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Maconha. Tráfico gera 60% dos lucros líquidos dos cartéis mexicanos.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 16 de fevereiro de 2010.



A agência antidrogas do governo norte-americano (DEA) acostumou-se, nos dois mandatos do ex-presidente George W. Bush, a alimentar com dados estatísticos o discurso para se recrudescer a “war on drugs” (guerra às drogas).



Para os mais lúcidos, as estatísticas da DEA servem para confirmar a absoluta falência da “war on drugs”, incorporada nas Convenções das Nações Unidas e vigentes desde 1961.



Criminalizar, encarcerar o usuário e executar projetos milionários e ruinosos, --como o Plan Colômbia, Plan Mérida (México), Plano Dignidade (Bolívia)--, só fazem crescer a indústria da droga e os seus lucros fabulosos: 300 bilhões-ano, por baixo e a circular nos bancos.



Neste ano de 2010, o último dado apresentado pelo departamento antidrogas dos EUA (DEA) revela que 60% dos lucros líquidos obtidos pelos cartéis mexicanos são provenientes do tráfico de maconha. E como todos sabem, os cartéis mexicanos e colombianos abastecem o mercado de maconha dos EUA.



Sobre isso, Jorge Castaneda Guzman, ex-ministro de relações exteriores do México e professor da New York University, fez duas contundentes observações.



Primeiro: - “ O consumo de drogas nos EUA não diminuiu por nada nos últimos dez anos e não existem razões ou medidas que possam levar a pensar em mudanças futuras no estado das coisas. De fato, os EUA andam em direção oposta, ou melhor, não aceitam a descriminalização da maconha, não há uma tolerância maior às formas de redução de danos, . . ., e, enfim, resistem à adoção de uma política menos repressiva sobre drogas”.



Segundo: - “ É absurdo admitir que centenas de policiais, soldados e pequenos traficantes, morram por causa da guerra às drogas em Tijuana, quando cerca de 100km ao norte, em Los Angeles, existem mais pontos de comércio de maconha terapêutica do que escolas públicas, consoante mostrado pelo jornal New York Times, ”.



A opinião de Castaneda, que avisa que os EUA e o México devem caminhar juntos na legalização da maconha, está na revista Foreign Policy de fevereiro e que acaba de ser distribuída: -“ Uma estratégia mais sábia e competente para o México seria unir-se aos EUA para propor a legalização da marijuana e da heroína”, sustenta Castaneda.



PANO RÁPIDO. O presidente mexicano Felipe Calderon, um súcubo do então desgoverno W.Bush, colocou no seu país, ao adotar a “war on drugs”, uma camisa de sete varas. Nessa sua guerra, -- reprovada pela população--, os cartéis estão a vencer e a desmoralizar o Exército nacional, envolvido no combate. As tragédias são diárias, pois morrem mais civis inocentes do que membros dos cartéis.



Enquanto isso, e para tentar ocupar espaço na mídia internacional, um trio de fracassados em políticas de enfrentamento ao fenômeno das drogas proibidas, está a deitar falação: Fernando Henrique Cardoso, Gaviria (Colômbia) e Zedillo (México).



Gaviria foi o presidente ao tempo em que se tornaram transnacionais os cartéis de Pablo Escobar (Medellín) e dos irmãos Orejuela (Cali).



Zedillo quebrou financeiramente o México, enquanto os cartéis mexicanos conseguiram os maiores lucros encômicos-financeiros da sua história. O ex-presidente FHC copiou a política repressiva e criminalizante dos EUA e a sua lei sobre drogas apenava com prisão o usuário.



Como numa comédia dos Três Patetas, o trio FHC-Gaviria e Zedillo querem ensinar como enfrentar o tráfico, a demanda e o consumo de drogas.

--Wálter Fanganiello Maierovitch--


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