São Paulo,  
Busca:   

 

 

Agora

 

Pedofilia na Igreja. Padre pedófilo invocava nome de Deus. Uma mulher na investigação.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 29 de março de 2010.




Direto de ROMA. 1. Mais de 50 mil fiéis lotaram a praça São Pedro para acompanhar a celebração do Domingo de Ramos, que marcou a abertura do tempo reflexivo da Páscoa.



Pela primeira vez e segundo observaram os vaticanistas, o papa Bento XVI, próximo a completar 83 anos, não estava em condições físicas ideais para acompanhar a pé a procissão de Ramos.



Ratzinger fez uso do papamóvel, longe, evidentemente, da imagem do Humilde que, há séculos, empolgou ao montar o lombo de um pequeno burro emprestado.



Muitos aproveitaram essa supracitada cena do papamóvel para recordar dos heroicos sacrifícios de João Paulo II, cujo quinto aniversário de morte ocorrerá na sexta-feira 2.



Como o Estado-Maior vaticano fala em guerra contra a Igreja e, também, no papa Ratzinger como alvo de uma campanha de descrédito promovida pela mass media, da homilia papal de ontem se pode extrair um recado: “ De Deus vem a coragem para não se deixar intimidar com os falatórios das opiniões dos dominantes”.



--2. O certo é que Ratzinger acabou por passar recibo. Ele demonstrou, por ocasião do rito de Ramos, irritação com as matérias do The New York Times (confira, abaixo, postes deste blog Sem Fronteiras de Terra Magazine) sobre a Igreja ter acobertado casos de pedofilia e, ainda, omitido-se em não afastar do sacerdócio clérigos conhecidos, que abusavam de menores, em estabelecimentos escolares católicos.



Segundo o jornal The New York Times, o caso do padre Lawrence Murphy, que de 1950 a 1974, abusou de crianças em escola católica St.John, no estado de Wisconsin, foi, por correspondência epistolar recebida, participado, para providências, a Ratzinger, então responsável pela Congressão da Doutrina da Fé, ex- Santo Ofício da Inquisição.



Sobre esse episódio, uma das vítimas, Steven Geier, hoje com 59 anos de idade e vítima de abusos, por quatro vezes, aos 15 e 16 anos, contou o seu calvário. Geier recordou que nenhuma providência, apesar de denuncias verbais feitas por vários alunos, foi tomada pela Igreja e, no âmbito laico, pelo chefe estadual do ministério Público.



Com coragem, Geier contou que o padre Murphy levou-o para um quarto de dispensa do colégio a pretexto de lhe ministrar uma lição secreta sobre sexo. Depois do abuso, avisou que Geier não deveria contar nada a ninguém pois estava sob o sacramento da confissão e a lição era em nome de Deus.



Um canalha e farsante como Murphy, já falecido, permaneceu, e Igreja e autoridades laicas sabiam, a delinquir impunemente por mais de 40 anos.



--3. O arcebispo da Igreja Católica da Áustria, Christoph Schoenborn, designou uma comissão laica e independente, presidida pela respeitada católica Waltraud Klasnic, para investigar sobre casos de pedofilia nas instituições e relacionar as pessoas que deverão ser indenizadas.



Waltraud Klasnic escolherá livremente os membros da comissão e não poderá, apenas, designar clérigos para integrá-la, conforme determinação do arcebispo Schoenborn. A comissão, como adiantou Klasnic terá muitas mães.



--4. Na Alemanha, ontem, o mais forte dos movimentos católicos críticos, conhecido por “A Igreja somos nós”, lançou uma campanha pela abolição do celibato.



No jornal alemão Presse am Sonntag e em entrevista, o influente cardeal Carlo Maria Martini, --já candidato derrotado a papa--, afirmou “ Dever ser repensado a obrigação de celibato dos sacerdotes, como forma de vida”.



--5. Depois da surpreendente indagação do prestigioso Der Spinger (por que o papa não se demite ?), ontem, defronte à famosa e londrina catedral católica de Westminster, cerca de 100 britânicos protestaram contra o papa Ratzinger, acusado de haver acobertado os escândalos.



Os manifestantes, com cartazes, recomendaram a demissão do papa Bento XVI, por ter tido “uma influência direta direto no acobertamento dos abusos sexuais”.



--6. PANO RÁPIDO. Na edição de domingo, o The New York Times prosseguiu nos ataques a Ratzinger, definido como um autocrata a administrar segredos e vergonhas.



--Wálter Fanganiello Maierovitch-- ......................



IBGF, 28 de abril de 2010.

Os irmãos Ratzinger.



Direto de Roma.

1. Der Spiegel e a cabeça do papa Ratzinger.



Para os clérigos de plantão no Vaticano, existe uma guerra em curso, promovida pela “mass mídia” e o alvo é o papa Bento XVI.



Depois da denúncia de ontem (confira post abaixo), --referente ao caso do padre pedófilo Lawrence Murphy ( teria abusado de 200 crianças) e às imputadas omissões dos então cardeais Joseph Ratzinger e Tarcisio Bertone quando estavam à frente da Congressão para a Doutrina da Fè (ex- Santo Ofício da Inquisição), o jornal The New York Times voltou à carga.



Agora, o jornal norte-americano apresenta uma nova versão sobre o escândalo provocado pelo padre alemão Peter Hullerman, também acusado de pedófilia.



Diante de cenários a revelar histórias de abusos sexuais e apontar acobertamentos, como se nada tivesse acontecido, a prestigiosa revista Der Spiegel foi fundo. Ou seja, o Der Spiegel, --diante das matérias do The New York Times e de o bispo da alemã diocese de Fulda haver reconhecido “pesadas omissões” em episódios que escandalizaram o país--, coloca na sua manchete uma inquietante pergunta: “Por que o papa Bento XVI não se demite ?”



--2. Nova versão.



Depois do caso de abusos sexuais que vitimaram crianças do famoso coral da Catedral de Ratisbona, --onde o irmão mais velho do papa era diretor musical e disse jamais ter ouvido falar de pedofilia--,vieram à tona os abusos cometidos pelo abade alemão Peter Hullermann. Então, especulou-se o atual papa Ratzinger, quando era arcebispo de Munique (março de 1977 a fevereiro de 1982), teria abafado o caso.



O abade Hullermann fora removido da diocese de Essen para a de Munique, em janeiro de 1980. Esse abade deveria realizar terapia em Munique, em face do seu envolvimento com a pedofilia. Mas, o abade acabou encaminhado a uma paróquia para desenvolver atividade pastoral, sem restrições. Em 1986, quando Ratzinger já havia assumido (1981), a convite do papa Wojtyla, a Congregação para a Doutrina da Fé, ex-Santo Ofício da Inquisição, o abade pedófilo, por outros abusos sexuais, foi condenado pela Justiça alemã: 18 meses de cárcere, com suspensão condicional da execução da pena (sursis).



O papa Ratzinger foi isentado pelo vigário geral de Munique. Referido clérigo, Gerhard Gruber, disse que o então arcebispo Ratzinger não sabia de nada e nunca havia tomado conhecimento do episódio a envolver o abade Hullermann. Frisou ainda que assumia toda a responsabilidade pelo encaminhamento do abade pedófilo a outra paróquia ao invés de enviá-lo a uma clínica para tratamento. O certo é que Hullermann nunca foi punido pela Igreja.



Para o The New York Times, a história foi outra, pois Ratzinger, em 20 de janeiro de 1980, recebera um documento da diocese de Essen sobre o caso Hullermann e nele constava a decisão de transferência para Munique para fins de tratamento. O jornal destaca que o tal documento, datado de janeiro de 1980, foi confirmado “por duas fontes eclesiásticas”.



Com a matéria, o jornal quer demonstrar que Ratzinger tinha se inteirado do caso do abade Hullermann e que Gruber faltou com a verdade.



---3. Reação da Igreja.



O padre Federico Lombardi, uma espécie de assessor de imprensa do papa Bento XVI, classificou a matéria do The New York Times como “mera especulação”, em cima de algo requentado e sobre o qual o monsenhor Gruber “assumiu a plena responsabilidade da sua própria e errada decisão”.



--4. Giro de notícias pelo mundo.



O jornal espanhol El Mundo , no seu sitio web, trata da nova acusação inserida no jornal The New York Times e registra o desmentido por parte do Vaticano.



O britânico The Times, na sua página on-line, endossa a versão do The New York Times e reconstrói o acontecido com o abade Peter Hullermann que, ao invés de psicoterapia, foi enviado para atividade religiosa apostólica, sem restrições.



Para o francês Le Monde, conforme sítio web, o papa Ratzinger passa por “momento delicado” em fase da multiplicação de casos de pedofilia que não deram em nada.



--5.PANO RÁPIDO. Por aqui, é intenso o vendaval do lado do rio Tevere, onde está incrustado o pequeno estado do Vaticano. Nas homilias da missa domenical os temas são apenas espirituais e ligados ao tempo penitencial da Quaresma. Enquanto isso, ecoam as palavras do padre Raniero Cantalamessa, da Casa Pontifícia: “ A Igreja, com humildade, sairá, desta guerra, mais esplendorosa do que nunca”. Espera-se, pois a linha do “abafar” fere aos direitos humanos e passa a idéia de conivência.



A “tolerância zero” proclamada por Ratzinger, com comunicações às autoridades laicas e colaboração nas investigações, é que melhor se enquadra à doutrina Cristã e conforta os católicos.

--Wálter Fanganiello Maierovitch--

.......................................

IBGF, 27 de março de 2010.




Direto de ROMA.

1. Como se diz por aqui, a repercussão da denúncia do jornal The New York Times não morreu do outro lado do rio Tevere, onde fica a cidade do Vaticano.



Os noticiários dos telejornais de hoje cedo mostraram que toda a Europa Ocidental ficou escandalizada com a ordem de “engavetamento” dada para o caso do padre norte-americano Lawrence Murphy, da diocese católica de Wisconsin.



O padre Lawrence Murphy, de 1954 a 1974, abusou sexualmente de mais de 200 crianças, quando trabalhava no colégio católico John's School. Entre as vítimas estavam crianças portadoras desenvolvimento mental retardado.



Sem nunca ter sido processado pelas justiças laica e eclesial, o padre Murphy faleceu em 21 de agosto de 1998.



Em 1974, o arcebispo William Cousins, por ser voz corrente os abusos sexuais perpetrados por Murphy, afastou-o do colégio. Então, Murphy foi colocado em outra diocese, onde, por mais de 20 anos, trabalhou com crianças em escolas de paróquias e com menores infratores internados em estabelecimento do Estado.



O ex-Santo Ofício da Inquisição, hoje repaginado e chamado de Congregação para a Doutrina da Fé, foi informado, para tomar providências, dos crimes praticados pelo padre pedófilo Murphy.



À época, o atual papa Ratzinger presidia a Congregação para a Doutrina da Fé e o seu vice era o cardeal Tarcisio Bertone, atual secretário de Estado do Vaticano e segundo homem da hierarquia eclesiástica.



2. Segundo o jornal The New York Times, o bispo de Milwaukee, Rembert Weakland, enviou, oficialmente, duas cartas-denúncia a Ratzinger, quando este presidia o ex-Santo Ofício.



A matéria jornalística está documentada. Os documentos foram fornecidos pelos advogados Jeff Anderson e Mike Finnegan. Eles são advogados de cinco vítimas de Murphy.



As cartas com denúncias contra Murphy foram enviados a Ratzinger em 1996.



Nenhuma dessas duas cartas foi respondida por Ratzinger.



3. Passados 8 meses, o bispo Weakland recebeu resposta às duas missivas enviadas. A resposta não foi fornecida diretamente por Ratzinger. Acabou dada por Tarcisio Bertone, o segundo homem da hierarquia do ex-Santo Ofício.



Num primeiro momento, o cardeal Bertone ordenou a instauração de um processo secreto para a destituição do padre Murphy.



Mas, um ano depois, Bertone mudou de idéia. Disse que o padre Murphy estava mal de saúde, que enviara uma carta de arrependimento a Ratzinger e os fatos tinham ocorrido há mais de 30 anos. Bertone finalizou a carta com a recomendação para adoção de medidas pastorais, ou seja, nada de processo disciplinar. Apenas advertências para conduzi-lo ao arrependimento e restrições territoriais para celebração da eucaristia



. Preocupado, o bispo de Weakland voltou a escrever a Bertone. Comunicou que Murphy jamais havia revelado remorsos pelos seus atos. Ou seja, era um pedófilo assumido.



Bertone, apesar do alerta, mostrou-se irredutível e concluiu pela inexistência de elementos para iniciar um processo.



4. Duas publicações saíram, hoje, em defesa do papa Bento XVI. O “diário oficial do Vaticano”, Observatório Romano, fala da intenção permanente de veículos da “mass-mídia” em atingir, a qualquer custo, a imagem do papa Bento XVI e dos seus colaboradores.



O cotidiano Avvenire, uma publicação dos bispos italianos, conclui pela leitura tendenciosa dos fatos, pelo jornal The New York Times.



Em entrevista ao jornal Corriere della Sera de hoje, o monsenhor Gianfranco Girotti, diretor da Penitenciária Apostólica, um tribunal que cuida das almas, alerta que a Congressão para a Doutrina da Fé, na qual trabalhava com Ratzinger e Bertone, jamais “colocou areia” na apuração do caso Murphy. Mais ainda, quando souberam do caso, Murphy estava morrendo: “Efetivamente, morreu poucos meses depois”.



5. PANO RÁPIDO. Pelo jeito, até Deus duvida de Ratzinger não ter sido informado por Bertone sobre o ocorrido com o padre norte-americano Murphy, ou seja, casos de pedofilia com vítimas menores, dentre elas crianças com desenvolvimento mental retardado e algumas com surdo-mudez.



Como o renitente Murphy já estava para deixar esse mundo, parece que Ratzinger e Bertone repassaram a solução para outra instância, a Justiça divina.

Wálter Fanganiello Maierovitch i


© 2004 IBGF - Todos os direitos reservados - Produzido por Ghost Planet