bertone, atual secretário de Estado do Vaticano e segundo homem da hierarquia eclesiástica.



2. Segundo o jornal The New York Times, o bispo de Milwaukee, Rembert Weakland, enviou, oficialmente, duas cartas-denúncia a Ratzinger, quando este presidia o ex-Santo Ofício.



A matéria jornalística está documentada. Os documentos foram fornecidos pelos advogados Jeff Anderson e Mike Finnegan. Eles são advogados de cinco vítimas de Murphy.



As cartas com denúncias contra Murphy foram enviados a Ratzinger em 1996.



Nenhuma dessas duas cartas foi respondida por Ratzinger.



3. Passados 8 meses, o bispo Weakland recebeu resposta às duas missivas enviadas. A resposta não foi fornecida diretamente por Ratzinger. Acabou dada por Tarcisio Bertone, o segundo homem da hierarquia do ex-Santo Ofício.



Num primeiro momento, o cardeal Bertone ordenou a instauração de um processo secreto para a destituição do padre Murphy.



Mas, um ano depois, Bertone mudou de idéia. Disse que o padre Murphy estava mal de saúde, que enviara uma carta de arrependimento a Ratzinger e os fatos tinham ocorrido há mais de 30 anos. Bertone finalizou a carta com a recomendação para adoção de medidas pastorais, ou seja, nada de processo disciplinar. Apenas advertências para conduzi-lo ao arrependimento e restrições territoriais para celebração da eucaristia.



Preocupado, o bispo de Weakland voltou a escrever a Bertone. Comunicou que Murphy jamais havia revelado remorsos pelos seus atos. Ou seja, era um pedófilo assumido.



Bertone, apesar do alerta, mostrou-se irredutível e concluiu pela inexistência de elementos para iniciar um processo.



4. Duas publicações saíram, hoje, em defesa do papa Bento XVI. O “diário oficial do Vaticano”, Observatório Romano, fala da intenção permanente de veículos da “mass-mídia” em atingir, a qualquer custo, a imagem do papa Bento XVI e dos seus colaboradores.



O cotidiano Avvenire, uma publicação dos bispos italianos, conclui pela leitura tendenciosa dos fatos, pelo jornal The New York Times.



Em entrevista ao jornal Corriere della Sera de hoje, o monsenhor Gianfranco Girotti, diretor da Penitenciária Apostólica, um tribunal que cuida das almas, alerta que a Congressão para a Doutrina da Fé, na qual trabalhava com Ratzinger e Bertone, jamais “colocou areia” na apuração do caso Murphy. Mais ainda, quando souberam do caso, Murphy estava morrendo: “Efetivamente, morreu poucos meses depois”.



5. PANO RÁPIDO. Pelo jeito, até Deus duvida de Ratzinger não ter sido informado por Bertone sobre o ocorrido com o padre norte-americano Murphy, ou seja, casos de pedofilia com vítimas menores, dentre elas crianças com desenvolvimento mental retardado e algumas com surdo-mudez. Como o renitente Murphy já estava para deixar esse mundo, parece que Ratzinger e Bertone repassaram a solução para outra instância, a Justiça divina.



Wálter Fanganiello Maierovitch



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IBGF, 21/03/2010.



Pedofilia na Igreja. Dúvida se a carta do papa foi completa. O lobo mau de batina.







1. Repercussões



Depois da carta enviada pelo papa Bento XVI aos católicos da Irlanda, multiplicaram-se — como os pães do milagre relatado no Evangelho —, os artigos na mídia escrita internacional para analisar a (1) suficiência da resposta pontifícia, (2) o seu futuro efeito inibidor com relação àqueles clérigos inclinados a abusar sexualmente de menores e (3) a mudança de postura dos superiores eclesiais dos infratores, pois cansaram de encobrir fatos graves a fim de evitar a difusão dos escândalos e macular o nome da Igreja.



O britânico The Guardian, da terra onde a rainha é a chefe da Igreja e não o papa, foi crítico: “A carta do papa aos católicos irlandeses decepcionou as vítimas de pedófilos. Ele perdeu uma grande oportunidade”.



Também crítico foi o The New York Times, que, em 2004, denunciou os escândalos sexuais a envolver clérigos, num arco de 1950 a 2002: 4.400 padres pedófilos envolvidos em 7 mil atos abusivos.



O The New York Times considerou insatisfatória a carta papal: “O papa pede desculpas pelo escândalo sobre abusos sexuais, mas não adota ações disciplinares imediatas”.



Como se nota pela leitura da carta, o papa Ratzinger tocou em pontos fundamentais como admissão de crimes graves e formalizou um pedido de desculpas. Mas não especificou os procedimentos apuratórios em curso nem tocou em ressarcimentos financeiros às vítimas.



2. Túnel do tempo



Em 1995, veio a furo o escândalo na Áustria e a demissão do arcebispo de Viena, Hans Hermann Groer, nada resolveu.



Nos Estados Unidos, em 2004, constatou-se, como frisei acima, que 4.400 padres pedófilos tinham perpetrado 7 mil abusos sexuais. Em 2002, fora defenestrado o cardeal de Boston, Bernard Law.



A remoção, em 2006, do padre pedófilo Marcial Maciel, da Legião de Cristo no México, só teve efeito midiático. Nem a indenização de 706 milhões de euros, estabelecida pela Justiça canadense, refreou o lobo mau que se disfarça com batina (confira, abaixo, o texto "Lobo mau de batina"). Neste 2010, pipocaram escândalos numerosos na Alemanha, Holanda, Suíça e Itália. Esse quadro sinalizava ao papa Ratzinger a necessidade de anunciar providências efetivas, ou seja, responder de modo a identificar procedimentos disciplinares instaurados e partir para uma efetiva, e não apenas retórica, cooperação com a Justiça laica.



3. A dureza da carta



A carta do papa Bento XVI, não se pode olvidar, foi dura e plena de expressões contundentes como, por exemplo, “crimes hediondos”, “confiança traída”, “dignidade violada”, “dano imenso”, “ultraje”, “indignação”, “tristeza”, "lágrima”.



Numa passagem, ficou grafado: “Em nome da Igreja exprimo abertamente vergonha e o remorso que todos sentimos, experimentamos”.



A mensagem aos católicos irlandeses, e não se precisa de lupa ou ginástica mental para perceber, tem peculiariades próprias de uma carta pastoral.



Deixa claro, por exemplo, que fatos individuais, contrários aos deveres e à ética católica, não maculam toda a instituição. Ou seja, não são de inteira responsabilidade da comunidade católica. Em outras palavras, os abusos sexuais de padres representam a infidelidade, traição, de alguns e não uma responsabilidade de todos.



4. Mudança de postura



Por outro lado, está clara a mudança de postura da Igreja. Antes, os clérigos pedófilos eram considerados doentes que podiam ser recuperados. Como consequência, os escândalos eram abafados.



Não será mais assim. Pelo menos, espera-se.



5. Lobo mau de batina



Reproduzo artigo que escrevi para a revista CartaCapital, na minha coluna semanal intitulada Linha de Frente para a Cidadania.



Os pedófilos têm a imagem associada à do Lobo Mau das histórias infantis, ou melhor, àquele personagem que deseja comer Chapeuzinho Vermelho. O lobo virou logotipo em sites que, a cada ano, exibem ilegalmente imagens de 12 milhões de crianças, entre 10 e 12 anos de idade.



Para indignação geral, o Lobo Mau também usa batina de padre e abusa sexualmente de crianças nos colégios e internatos. Em janeiro deste ano, cerca de 50 ex-alunos denunciaram abusos sexuais no colégio jesuíta Canisius de Berlim. E violências sexuais foram admitidas, ainda neste 2010, em colégios nas cidades de Hamburgo, Frankfurt, Munique. Também em Regensburgo, entre 1958 e 1973, com os meninos do coral da Catedral de Ratisbona. O coral, fundado no ano de 975, foi dirigido, de 1964 a 1994, pelo padre Georg Ratzinger, irmão mais velho do papa. Georg não é pedófilo, mas exagerava nos corretivos, desferindo tapas no rosto das crianças.



O próprio papa Ratzinger se assustou quando foi veiculado que havia protegido, quando arcebispo de Munique (março de 1977 a fevereiro de 1982), um abade pedófilo. Este, removido da diocese de Essen para Munique, em janeiro de 1980. O abade deveria realizar terapia, mas acabou encaminhado a uma paróquia para desenvolver atividade pastoral, sem restrições.



Em 1986, quando Ratzinger já havia assumido (1981), a convite do papa Wojtyla, a Congregação para a Doutrina da Fé, ex-Santo Ofício de triste memória, o abade pedófilo, por outros abusos sexuais, foi condenado pela Justiça alemã: 18 meses de cárcere, com suspensão condicional da execução da pena (sursis).



O clérigo Gerhard Gruber, então vigário-geral de Munique, assumiu a responsabilidade pelo sucedido e isentou Ratzinger. No ex-Santo Ofício, o atual papa não cobrou punição a nenhum padre pedófilo. Como Bento XVI e, diante dos escândalos, pregou a tolerância zero e transparência nas apurações sobre pedofilia e violências sexuais.



Algumas medidas serão anunciadas em breve pelo papa Ratzinger. Depois de ouvir reclamação da chanceler Angela Merkel, o papa, na Carta aos Irlandeses, deixará clara a obrigatoriedade da comunicação de ilícitos sexuais para as autoridades policiais, laicas e de a Igreja colaborar com as investigações.



A Igreja não é uma mera associação privada, como proclamam os democratas franceses de tradição jacobina. Como já frisaram pensadores liberais, a fé não é algo indiferente para o homem e, por isso, as religiões (todas) não são simples associações privadas. Só que tal status não serve para justificar que um religioso fique fora do alcance dos tribunais da Justiça laica, por fato tipificado como crime.



A notícia de crime de violência sexual para a polícia, informam os vaticanistas, só não será realizada se a vítima não quiser. Será deixada, assim, uma porta aberta para eventuais pressões e invocação do espírito cristão do perdão.



O instituto da prescrição canônica será mudado para as infrações graves, como a pedofilia. Atualmente, o prazo prescricional é de dez anos, a contar da data que a vítima completa 18 anos. Como se sabe, muitas vítimas só conseguem vencer barreiras psicológicas depois dos 40 anos e motivadas por um grande e recente escândalo.



A pedofilia perpetrada por integrantes da Igreja será, por determinação do papa Ratzinger, considerada imprescritível. A propósito, o fim da prescrição para pedófilos foi sugerido pelo monsenhor Charles Scicluna, acusador-geral nos procedimentos perante a Congregação da Doutrina da Fé. Em 2002 e logo após estourar o escândalo de Boston (EUA), onde 200 padres foram acusados de praticar pedofilia, o então papa Wojtyla deliberou que, caso a caso, se poderia, pela gravidade do ato, não se reconhecer a prescrição.



Com Ratzinger indignado e abatido, realizou-se o tradicional Congresso sobre Sacerdócio, organizado pela Congregação Vaticana para o Clero. O bispo de Regensburgo, Gerhard Ludwig Müller, falou sobre celibato, instituído na Igreja latina pelo Concílio de Trento de 1563, e abusos sexuais. E concluiu: “Não consigo estabelecer ligações entre o celibato e os casos de pedofilia ocorridos na Igreja. Os abusos sexuais sucedem em todos os segmentos, até nos não celibatários”.



O consagrado psiquiatra e neurologista alemão Marfed Lutz, da Universidade de Wuerz-burg, derrubou a polêmica tese do criminalista europeu Bill Marshall. Para o criminalista, a castidade não representa um fato natural e pode predispor a uma conduta desviante. Segundo Lutz, não há “déficit de intimidade” entre celibatários. Quem “consegue manter uma vida espiritual iluminada pela presença de Deus não padece de déficit afetivo”, frisou Lutz. O referido congresso abriu caminho para Ratzinger fincar o pé no celibato, ou melhor, reafirmou o seu “valor sagrado, como autêntica profecia”.



Wálter Fanganiello Maierovitch




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