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Drogas. Cracolândia. Governo Serra trata dependentes como criminosos.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 26 de fevereiro de 2010.

José Serra, paixão repressiva.




O governador do estado de São Paulo, José Serra, foi ministro da Saúde.

Apesar disso, parece ainda não saber distinguir o traficante de drogas ilícitas do dependente delas.

Serra trata tudo como questão policial-criminal. Pior, como se viu ontem na região conhecida como Cracolândia, o governador deu o seu aval a uma operação, pela Polícia Civil, desumana e desastrada no que toca aos dependentes. Estes, não conseguem abandonar as ruas e nem encontrar assistência social. Aliás, para os pobres, não existem clínicas públicas disponíveis e nem comunidades terapêuticas adequadas. Serra e Lula, no particular, fracassam no enfrentamento ao fenômeno representado pelas drogas proibidas.

Em outras palavras, o governador Serra é incapaz de compreender situações diversas, ou seja, uma criminal (tráfico de drogas) e outra de saúde pública (dependência química e psicológica). Serra, confunde as situações e deixa a polícia intervir em questão sócio-sanitaria.

Nenhum país civilizado, que respeita direitos humanos, autorizaria uma operação como a que acabou de acontecer em São Paulo. Ou seja, numa operação, a polícia reprimiu traficantes de drogas ilícitas e realizou a detenção (privou da liberdade de locomoção) cerca de 300 dependentes de crak. Todos os detidos, pelo uso dessa droga, portam rebaixamento intelectual e incapacidade para realizar juízos de valor. Assim, não conseguem se livrar das drogas, sozinhos.

Não bastasse, a operação policial realizada na Cracolândia pelo governo do estado de São Paulo escolheu, --para os dependentes e sem avisar as autoridades sanitárias--, a solução conhecida como “desintoxicação” ambulatorial. Como o posto municipal de saúde nada sabia, os dependentes foram soltos. Lógico, e como das vezes anteriores, voltaram para a Cracolândia.

PANO RÁPIDO. Certa vez, numa comunidade terapêutica que consegue recuperar 80% dos pacientes, fiquei a refletir sobre uma frase, pintada na porta de entrada: “Não existem pessoas (usuárias de drogas) irrecuperáveis. Existem, apenas, os irrecuperados pelo estado”.

A frase está na comunidade de San Patrignano, fundada em 1978 pelo saudoso Vincenzo Muccioli. A comunidade (uma fazenda) fica em Coriano, na província italiana de Rimini. Como a sede é na rua San Patrignano, a comunidade acabou por adotar esse nome.

Para a polícia civil de São Paulo, a operação na Cracolândia foi um sucesso. Já o secretário municipal da saúde, com relação ao dependentes, a considerou descriminatória e pirotécnica. Abuso, insensibilidade, seriam as palavras mais adequadas. E o governador, como sempre acontece em questões delicadas, mantém o costumeiro silêncio, que pode ser interpretado como conivência.

--Wálter Fanganiello Maierovitch—

Em tempo: aviso aos patrulheiros. Não sou petista. E nunca, na vida, tive filiação político-partidária.


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