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Berlusconi vence com carona pega com a Liga Norte.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 31 de março de 2010.



Direto de ROMA.


1. Num Estado constitucional unitário, os italianos tiveram todo o domingo e parte da última segunda-feira (até as 15 horas) para escolher os administradores regionais: equivalente a governadores nos estados federados, como o Brasil e os EUA.



A abstenção foi recorde. Ou seja, um italiano, a cada grupo de três, deixou de comparecer às chamadas eleições de midterm, regionais.



Os analistas políticos independentes previam a derrota de Berlusconi, que levantou a bandeira do voto político, ou melhor, de referendo à sua pessoa. Em resumo, o primeiro-ministro Berlusconi transformou uma eleição administrativa, regional, em política e voltada à aprovação da sua pessoa. Frise-se: à sua pessoa e não ao seu governo.



Como escreveram alguns, seria uma derrota semelhante àquela experimentada, há pouco, por Sarkozy, na França.



Referendo para aprovação pessoal e não ao seu governo, parecia muita pretensão de Berlusconi. Até porque Berlusconi corrompeu testemunha (advogado Mills) para mentir na Justiça de modo a livrá-lo de uma condenação criminal. Mais ainda, aprovou leis para reduzir prazos prescricionais e, assim, trancar processos criminais por fraudes fiscais. Fora isso, o seu governo foi desastroso: durante dois anos, Berlusconi afundou a Itália economicamente e a transformou em recordista no item desemprego. Tudo, sem esquecer, num exemplo de quem confunde o privado com o público, o escândalo com garotas de programa e o presumido namoro com uma menor de idade de Nápoles, que o chamava carinhosamente de “papi”.



Ontem, por volta das 23h40, os canais de televisão mostraram e informaram, diretamente do centro de totalização no Palazzo Viminale, a vitória de Berlusconi, com fundamental e decisivo apoio da Liga Norte (direita que já foi separatista e hoje se apresenta como reformista pró-federalismo).



Nas principais e mais populosas cidades italianas, o premiê Silvio Berlusconi, carregado pela coligada Aliança Nacional, conseguiu levar o seu partido (PDL-Povo da Liberdade) a uma surpreendente vitória.



Com exclusão da Ligúria (Gênova), Berlusconi venceu no norte e, ressalte-se, graças à Liga Norte, do direitista Umberto Bossi.



A propósito da região norte, Berlusconi venceu no Piemonte (Torino), reduto tradicional do centro-esquerda. Na Lombardia (Milão), o seu candidato foi reeleito pela quarta vez consecutiva.



2. O quadro geral pode levar a interpretações enganosas, pois, das 13 regiões, o partido de Berlusconi (PDL) venceu em seis e perdeu em sete. Só que a direita e o centro-direita tiveram mais votos e conquistaram as regiões mais importantes.



3. A grande surpresa ficou por conta da região Lazio (Roma), onde concorreram a iniciante Renata Polverini e a tarimbada Emma Bonino. Venceu, com 50,6% dos votos, Polverini. Bonino conseguiu 48,9% dos votos válidos.



Polverini, uma líder sindical de direita, contou com o decisivo apoio de Berlusconi, que, anteriormente, já havia eleito o ex-neofascista Alemano para prefeito de Roma.



Na região da Úmbria e no confronto entre as candidatas Catiuscia Marini e Fiammetta Modena, venceu a primeira, de centro-esquerda e com 57,4% dos votos.



Outra mulher de centro-esquerda, Mercedes Bresso, perdeu no Piemonte, com 46,3% dos votos. O vencedor, Roberto Cota, teve 47,8 % e triunfou em face dos votos obtidos fora de Torino, a capital da região.



PANO RÁPIDO. Carregado pela Liga Norte, antigos separatistas da Padânia (região do rio Pó e a mais rica da Itália), Berlusconi “levou” os governos do Piemonte (Torino), Lombardia (Milão), Vêneto (Veneza), Lazio (Roma), Campania (Nápoles) e Calábria (Reggio Calábria).



A grande vencedora, no entanto, foi a coligada Liga Norte, liderada por Umberto Bossi, que já se lançou, contra a vontade de Berlusconi, candidato à prefeitura de Milão.



Bossi, líder da legenda chamada “Carroccio”, vai dar as cartas e já avisou: “Federalismo já”. Se vingar a reforma e a Itália passar de Estado unitário a Estado federal, o presidente da República será eleito diretamente. Se isso ocorrer, Berlusconi poderá se transformar em presidente da República.



Nas eleições, cresceram, além do Liga Norte, o partido Itália dos Valores, do ex-magistrado Antonio Di Pietro, e a agremiação de Beppe Grillo, um humorista que, como Di Pietro, faz oposição a Berlusconi e à esquerda democrática (Partido Democrático).



Pobre Itália. Meus avós devem estar a virar nos seus túmulos. A esperança continua na Emilia Romana, muro impenetrável ao direitismo de matriz fascista.

Wálter Fanganiello Maierovitch


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