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Obama: primeiros 12 meses com queda de popularidade e o risco da eleição do Mid-term

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 19 de janeiro de 2010.

Obama: queda de popularidade nos últimos 6 meses.

Tenho 62 anos de idade e a certeza de estar, mergulhado e sem volta, na estação outonal da vida. Nunca recordei tanto a poesia intitulada No Alto, de Machado de Assis. E a passagem sobre a descida da “vertente de oeste”, destacada no poema, me causa calafrios. O Ariel já caiu fora e o Caliban, anjo do mal e da descida do alto da montanha, tem a cara dos inimigos que colecionei até agora.



Apesar de entrado em anos e descrente, fiquei emocionado com aquele 29 de janeiro de 2009, quando da posse de Barack Obama, o primeiro afro-americano na Presidência dos EUA. Também me senti aliviado, frise-se, pela saída de George W. Bush, seguramente o pior e o mais insensível dos que passaram pela Casa Branca. Acho até que um dia a doutrina de Cesare Lombroso sobre as feições do criminoso nato será reexaminada: Lombroso foi o precursor da antropologia criminal e autor da obra L´uomo delinquente.



O frio daquele 20 de janeiro de 2009 não impediu que 1,8 milhões de cidadãos norte-americanos acompanhassem, ao ar livre, a cerimônia no Capitólio, sede do Congresso. E 38 milhões de norte-americanos seguiram pela televisão o histórico discurso de 18 minutos de Barack Obama, o 44º presidente dos EUA.



Amanhã, 29 de janeiro de 2010, Obama, se fizer o balanço anual, verificará que 45% dos eleitores democratas não estão dispostos, pela decepção com o seu governo, a sair de casa para votar nas eleições do Mid-term. Ou seja, não participarão das eleições para escolha de toda a Câmara de Deputados, de 1/3 dos senadores e de 38 governadores.



As chamadas eleições de Mid-term serão realizadas em novembro próximo. Tudo pode mudar. Mas nos últimos seis meses a popularidade de Obama entrou em queda-livre, e em 29 de janeiro de 2009 estava nas estrelas. As causas do declínio são conhecidas: desocupação recorde e explosão do débito público.



Com isso, os republicanos, ainda sem um líder (procuram um outro com a lombrosiana cara de W. Bush), mostram que poderão faturar nas eleições de novembro. Se isso acontecer, Obama não terá maioria parlamentar.



Segundo o respeitado jornal The Economist, parceiro no Brasil da revista CartaCapital, “Obama não teve coragem de virar a mesa no sentido de se impor na babel que é o Congresso”. E, acrescento, cometeu o grande erro de jogar todas as cartas na reforma sanitária, que os americanos não consideravam prioridade e ainda não a entendem.



Num pano rápido e destacam as mídias, Obama, que arrasou como orador na campanha eleitoral, não se mostra um bom comunicador de massas, ao contrário de Lula: talvez por isso tenha dito que Lula era o cara.



Para os opositores republicanos, Obama erra na reforma sanitária, aumenta as despesas e o déficit público, intromete-se na vida dos cidadãos, sem conseguir resolver os problemas econômicos da nação.



Sobre ter Obama governado com equilíbrio, diante de uma pantagruélica quebra econômico-financeira causada pela administração W. Bush, os republicanos fingem não enxergar. A abertura de diálogo com o mundo islâmico (passagem notável em discurso na Universidade do Cairo), a volta ao Estado de Direito, o fim das torturas e respeito aos direitos humanos, são conquistas que os republicanos fingem não ter visto, até para não lembrar da aventura de Bush no Iraque.

Wálter Fanganiello Maierovitch


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