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Bacilo de antraz misturado à heroína e cocaína. Alarme na Europa.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 23 de janeiro de 2010



O bacilo antraz já foi usado por terroristas, que expediram, nos EUA e logo depois do covarde ataque de 11 de Setembro às torres gêmeas e ao Pentágono, centenas de cartas com ele pelos correios. O objetivo era a contaminação por meio da abertura e manuseio pelo destinatário.



A meta dos terroristas era causar septicemia e morte por choque toxêmico.



Só que essa forma de contágio, pelo manuseio de papel com o bacilo que é invisível a olho nu, é de eficácia reduzida. O contrário ocorre quando se dá por via aérea.



No particular, a cocaína pode ser aspirada, injetada ou fumada, como a heroína. Em outras palavras, a droga pode ser o veículo utilizado para a contaminação.



Com efeito, em dezembro de 2009 e em janeiro de 2010, na Europa, já se registraram 15 casos de consumo de heroína e cocaína com antraz. E anunciadas 8 mortes.



Na Escócia foram internados 14 usuários de heroína em hospitais . A heroína estava contaminada com antraz. Os afetados injetaram ou inalaram doses dessa heroína. Na França, a chamada população de risco já foi comunicada, enquanto a Alemanha informou um caso de morte por antraz de usuário de droga.



No chamado Velho Continente, o alarme foi disparado pelas autoridades sanitárias da União Europeia. Numa chave de leitura adequada, significa ter voltado um conhecido problema, que, em 1998, começou com as drogas sintéticas contaminadas: eram fabricadas em fundo de quintal e com uso de veneno de rato, comprado em supermercado, para potencializar.



Em 1999, quando era o secretário nacional para o fenômeno das drogas ilícitas e diante do problema das drogas impuras, acompanhei, em vários países europeus, a experiência chamada pill testing. Aliás, uma política de redução de danos, enquadrada entre as modernas e humanas.



O pill testing consiste na verificação da pureza da droga. Barracas são montadas por agentes sanitários e o portador pede a testagem químico-toxicológica da droga que pretende consumir. Ele é avisado no caso de impureza e riscos de consumir. Lógico, a polícia não fica nas imediações das barracas. No caso, há necessidade de uma relação de confiança e conscientização. E que não se trata de questão criminal, no que toca ao consumidor.



Pano Rápido. Ainda não se sabe o que está por trás das contaminações por antraz. Não se descarta grupos de moralistas ou de fanáticos religiosos interessados em exterminar usuários de heroína, cocaína e drogas sintéticas.



O uso de antraz em terrorismo é objeto de preocupação desde 1972. Um estudo realizado em Nova York, a pedido dos 007 da CIA, mostra que um ataque com aerosol a espalhar antraz pode causar 600 mil mortes. Poucos gramas do esporão de antraz pulverizados num estádio coberto pode, por exemplo, infectar de 60 mil a 80 mil pessoas em apenas uma hora.



É bom avisar que a introdução do bacilo antraz na cocaína ou na heroína não produz mudança de coloração ou outro aspecto capaz de chamar a atenção do usuário.

Wálter Fanganiello Maierovitch


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