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Máfia. Aperta-se o cerco e o atual chefe dos chefes poderá ser preso em breve.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 17 de março de 2010.

Matteo Messina Denaro.


1. Nascido na siciliana cidade de Corleone, Salvatore Totò Riina foi o mais sanguinário dos chefes da Cosa Nostra.



Com mão de ferro, ele transformou a Comissão Provincial, órgão de governo da Cosa Nostra, em corpo auxiliar e tornou-se o chefe-dos-chefes.



Como contou um colaborador de Justiça, o capo Riina não pedia sugestões, apenas ordenava. Agia como um ditador.



Riina foi quem mandou dinamitar, dentre outros, os juízes Giovanni Falcone e Paolo Borsellino. Ele decretou guerra contra o Estado italiano e bombardeou Florença, Milão e Roma.



O executor das ordens para bombardear Florença, Milão e Roma, com civis inocentes mortos e feridos, foi Matteo Messina Denaro, hoje com 48 anos e foragido da Justiça há 17 .



Sem tirar os pés da Sicília, Riina permaneceu foragido 24 anos. Ou seja, tinha pleno controle do território e ninguém ousava violar a lei mafiosa do silêncio, chamada omertà.



Diante de tantas ousadias, Riina acabou preso em 15 de janeiro de 1993: foi dado como foragido da Justiça em 8 de julho de 1969. Ele residia num aristocrático bairro em Palermo.



Sua prisão foi um mistério, que começou a ser decifrado no final de 2009. Mistério porque os policiais que o prenderam, quando deixava a sua casa num automóvel com motorista particular, apenas voltaram à sua moradia no dia seguinte ao da prisão. A casa estava vazia e todos os arquivos e papeis foram tirados de lá durante a noite.



Por isso, a magistratura do Ministério Público trabalha, hoje, com a hipótese, com base em relatos do filho do mafioso que era prefeito de Palermo à época, de um acordo para entregar Riina, que acabou surpreendido.



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O acordo teria sido alinhavado pelo prefeito Vito Ciancimino, um aliado de Bernardo Provenzano, o número 2 da hierarquia mafiosa e contrário à guerra contra o Estado italiano. Segundo o filho de Ciancimino, também mafioso, o atual premiê Silvio Berlusconi estaria envolvido nas negociações com a Máfia.



2. Matteo Messina Denaro continua fiel a Riina.



Com a prisão de Bernardo Provenzano (ficou 40 anos foragido sem sair da Sicília), o chefão da Máfia passou a ser Matteo Messina Denaro, que comanda, na região de Trapani, a famiglia mafiosa da cidade de Castelvetrano. Ele realiza tráfico de drogas, de armas e extorsões. Está condenado por homicídios, associação mafiosa e por ter executado os ataques a Florença, Milão e Roma.



Denaro quase foi preso na segunda-feira. Conseguiu fugir, mas seu irmão, que é o contador da célula mafiosa de Castelvetrano acabou preso.



Foram pegos, também, 19 auxiliares diretos de Matteo Messina Denaro, que nasceu em Castelvetrano. Dentre os presos estão incluídos os que levavam os bilhetes escritos de próprio punho por Denaro: "i postini" (os carteiros).



A propósito, os grandes chefes mafiosos não usam celular nem internet. Enviam ordens por bilhetinhos (pizzini), que mudam de mãos várias vezes, até chegar ao destinatário.



A supresa na Operação Golem ficou por conta da prisão de Nino Marotta, um velho capo da mafia de 83 anos e membro da famiglia mafiosa de Castelvetrano, dirigida por Denaro.



Marotta, como constataram os policiais que participaram da Operação Golem, ainda pertencia aos quadros dos servidores ativos da Cosa Nostra.



PANO RÁPIDO. O ministro do Interior anunciou que está próxima a prisão de Matteo Messina Denaro, o atual chefe da Máfia que, como Totò Riina, nunca permitiu a reorganização da Comissão Provincial. Só ele manda, à Riina e como chefe-dos-chefes.

Wálter Fanganiello Maierovitch


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