São Paulo,  
Busca:   

 

 

Agora

 

Corrupção. Arruda tenta retomar mandato de governador e ficar preso no seu domicílio.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 19 de março de 2010.



1. O cassado governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, dificilmente deixará de conseguir efeito suspensivo no seu recurso contra a decisão do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-DF).



Por infidelidade partidária, o TRE tirou-lhe o mandato. Não pode devolvê-lo ao Partido Democrata (DEM) em face da renúncia do vice-governador Paulo Octavio.



Com efeito. O TRE-DF determinou eleições indiretas para a chefia do Executivo distrital. Isso pelos suspeitíssimos deputados locais e o pedido de intervenção federal no Executivo e no Legislativo, em curso no Supremo Tribunal Federal (STF).



A propósito, ontem, Roberto Gurgel, procurador-geral da República, com todo acerto, insistiu no pedido de intervenção federal, pois nada mudou nos poderes questionados.



As alterações — e tem razão o procurador Gurgel — sob o prisma naturalístico, ou seja, de efetivas mudanças, decorreram apenas de atos judiciais, com prisão preventiva e cassação do mandato. Quanto ao impeachment, foi apenas autorizada a abertura de processo e tramita pela Câmara Distrital.



O efeito suspensivo, que provavelmente será dado ao recurso, permitirá a Arruda retomar o cargo de governador, com os seus consectários: foro privilegiado do Superior Tribunal de Justiça (STJ) para ações criminais e para as demais, no Tribunal de Justiça (TJ-DF). Mais ainda. Por baixo, o exame do recurso contra a cassação não ocorrerá antes do fim do mandato. Ou seja, quando colocado em pauta será dado por prejudicado.



2. Arruda aposta, como já destacado neste blog Sem Fronteiras de Terra Magazine, numa prisão domiciliar à Lalau.



Em outras palavras, Arruda busca uma prisão domiciliar como a obtida pelo juiz Nicolau dos Santos, apelidado Lalau. O juiz Nicolau está custodiado na sua mansão, no aristocrático bairro paulistano no Morumbi. Como escolta sai caro, viaturas com agentes federais passam, de vez em quando, pela mansão.



Parêntese. Quando havia escolta, os vizinhos preferiam. Os policiais afugentavam os ladrões desconhecidos.



Lalau contou com atestados médicos. A diagnosticada depressão, por estar preso, foi dito que poderia levá-lo à morte.



A combativa e íntegra procuradora Janice Ascari bate-se para a volta de Lalau para a cadeia. Enquanto isso, Lalau luta, –no exterior e com advogados caros–, para evitar a repatriação de dinheiro suspeito ( falta de origem comprovada,embora ele diga trata-se de herança). Pelo jeito, a depressão já passou, em casa.



Arruda, antes de bom coração a ponto de distribuir panetones a carentes ( o superfaturamento é apenas um detalhe), está tendo problemas. O seu coração já não está tão bom, segundo um médico cardiologista. E foi recomendada dieta alimentar, atividade física e menos estresse. Em outras palavras, o remédio recomendado é a volta para a sua casa.



No Brasil, no elenco das esculhambações, a prisão domiciliar desponta na tabela. O custodiado usa telefone, recebe visitas, etc,etc.



Na Itália, o beneficiado só pode conversar com a esposa e filhos que morem na casa. Os telefones são cortados, há monitoramento com braceletes eletrônicos e bloqueadores de celulares. O custodiado, dada a seriedade, nem arrisca enviar bilhetinhos.



Ao que tudo indica, Arruda deverá, –pelos atestados médicos e pelo fato de a Procuradoria haver pedido mais prazo para concluir o inquérito–, receber o benefício da prisão domiciliar. Ou será que não estamos no Brasil ?



A sub-procuradora é contra o pedido de prisão domiciliar e demonstrou ser necessária a manutenção da prisão, em estabelecimento do Estado.



Arruda, fora do cárcere, já demonstrou que faz qualquer coisa para se dar bem, isto é, pra não ser condenado. Ele já ameaçou testemunha e, quando senador, renunciou para não ser cassado, depois de bisbilhotar os votos secretos dos seus pares, no episódio conhecido como violação do painel de votação. Durante um tempo e antes da renúncia, o então senador Arruda interpretou o papel de inocente. Depois, representou o arrependido. Quando não dava mais para manter a farsa, renunciou.



–3. PANO RÁPIDO. A concessão de prisão domiciliar será desmoralizante. Mostrará que, no Brasil e apesar do estabelecido pela Constituição, nem todos são iguais.



Agora, uma pergunta feita pelas minhas canetas-falantes. Será que alguém confiaria a Arruda a entrega,– para um amigo fraterno como destinatário–, de um panetone, comprado regularmente em supermercado ?

–Wálter Fanganiello Maierovitch–


Assuntos Relacionados
© 2004 IBGF - Todos os direitos reservados - Produzido por Ghost Planet