São Paulo,  
Busca:   

 

 

Agora

 

Pedofilia e Igreja. Novos desdobramentos no caso dos meninos cantores do Coral da Catedral de Regensburgo.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 11 de março de 2010.



1. Neste 2010, a Alemanha virou a bola da vez com relação a escândalos decorrentes de crimes sexuais em colégios internos, religiosos e laicos.



2. O último veio a furo em 5 de março, conforme comentamos em dois posts.



O escândalo de março de 2010 refere-se aos consumados crimes de pedofilia e atentado ao pudor que vitimaram meninos do famoso coral da catedral de Regensburgo, também conhecida por catedral de Ratisbona, isto pelo histórico diálogo de Ratisbona entre católicos e protestantes, ocorrido no século XVI.



3. Os crimes sexuais de autoria de padres e a envolver os meninos-cantores da catedral de Regensburgo (Domspatzen) consumaram-se entre 1958 a 1973.



O irmão do papa Bento XVI, padre Georg Ratzinger, dirigiu o coral de 1964 a 1994 e não pesa contra ele nenhuma suspeita de autoria de tais delitos.



A dúvida, apenas, é se houve omissão do padre Georg. Ou melhor, ocorreu ou não “abafamento” dos casos para evitar a exposição da Igreja?



Goeorg vai colaborar com a polícia, pois, durante muitos anos, dirigiu o coral.



4. No fim de semana, conforme noticiamos no Sem Fronteiras de Terra Magazine , o padre Georg Ratzinger, de 86 anos, irmão mais velho de Bento XVI, disse que cuidava apenas da parte musical e não da disciplinar. Mais ainda, sustentou nada saber a respeito de crimes sexuais: “Não acredito que ocorreram”. Ressaltou, também, que não dirigia o coral quando dos ilícitos apontados.



5. O responsável pela diocese, bispo Gerhard Müller, confirmou os crimes. Admitiu dois casos com padres, entre 1958 e 1973. O último deles, em 1973, quando Georg Ratzinger já dirigia o coral.



O bispo Müller destacou que os dois padres-criminosos já faleceram.



6. Desde o início desta semana, o padre Georg mudou seus relatos, diante da reclamação do governo da Alemanha da não colaboração da Igreja tedesca nos esclarecimentos.



Para a chanceler alemã Angela Merkel, a Igreja precisa colaborar nas apurações pela sua seriedade e empenho social-construtivo.



7. Georg Ratzinger, nesta semana, já reconheceu que algumas violências aconteceram, mas não de natureza sexual. Ele mesmo admitiu ter dado uns tapas em alguns meninos, como corretivos.



Pelos tapas nos meninos pediu desculpas na terça-feira passada. E frisou que, depois da entrada em vigor da lei alemã que proibia violência física contra estudantes (a lei é de 1980), parou de ministrar corretivos: tapas, alguns no rosto dos meninos.



Ao confessar os tapas e, agora, se desculpar, parece que o padre Georg não cuidava apenas da parte musical, como ressaltou em entrevista.



Sobre os tapas, falou que os tempos eram outros. “Isso era admitido, isto é, tolerado, até a chegada da lei”, diz Georg.



8. O coral de Regensburgo é o mais antigo do mundo. Foi formado em 975, ou seja, tem mais de mil anos. Tornou-se famoso na segunda metade do século XX e, pelo sucesso, tem agenda de excursões para apresentação em vários países.



9. Ontem, dois dados novos surgiram.



Dos dois padres-professores mencionados pelo bispo Müller, autores dos abusos sexuais, a Justiça alemã os processou e condenou. Soube-se disso ontem, pelo levantamento realizado pelos jornais alemães.



O primeiro dos padres-pedófilos, por fato consumado em 1958 (Georg não dirigia o coral de Regensburgo-Ratisbona), foi condenado a dois anos de prisão.



O segundo clérigo-pedófilo recebeu a pena de 11meses de detenção, em face de crime perpetrado em 1971 (Georg já era diretor do coral).



Pelo que sabe, os dois foram expulsos do internato de Regensburgo, mas ainda não se tem informação se afastados da Igreja. Ignora-se, ainda, se cumpriram a pena na prisão ou se beneficaram de regime aberto ou sursis (suspensão condicional da execução da pena privativa de liberdade).



10. Amanhã, sexta-feira, o papa Bento XVI receberá o arcebispo Robert Zollitsch, prelado maior na hierarquia católica da Alemanha, para melhor se inteirar do sucedido. Como já se sabe, o papa Ratzinger vai manter a linha “tolerância zero”. Ou seja, nada de impunidade e transparência absoluta.



11. Enquanto isso, a polícia começou a ouvir alunos que, nos últimos dez anos, dizem ter sido vítimas de abusos em colégios internos. Religiosos ou laicos.



12. PANO RÁPIDO. A Rádio Vaticano, veículo de difusão oficial do Estado, acaba de entrevistar o padre Federico Lombardi e sua manifestação foi muito comentada na mídia européia: “Os erros verificados nas instituições e de responsabilidade eclesiástica são particularmente reprováveis. Mas a questão é muito mais ampla”.



A referência à amplitude vem na linha do recomendado pelo arcebisbo de Viena (Áustria), Christoph Schönnhorn, e encampado pela Santa Sé. Para o vienense , “o problema envolve a sociedade como um todo”. Daí, o papa Ratzinger falar em transparência.

Wálter Fanganiello Maierovitch


Assuntos Relacionados
© 2004 IBGF - Todos os direitos reservados - Produzido por Ghost Planet