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Racismo no Futebol. Balotelli da Inter de Milão reage aos coros dos ultrà racistas.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 7 de janeiro de 2009.




A segunda imagem deste post serve para mostrar que, nos campos futebolísticos italianos, tardaram as providências administrativas e processuais penais. Assim, proliferaram as manifestações racistas.



Como se percebe a cada jogo de futebol disputado, as pesadas multas, já pagas pela Roma, Lazio, Juventus etc, não se mostram suficientes para calar os racistas, bem aceitos nas torcidas organizadas.



Os ultrà — membros de torcidas organizadas racistas — não mais conseguem desfraldar as faixas com dizeres preconceituosos, em face da vigilância: temem a filmagem. Em substituição às faixas e bandeiras nazifascistas, entoam o coro racista “buu” quando um jogador negro pega na bola, durante a partida.



Além do “buu”, entoam, numa repetição a tirar do sério uma pessoa minimamente civilizada, o “non esistono negri italiani” (não existem negros italianos) ou “non ci sono negri italiani” (não há italianos negros ). O alvo principal, a bola da vez a substituir o perseguido jogador Zoro, é Mario Balotelli.



Estádio Olímpico de Roma.

Na última rodada, os ultrà racistas do time do Chievo, no estádio de Verona, insultaram Mario Balotelli, 19 anos, craque da Inter de Milão e titular da seleção italiana sotto 20 anni (baixo de 20 anos de idade).



Repetiu-se, mais uma vez no estádio de Verona, a manifestação racista de maio de 2009, e a vítima foi a mesma, ou seja, Mario Balotelli.



No particular, as torcidas dos dois times locais, Chievo e Verona, se assemelharam em intolerância e desrespeito humano: o time do Verona, quando disputou a primeira divisão do campeonato italiano, e em face de punição por manifestação racista da sua torcida, jogou duas partidas em estádio com portões fechados à sua torcida.



O jovem e talentoso Mario Balotelli não deixou passar em branco o episódio. No final da partida, deu uma entrevista à rede televisiva Sky Sport, um dos comentaristas é o brasileiro Altafini (Mazzola, do Palmeiras e campeão do mundo pela Seleção Brasileira de 58) e disparou: “Esse público de Verona me dá nojo”.



O prefeito da cidade, que é torcedor do Verona (considerado, ao lado da Lazio, o clube mais racista da Itália), reagiu e chamou Balotelli de “imaturo e presunçoso”. Quis faturar politicamente a título de defender os cidadãos de Verona e não percebeu que, na verdade, estava a justificar os racistas e a olvidar que são minoria: colocou todos de Verona no mesmo barco do racismo.



PANO RÁPIDO. Mario Balotelli, há tempo, vem sendo vítima de ataques racistas. Ele nasceu em Palermo (Itália), onde foi deixado, aos dois anos de idade, pelos país africanos de Gana.



Ainda menino, Mario foi adotado pela família Balotelli, da cidade de Brescia ( Mario tem forte sotaque bresciano) que já possuía um casal de filhos.



Aos 18 anos, por força do estabelecido na legislação italiana, ele teve de escolher a nacionalidade, ou seja, optar pela derivada do vínculo de sangue (Gana) ou pela do lugar de nascimento (Itália). Mario escolheu a Itália e os seus procuradores são a irmã e o irmão de Brescia, com os quais foi criado em harmoniosa e exemplar família: os Balotelli.



O historiador Heródoto (século V a.C.), como lembra o professor Fábio Konder Comparato na sua monumental obra intitulada Ética (editora Companhia das Letras), “narra as suas viagens, comparando os diferentes costumes e tradições dos povos, o que lançou as primeiras bases para a compreensão da relatividade das civilizações e da igualdade essencial do ser humano”.



Na terra de Romeu e Julieta, os ultrà ainda não apreenderam nada. Zero, quanto ao quesito do saber racional. Quanto ao prefeito, mostrou-se à altura dos ultrà que defende.

Wálter Fanganiello Maierovitch.


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